Ah, essa habilidade EF69LP04 da BNCC parece complicada à primeira vista, mas quando a gente põe na prática, fica mais tranquila de trabalhar. Olha, o que a gente precisa fazer com os meninos do 6º ano é ajudar eles a enxergarem além do óbvio nos textos publicitários. Sabe quando você vê uma propaganda e nem percebe que tá sendo induzido a querer comprar aquilo? Então, é isso que a gente quer evitar. Queremos que eles percebam as estratégias por trás das palavras bonitas, imagens chamativas e tudo mais que uma propaganda usa pra tentar convencer a gente. Eles já vêm com um certo conhecimento de figuras de linguagem do 5º ano, tipo metáforas e símiles, então dá pra puxar esse fio aí. Mas o nosso foco aqui é mostrar como esses recursos tentam te convencer de que você precisa de algo que muitas vezes você nem sabia que queria.
A primeira atividade que eu faço com eles é bem simples. Eu peço pra galera trazer recortes de revistas ou folhetos de supermercado. A gente junta tudo numa mesa e faz uma análise coletiva. Os meninos adoram porque é meio que uma caça ao tesouro, sabe? Eles precisam achar elementos nas propagandas: quem tá falando ali? Que figuras de linguagem tão usando? E por quê? Dura uns 50 minutos essa atividade, e eles vão falando e discutindo entre si. Uma vez, a Larissa encontrou um anúncio de perfume que dizia "liberdade em cada gota". E aí o João perguntou: "Mas perfume prende alguém?" A turma toda riu, mas foi uma deixa ótima pra discutir o conceito de liberdade e por que as pessoas associam isso a um cheiro.
Outra atividade que faço é um pouco mais tecnológica. Levo eles pro laboratório de informática da escola. Aí a tarefa é procurar vídeos publicitários no YouTube e prestar atenção no que se fala e no que se mostra. Eu peço pra cada dupla escolher um vídeo e analisar como ele tenta convencer o público. Depois de uns 45 minutos assistindo e anotando, a gente se reúne na sala e cada dupla apresenta o vídeo escolhido, apontando as estratégias de persuasão. Teve uma vez que o Pedro e o Gabriel escolheram um comercial de refrigerante que terminava com uma festa super animada, cheia de gente feliz e tal. Eles perceberam que não era só o produto em si, mas a ideia vendida por trás: beber aquilo te faz popular, feliz, cheio de amigos. Isso gerou uma discussão massa sobre até onde essas promessas são reais.
Por último, tem uma atividade prática onde os alunos criam suas próprias propagandas. Eu dou liberdade pra inventarem um produto (pode ser qualquer coisa) e criarem um anúncio escrito ou desenhado. Essa parte geralmente leva umas duas aulas inteiras, porque eles têm tempo pra planejar, criar e depois apresentar pras turmas nas aulas seguintes. A Maria teve a ideia genial de criar um suco mágico que fazia as pessoas entenderem matemática num piscar de olhos. Na apresentação dela, ela usou várias figuras de linguagem engraçadas e jogou com a ideia de "ser inteligente instantaneamente". Os colegas adoraram e até ficaram querendo experimentar o tal suco! Mas aí voltamos à reflexão sobre ser crítico com o que nos vendem.
Essas atividades não exigem materiais caros nem difíceis de encontrar: revistas velhas, acesso à internet por um tempo curto e papel pros anúncios fictícios. O bom é que os meninos se envolvem demais e acabam levando esse olhar crítico pras coisas do dia a dia deles. Outro dia mesmo encontrei a Júlia no corredor da escola mostrando uma embalagem de salgadinho pra amiga e falando dos trocadilhos engraçados e exagerados que tinham ali.
Então é isso! Trabalhar essa habilidade é bem legal porque dá uma sensação boa ver os meninos começando a enxergar além do superficial nos discursos publicitários. E vocês aí, como têm trabalhado essa habilidade na sala? Tô curioso pra saber!
narrativa e interpretação de textos, porque, bem, eles já assistiram muita TV e tão sempre no celular. Mas, a mágica mesmo acontece quando eles começam a conectar os pontos por conta própria.
Aí, nos dias em que não tem prova, eu fico circulando pela sala, ouvindo as conversas, observando as reações. Tem vezes que você vê um aluno, tipo o João, olhando um folheto com cara de investigador, sabe? Ele pega aquele panfleto de supermercado e vai percebendo que os produtos que tão na promoção tão sempre perto dos mais caros, que a imagem do produto tá estrategicamente bem iluminada e parece maior do que é na realidade. Quando ele vira pra amiga e diz "olha isso aqui ó, é só pra gente achar que tá baratinho!", aí eu sei que ele tá entendendo.
Outra coisa bacana é quando um aluno explica pro outro. Tipo a Maria ajudando o Tiago. Ela tava mostrando pra ele um anúncio de revista e foi falando sobre as cores chamativas, sobre o tamanho das letras e até o lugar em que a informação tá posicionada na página. E o mais legal foi o Tiago respondendo com um "nossa, nunca tinha reparado nisso!". Isso pra mim é sinal de aprendizado acontecendo ali no ato.
Agora, é claro que tem aqueles erros comuns que a galera comete quando tão começando a pegar o jeito. O Rafael, por exemplo, sempre confunde propaganda com informação. Ele acha que toda imagem bonita tá ali só pra deixar as coisas legais e não percebe o truque por trás. Já peguei ele várias vezes dizendo "mas isso não é só pra enfeitar?" Aí eu paro tudo e explico: "Rafael, se tá bonito demais ou se chama sua atenção logo de cara, pode apostar que tem um motivo estratégico."
Também tem a Júlia que sempre cisma com as palavras difíceis. Ela lê uma expressão mais complicada e trava na interpretação achando que todo texto publicitário é pura poesia. Então eu falo pra ela: "Júlia, olha o contexto geral! Nem toda palavra bonita tá ali só pela beleza, às vezes ela tá disfarçando algo."
Com esses erros, o segredo é pegar na hora e explicar com exemplos práticos ou mesmo pedir pra eles criarem uma propaganda usando a mesma técnica errada. Assim eles sentem na pele como não funciona tão bem.
Agora falando do Matheus que tem TDAH e da Clara com TEA. Com o Matheus, uso atividades mais curtas e bem diversificadas pra manter ele focado. Se a atividade é muito longa, ele se perde rapidinho. Faço pausas frequentes com ele e às vezes deixo ele trabalhar em pé ou se movimentar um pouco pela sala, desde que não atrapalhe os colegas. Uma coisa que funciona é usar cartões coloridos com partes da propaganda para ele organizar uma sequência lógica. E sempre dou um retorno positivo imediato quando ele acerta algo pequeno.
A Clara gosta de rotina e previsibilidade nas atividades, então com ela eu tenho uma abordagem diferente. Faço questão de explicar cada etapa antes dela começar qualquer trabalho e uso muito material visual claro, como mapas mentais ou esquemas simplificados. Às vezes uso fones de ouvido com música ambiente suave para ajudar ela a focar melhor. O desafio maior foi encontrar o material certo que prende sua atenção sem sobrecarregar com informações desnecessárias.
Teve uma vez que tentei usar realidade aumentada numa atividade achando que seria legal pra todos, mas foi um desastre completo pros dois. Ficaram mais confusos do que tudo. O negócio é entender que cada um tem sua forma de absorver a informação e respeitar isso.
Enfim, ensinar EF69LP04 tem sido uma jornada cheia de descobertas tanto pros alunos quanto pra mim mesmo. Sempre aprendo algo novo com eles também. E aí galera do fórum, como é que vocês lidam com essas situações? Alguma dica extra? Vamos trocar umas ideias por aqui.
Bom, já falei demais por hoje. Vou ficando por aqui e aguardo vocês nos comentários. Abraços!