Então, pessoal, essa habilidade da BNCC, a EF67LP28, é aquela que a gente precisa ajudar os meninos a lerem e entenderem os textos por eles mesmos. Na prática, é mais do que só ler: tem que saber o que está lendo, por que está lendo e como aquilo se conecta com o resto do mundo. Imagine que você tá lendo um conto de terror. O aluno não só precisa entender a história, mas também perceber como o autor cria o suspense. Isso é algo que eles já começam a aprender no 5º ano, mas agora no 6º a gente aprofunda mais. A ideia é eles começarem a ter suas preferências literárias, escolherem autores ou gêneros que gostam e conseguirem explicar por quê.
Bom, vamos lá para o que eu faço na sala de aula. A primeira atividade que faço é chamada "Círculo do Livro". É bem simples: cada um traz um livro que tenha lido ou esteja lendo e acha interessante. Pode ser qualquer coisa: um romance infantojuvenil, uma HQ, um livro de mitos. A turma se organiza em círculo e cada um tem uns 5 minutos para apresentar o livro, conta do que se trata, por que gostou e lê um trecho em voz alta. Depois, a gente discute em grupo o que achamos da história ou do gênero. Normalmente faço isso em uma aula inteira, uns 50 minutos. Da última vez, o João trouxe "O Pequeno Príncipe" e ficou todo empolgado contando. Já a Ana trouxe "Turma da Mônica Jovem" e explicou como ela acha legal ver os personagens da infância dela agora adolescentes. Ver os meninos trocando ideias e recomendações é sempre muito rico.
Outra atividade que rola bastante é o "Desafio dos Contos de Terror". Eu trago uma coletânea de contos curtos de terror. Divido a turma em grupos pequenos e cada grupo escolhe um conto para ler e analisar. Eles têm que discutir entre eles sobre o uso do suspense, ambiente e personagens. Depois, precisam criar uma apresentação sobre o conto para o restante da turma. Essa atividade leva umas duas aulas, porque primeiro eles leem e preparam tudo, depois apresentam. Na última vez que fizemos isso, o Carlos estava lendo um conto e de repente soltou um grito no meio da leitura pra assustar os colegas! Todo mundo riu muito e isso aliviou um pouco a tensão do tema. Mas além disso, eles realmente mergulharam nas histórias, discutiram detalhes que davam medo ou mantinham o suspense.
A terceira atividade é "Criação de Antologia de Poemas". Nessa eu peço para cada aluno escrever seu próprio poema ou escolher um poema pronto que goste muito. Depois juntamos tudo numa antologia da turma. Eles podem escolher qualquer estilo: poemas livres, cordéis, sonetos... Aí, num dia especial, fazemos uma "Feira Literária" na sala onde cada aluno lê seu poema para os colegas. Isso toma umas três aulas: uma para escolha e escrita dos poemas, outra para montagem da antologia e a última para a leitura na feira. Quando fizemos isso mês passado, a Mariana escreveu um poema tão bonito sobre saudade que emocionou todo mundo — foi um momento incrível ver como ela colocou seus sentimentos no papel.
No geral, essas atividades ajudam muito os alunos a desenvolverem uma leitura mais crítica e autônoma. Eles passam a reconhecer o que gostam e o porquê gostam de certos gêneros ou autores. Além disso, as discussões em grupo sempre trazem novas perspectivas para cada aluno ver além do próprio ponto de vista. É bacana ver como essas atividades ajudam também na expressão oral deles, já que precisam apresentar suas ideias pro resto da turma.
No fim das contas, a ideia é deixar os alunos bem à vontade com a leitura e com suas falas sobre livre escolha sobre os textos. Eles devem se sentir confiantes pra expressar seus gostos pessoais e análises dos textos lidos. E as trocas entre eles são valiosas demais — tanto pra espalhar gostos literários quanto pra praticar essa habilidade tão importante de comunicação e respeito às opiniões dos outros.
Espero que essas ideias possam ajudar vocês aí nas suas salas também! Grande abraço!
Bom, galera, continuando aqui sobre essa habilidade EF67LP28. Uma das coisas que mais gosto é quando percebo que os meninos pegaram o jeito da coisa sem precisar de uma prova formal. Tipo assim, eu vou circulando pela sala e de repente vejo a Maria conversando com o João sobre um livro que a gente tá lendo, e ela começa a explicar pro João como a autora usou metáforas pra criar uma imagem mais vívida na cabeça dela. Aí eu penso: "Poxa, a Maria entendeu direitinho". Essas pequenas conversas entre eles são valiosas.
Outra situação que me ajuda a perceber isso é quando eles estão fazendo atividades em grupo. Um dia desses, o Pedro tava explicando pra Ana sobre como o suspense no conto "A Queda da Casa de Usher", do Edgar Allan Poe, é construído. Ele comentou: "A casa reflete o que tá acontecendo com os personagens, saca? Como se tudo estivesse desabando". Na hora eu soube que ele tinha captado a essência do texto.
Aí tem os erros comuns, que aparecem sempre. Vou te contar, o Lucas sempre confunde autor com narrador. Ele lê uma história e de repente vem me dizer que o autor pensa tal coisa, quando na verdade é o narrador. A confusão é porque muitas vezes os meninos acham que tudo que tá escrito é opinião do autor, e não percebem que o narrador pode ter uma visão diferente.
Tem também a Luiza que, na hora de interpretar um poema, às vezes fica presa nas palavras difíceis e perde o sentido geral do texto. É como se ela ficasse tão preocupada em entender cada palavra que esquece de olhar pro todo. Quando pego esse erro na hora, costumo pedir pra tentarem contar com as próprias palavras o que entenderam até ali. Isso costuma ajudar.
E agora, contando da turma especial com Matheus e Clara. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades mais dinâmicas pra manter a atenção. Com ele, faço mais uso de jogos educativos ou leituras dramatizadas onde ele pode participar ativamente. Outro dia fizemos uma leitura encenada de um conto, e ele ficou responsável por dar voz ao personagem principal. Foi incrível ver ele imerso na atividade.
Já com a Clara, que tem TEA, preciso adaptar algumas coisas nas atividades escritas e orais. Com ela, uso muito material visual, tipo gráficos e mapas conceituais. Uma vez estávamos estudando um texto sobre mistérios da natureza, então preparei imagens e fichas visuais pra ela conectar as ideias principais. O timing também é outro ponto importante; com a Clara, ofereço mais tempo para completar as atividades, porque sei que ela precisa desse espaço.
Ah, teve uma coisa que não funcionou tão bem com eles: tentar fazer uma dinâmica em duplas sem antes orientar direitinho as funções de cada um. O Matheus ficou perdido e a Clara ficou um pouco ansiosa. Então agora sempre explico bem as regras antes e deixo claro qual é o papel de cada um na atividade.
E assim vamos seguindo, cada dia um aprendizado novo tanto pra mim quanto pros alunos. Gosto de pensar que aprender a ler e interpretar textos é uma aventura compartilhada entre nós. Espero ter ajudado vocês com essas histórias e dicas.
Qualquer dúvida ou sugestão, tô por aqui! Abraço!