Olha, essa habilidade EM13LP03 da BNCC é um baita desafio, mas também é bem interessante de trabalhar com os meninos. Na prática, ela tá falando sobre os alunos conseguirem ver como os textos estão sempre conversando uns com os outros. Sabe quando você lê um texto e percebe que ele tá fazendo uma referência a outro texto? Ou quando um filme faz uma piadinha que só quem viu outro filme entende? É isso. Eles precisam identificar essas relações e entender o que o autor tá querendo dizer ou criticar. Os meninos têm que sacar quando um texto tá imitando o estilo de outro, fazendo uma paródia ou até uma paráfrase, que é quando explica a mesma ideia com outras palavras.
Os alunos já vêm do ensino fundamental com uma noção básica de identificar um texto que imita ou faz referência a outro. Nas séries anteriores, eles aprendem a reconhecer elementos básicos dos gêneros textuais e, de certa forma, entendem a ideia de citação. Agora, no ensino médio, estamos aprofundando isso. E não é só identificar, mas também interpretar, entender as intenções por trás disso tudo. É aí que entra essa habilidade.
Primeira atividade que eu faço é a famosa "caça à intertextualidade". Eu pego letras de músicas conhecidas e poemas clássicos e distribuo para a galera em duplas. Coisa simples mesmo: folha impressa com o texto. Dá pra fazer em dois tempos de aula. A ideia é eles identificarem as referências presentes nas letras das músicas aos poemas. Tipo assim, na última vez que fizemos, usei "Faroeste Caboclo" da Legião Urbana e "Vou-me embora pra Pasárgada" do Manuel Bandeira. A reação dos alunos é sempre engraçada. A Ana Clara ficou impressionada como o Renato Russo conseguiu "recontar" o poema do Bandeira de um jeito tão diferente. Eu vejo eles se empolgando quando percebem as referências e entendem o propósito disso no texto.
Outra atividade que eu gosto bastante é a criação de paródias. Dou um tema atual — pode ser algo como meio ambiente ou redes sociais — e peço que eles criem uma paródia de uma música famosa. Aqui é mais solto: eles podem trabalhar em grupos ou sozinhos, depende de como se sentem melhor, e levo uma aula inteira pra isso (uns 50 minutos). Na última vez, o Lucas criou uma paródia hilária de “Evidências” do Chitãozinho & Xororó sobre o uso excessivo do celular. O mais legal é ver como eles conseguem manter a estrutura do original, mas mudam o significado completamente. E aí depois a gente sempre faz uma roda pra eles apresentarem as paródias e discutirmos as escolhas que fizeram.
Por último, eu faço algo que chamo de "diálogo entre textos". O objetivo aqui é pegar trechos de dois livros diferentes, de preferência com autores de épocas ou estilos bem distintos, e mostrar como eles dialogam entre si. Uso bastante "Dom Casmurro" do Machado de Assis e "Capitu" da Adriana Falcão pra isso. Divido a turma em pequenos grupos e cada grupo fica responsável por analisar um trecho específico. Acho importante dar um tempo pra pesquisa antes da discussão — deixo eles usarem celulares ou o computador da sala mesmo — então essa atividade costuma levar umas duas aulas. Lembro que na última vez a turma ficou animada quando o João percebeu como os escritores tratam a dúvida sobre a traição da Capitu com perspectivas tão diferentes! Eles começam a perceber as nuances dos textos e como essas diferenças enriquecem a leitura.
O mais fantástico dessas atividades é ver a evolução dos alunos ao longo do tempo. No começo do ano, muitos acabam focando só na história por si só, sem perceber essas relações mais profundas entre os textos. Mas depois dessas atividades práticas — e das discussões que se desenrolam naturalmente delas — dá pra sentir que vão ficando cada vez mais atentos. Eles começam a ler e assistir filmes procurando essas conexões. É como se estivesse abrindo uma nova janela pra eles apreciarem literatura e arte num sentido mais amplo.
E assim vou seguindo com eles, sempre buscando formas novas de despertar esse olhar mais crítico e atento pras relações entre os textos. O importante é não só ensinar a reconhecer essas coisas, mas também fazer com que vejam valor nisso fora da sala de aula. E quando você vê um aluno discutindo entusiasticamente sobre intertextualidade espontaneamente... Ah, aí é aquele momento que faz valer tudo! Bom gente, por hoje é isso aí, até o próximo post!
Aí, gente, como é que eu sei quando a galera entendeu essa parada toda de intertextualidade sem ter que aplicar aquele teste chato? Bom, é na sala mesmo, tipo, andando por entre as mesas, ouvindo as conversas deles. Tem uma hora que eles começam a usar umas palavras que entregam, sabe? Teve um dia que eu tava passando pela sala e ouvi o Pedro explicando pro João algo sobre um texto que a gente tinha lido. Ele disse assim: "João, isso aqui tá igualzinho o que aquele autor fez no livro tal... ele tá imitando o estilo, saca?" Foi ali que eu pensei: "Ah, esse entendeu o lance!" Aí também tem aquelas vezes que na hora de discutir em grupo, alguém solta: "Ah, mas isso me lembrou daquele filme!" E aí eu vejo que eles tão pegando a ideia de referências cruzadas.
Agora, sobre os erros mais comuns, nossa... tem vários! Olha só, a Mariana sempre confunde intertextualidade com cópia. Se ela vê um texto parecido com outro, já pensa que é plágio. Aí eu preciso explicar pra ela que não é bem por aí. Tive que sentar com ela e mostrar exemplos de paródias famosas pra ela perceber a diferença. Ou então o Lucas, ele é daqueles que acha que qualquer citação já é intertextualidade. Aí vou com calma e mostro nuances pra ele entender melhor. Eu pego um texto que ele gosta e faço perguntas tipo: "E aí, você acha que o autor só citou ou tá tentando dialogar com outra obra?" Isso ajuda a clarear as ideias.
E quando a gente fala do Matheus e da Clara, aí eu tenho que fazer uns ajustes legais nas atividades. O Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de suporte pra manter o foco. O que deu certo foi dividir a atividade em partes menores. Tipo assim: em vez de pedir pra ele analisar um texto longo de uma vez só, eu dou parágrafos separados pra ele trabalhar aos poucos. E também fico de olho no tempo; trago um relógio daqueles de cozinha pra ajudar ele a gerenciar melhor. O Matheus também responde bem a materiais visuais, então uso muitos gráficos e mapas mentais.
Já com a Clara, que tem TEA, o desafio é outro. A Clara precisa de estrutura e previsibilidade. Eu sempre começo as aulas com um cronograma claro na lousa e explico a sequência das atividades do dia. Isso ajuda bastante ela a saber o que vem depois e ficar mais tranquila. Além disso, dou preferência por atividades mais visuais e concretas pra ela entender as relações entre os textos. Teve uma vez que fizemos um mural na sala com post-its coloridos indicando as conexões entre textos diferentes; isso funcionou super bem.
Claro que nem tudo sai perfeito sempre. Tentei uma vez usar uma plataforma online pensando que seria legal pra eles interagirem de forma diferente, mas foi um caos! O Matheus se perdeu nos cliques e a Clara ficou sobrecarregada com tanta informação visual na tela.
E assim vamos experimentando e ajustando conforme necessário. O importante é perceber como cada um aprende melhor e adaptar as atividades pra dar conta disso.
Bom, é isso! Espero ter ajudado vocês aí no fórum compartilhando um pouco do dia a dia aqui nas aulas. Se alguém tiver dicas ou quiser trocar experiências, tô por aqui! Valeu por lerem até aqui!