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EM13LP49Língua Portuguesa · 3º EM Ano · Ensino Médio

Perceber as peculiaridades estruturais e estilísticas de diferentes gêneros literários (a apreensão pessoal do cotidiano nas crônicas, a manifestação livre e subjetiva do eu lírico diante do mundo nos poemas, a múltipla perspectiva da vida humana e social dos romances, a dimensão política e social de textos da literatura marginal e da periferia etc.) para experimentar os diferentes ângulos de apreensão do indivíduo e do mundo pela literatura.

CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, gente, essa habilidade EM13LP49 da BNCC é um baita desafio, mas também é uma delícia de trabalhar quando a gente entende o que tá por trás. A ideia é que os meninos consigam perceber como cada tipo de texto literário tem um jeitão próprio, um estilo, uma forma de ver o mundo, sabe? Tipo assim, se eles leem uma crônica, têm que sacar que ali tem muito do dia a dia, daquela coisa do cotidiano. Num poema, já é mais sobre a manifestação do eu, aquela coisa mais subjetiva. E por aí vai.

Na prática, isso significa que os alunos precisam desenvolver um olhar crítico pra captar essas nuances. Eles têm que conseguir ler um romance e perceber como ali tem várias camadas da vida humana e social, entender a crítica por trás de um texto de literatura marginal. E acho que é uma extensão do que eles já vinham fazendo no primeiro ano. Lá, eles estavam começando a identificar características dos gêneros textuais. Agora, eles aprofundam isso e começam a ver por que essas características importam e o que elas dizem sobre o mundo.

Bom, vou contar como eu trabalho isso com os meninos do segundo ano do ensino médio. Primeira coisa que faço é uma atividade de leitura comparativa. Pego uns trechos curtos de diferentes gêneros: crônica, poema, trecho de romance e um texto de literatura marginal. Não precisa ser nada elaborado. Na última semana mesmo usei uma crônica do Rubem Braga, um poema da Adélia Prado, um pedaço de "Vidas Secas" do Graciliano Ramos e um conto da Conceição Evaristo.

Eu divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos. Dou uns 15 minutos pra cada grupo ler os textos e depois a gente parte pra discussão. O mais legal é quando eles começam a perceber as diferenças sem eu precisar falar muito. Teve uma vez que o Pedro comentou como na crônica do Rubem Braga parecia que ele tava vendo uma cena ali da rua dele mesmo, enquanto na poesia da Adélia Prado ele sentia mais como se fosse algo íntimo, quase uma conversa com ela mesma. Aí já sei que eles tão no caminho certo.

Outra atividade que faço é pedir pra eles criarem seus próprios textos nesses gêneros. Cada aluno escolhe um gênero pra escrever: pode ser uma crônica sobre algo que aconteceu na escola ou em casa, um poema sobre algo importante pra eles, ou até um conto inspirado em alguma situação social atual. Damos uma aula inteira pra isso — umas duas horas — e depois cada um lê seu texto pros colegas.

Nessa atividade teve uma vez que a Ana trouxe uma crônica sobre o ônibus lotado que ela pega todo dia e foi incrível ver como ela conseguiu captar aquela agonia e ao mesmo tempo brincar com a situação. O Lucas escreveu um poema sobre saudade que deixou a turma toda em silêncio, pensando na vida. Acho que quando eles escrevem e compartilham suas próprias experiências nesses formatos diferentes, ficam ainda mais ligados nas peculiaridades de cada gênero.

Por fim, gosto de usar música pra reforçar essas ideias. Trago letras de músicas que tenham forte apelo literário — tipo Chico Buarque ou Racionais MC's — e a gente analisa como se fossem poemas ou crônicas mesmo. A turma adora porque conecta com o que eles já gostam de ouvir fora da aula. Aí coloco todo mundo em círculo e vamos discutindo verso por verso, frase por frase. As vezes até rola um debate acalorado!

Teve uma vez, analisando "Diário de um Detento" dos Racionais MC's, que o João levantou a questão da perspectiva social no texto e como aquilo se relacionava com as situações retratadas nos romances sociais que já tínhamos lido em sala. Foi massa ver eles amarrando tudo assim.

Olha aí como são as coisas: quando a gente vê os meninos saindo da aula comentando sobre as atividades ou quando percebo que eles tão tentando aplicar essas análises nas coisas que assistem ou ouvem no dia a dia — filmes, séries, músicas — sei que tão realmente captando a essência dessa habilidade da BNCC.

Vale muito à pena investir nessas abordagens práticas e deixar a galera experimentar diferentes jeitos de ver o mundo através dos textos literários. Acho que esse tipo de aprendizado fica pra vida toda. E vocês aí? Como têm trabalhado essa habilidade?

E é aí que a mágica acontece, né? Quando eu tô circulando pela sala, de olho nas conversas, na troca das ideias entre eles, é que percebo se a coisa tá fluindo mesmo. Às vezes, tô passando pelas mesas e escuto a Joana explicando pro Lucas: "Cara, olha aqui nessa crônica, como o autor usa humor pra falar de coisa séria. É tipo aquele meme que a gente viu ontem, lembra?" E na hora penso: ah, entendeu! É nessas horas que vejo que eles tão ligando os pontos, fazendo conexão com o que vivem fora da sala.

Outra situação clássica é quando o João me chama todo empolgado pra mostrar o texto que ele escreveu. Ele fala: "Professor, me diz se essa metáfora ficou boa no meu poema." Aí vejo que ele não tá só escrevendo por escrever. Ele tá preocupado em escolher palavras que transmitam sentimento, que tenham efeito. Quando eles começam a se preocupar com coisas assim, sei que eles tão no caminho certo.

Mas olha, os erros acontecem também, né? E são parte do processo. Um erro comum é quando os alunos acabam misturando as características dos gêneros. Tipo a Mariana outro dia fez uma redação e misturou elementos de conto com crônica. Até brinquei com ela dizendo que ela tava inventando um novo gênero literário. Esse erro acontece porque às vezes eles tão tão envolvidos na história que esquecem das características específicas de cada gênero. Aí paro e reviso com eles algumas características básicas e dou exemplos concretos.

Outra coisa é quando eles ficam meio presos em clichês. O Pedro sempre começa seus contos com "Era uma vez..." e isso é um clássico sinal de que ele tá meio no automático. Isso acontece muito quando eles tão inseguros sobre como começar uma narrativa. Nesses casos, dou umas dicas de como podem começar com uma ação ou um diálogo pra já prender a atenção de quem lê.

Agora, falando do Matheus e da Clara... cada um tem seu jeitinho próprio de aprender. O Matheus, com TDAH, precisa de atividades mais dinâmicas e rápidas. Se a atividade for longa demais ou muito teórica, ele se perde. Então, costumo fazer desafios rápidos durante a aula pra manter o foco dele. Coisas tipo: "Em 5 minutos, vocês vão criar uma metáfora sobre algo que veem aqui na sala." Isso funciona bem com ele.

Já a Clara, com TEA, gosta de saber exatamente o que vem a seguir. Então, criei um cronograma visual pra ela acompanhar o andamento das atividades da aula. Isso deixa ela mais tranquila e focada. Uma vez usei um aplicativo no tablet dela que transforma texto em imagens porque ela aprende melhor visualmente. Isso foi um sucesso.

O que não rolou bem foi quando tentei fazer todo mundo ler em voz alta junto. O Matheus ficou super agitado e a Clara se sentiu desconfortável com o barulho e confusão. Aprendi rápido que leitura em voz alta precisa ser individual quando o assunto é inclusão.

Bom, gente, vou ficando por aqui. A rotina na sala de aula sempre traz desafios novos e ensinar nunca é uma tarefa fácil ou monótona. Cada aluno é único e descobrir como ajudá-los a encontrar seu próprio caminho no aprendizado é uma das partes mais gratificantes do nosso trabalho. Obrigado por compartilharem suas experiências também! Até mais!

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