Olha, quando a gente fala de identificar modos de vida na cidade e no campo no presente, comparando com os do passado, a ideia é que os meninos consigam perceber as diferenças e semelhanças dessas formas de viver. Tipo assim, eles têm que entender que a vida no campo e na cidade tem suas particularidades, mas também tem coisas que se parecem. Então, na prática, quero que eles consigam olhar pra uma foto antiga e uma atual e dizer: "Olha, isso aqui ainda é parecido", ou "Isso mudou muito". E mais, eles precisam conectar isso com o que já sabem da história local, como a cidade onde vivem foi se transformando com o tempo, quais foram essas mudanças.
E olha, os meninos já vêm com uma bagagem da série anterior. Eles já viram muita coisa sobre o lugar onde moram, sobre família, bairro, comunidade. Então a gente só vai aprofundando esse papo agora. Eles já sabem que a vida dos avós era diferente da deles hoje em dia. Então eu tento pegar essa curiosidade natural deles e trabalhar de um jeito prático e divertido.
Bom, vou contar três atividades que faço com a turma do 3º ano sobre isso.
Primeiro, eu adoro usar fotos antigas e atuais na sala. Eu trago umas fotos antigas da cidade de Goiânia, tipo lá dos anos 50 ou 60, e fotos atuais do mesmo lugar. Eu imprimo as fotos e levo pra sala (simples, né?). Aí divido a turma em grupos pequenos, uns quatro alunos por grupo. Cada grupo fica responsável por analisar um par de fotos. Eles têm uns 30 minutos pra isso. Peço pra observarem as roupas das pessoas, os carros ou falta deles nas ruas, a arquitetura dos prédios. A última vez que fiz isso, o Pedro olhou as fotos e falou: "Professor, eu acho que naquela época ninguém tinha carro aí", porque na foto antiga só tinha charrete! Os olhos dele brilharam ao perceber isso. É incrível ver quando eles fazem essas conexões.
Outra atividade é trazer alguém mais velho pra conversar com a turma. Convidei o "Seu" José, o avô da Maria Clara, pra falar sobre como era viver no campo quando ele era jovem. Ele contou sobre como plantava tudo que comia e como era difícil ir pra escola porque tinha que andar muito a pé. A galera ficou encantada! Aí, depois da visita dele, a gente organiza uma roda de conversa pra discutir o que ouviram. Essa atividade dura cerca de uma hora. E dá super certo porque os meninos ficam animados pra perguntar coisas pro "Seu" José e é bonito ver como eles respeitam e valorizam a experiência dos mais velhos.
E tem uma atividade que misturo arte com história. Faço um mural comparativo na sala de aula. Uso papel pardo grande pregado na parede. Num lado do mural fica "Cidade/Campo - Passado" e no outro "Cidade/Campo - Presente". Aí os alunos colam recortes de revista ou desenham coisas que representem cada época nesses espaços. Dura umas duas aulas isso aí. Eles ficam super empolgados! O mural vira um mosaico colorido cheio de ideias deles próprios. Na última vez em que fizemos isso, a Letícia desenhou um celular gigante no lado presente do mural e no passado ela desenhou um rádio antigo. Ela achou interessante pensar em como a tecnologia mudou tão rapidamente.
Essas atividades ajudam demais os alunos a se conectarem com o tema de forma prática e visual. Além de aprenderem sobre o passado e o presente do campo e da cidade, eles desenvolvem respeito pelo outro e pelo tempo das coisas. Isso é importante demais!
Olha, claro que nem tudo sai sempre perfeito né? Tem vezes que a turma tá agitada demais e não presta muita atenção nos detalhes das fotos ou na conversa com os mais velhos. Mas é nessas horas que a gente precisa ter paciência e ir ajustando as atividades conforme o ritmo deles.
E assim eu vou levando meus dias na escola! Espero que essas ideias possam ajudar vocês também a trabalhar essa habilidade aí na sala de aula. Se tiverem sugestões ou quiserem saber mais alguma coisa específica sobre essas atividades, me avisem! Valeu gente!
Ah, gente, nessa parte de perceber se os meninos entenderam o conteúdo, eu acho que o mais revelador é quando vou circulando pela sala e vejo como eles interagem com as atividades. Muitas vezes, não é nem a resposta certa ou errada que me mostra se eles entenderam, mas sim como eles falam sobre o assunto entre si. Lembro de um dia que a Júlia tava explicando pro Pedro a diferença entre as roupas que os fazendeiros usavam antigamente e as de hoje em dia. Ela falou algo tipo: "Antigamente, eles usavam roupa bem mais pesada, né? Hoje em dia é mais leve, por causa das máquinas, não precisa fazer tanto trabalho braçal". Aí você vê, né? Quando eles conseguem fazer essas relações sozinhos e ainda explicar pro colega, é um sinal claro de que entenderam.
Outra coisa que sempre me ajuda a perceber o entendimento deles é durante as rodas de conversa. Às vezes, coloco uma música antiga que fala sobre a vida no campo e na cidade e deixo eles conversarem sobre o que entenderam da letra. É engraçado porque enquanto eles discutem, vão trazendo pontos que às vezes eu nem tinha pensado em abordar mais a fundo. Teve um dia que o Lucas tava falando que a música mostrava como era difícil ir ao médico no passado porque não tinha transporte fácil como hoje. O João ouviu e falou: "Ah, mas minha avó disse que na roça deles até hoje é assim!" Quando surgem essas comparações espontâneas entre passado e presente e entre realidade deles e de outros lugares, eu já fico feliz da vida.
Agora, os erros mais comuns... Bom, esses aparecem também, né? Um erro muito comum é misturar as épocas. Tipo assim, teve uma vez que a Ana achou que o rádio já existia na época dos bandeirantes porque "eles tinham que ouvir música na viagem longa" (coitada, né?). Ou então quando o Gustavo jurava que as plantações de soja já existiam no Brasil colonial porque ele vê muito isso nas estradas hoje. Esses erros acontecem porque eles ainda estão construindo essa linha do tempo na cabeça deles. E quando pego um erro assim na hora, procuro corrigir mostrando algo concreto. Por exemplo, com fotos antigas dos transportes ou desenhos das plantações daquela época pra ajudar a fixar melhor.
Agora, falando do Matheus e da Clara... Olha, com o Matheus que tem TDAH, o lance é manter ele sempre ocupado com algo nas mãos. Já percebi que quando ele tem algo pra mexer enquanto escuta ou participa das atividades, ele fica bem mais focado. Uso aquelas bolinhas de borracha ou brinquedinhos anti-stress enquanto falo da matéria. E também não adianta deixar ele parado muito tempo. Tento dividir as atividades em partes menores e já vou chamando ele pra participar ativamente. Tipo pedir pra ele ser o responsável por distribuir os materiais ou coletar as respostas dos colegas.
Já com a Clara, que tem TEA, o cuidado é outro. Ela gosta muito de previsibilidade então sempre explico a rotina do dia logo no começo da aula e deixo um quadro na lousa com essa programação. Quando trabalhamos com imagens antigas e atuais da cidade e do campo, faço questão de deixar ela olhar bem de perto e no tempo dela pra não gerar ansiedade. Também descobri que usar histórias em quadrinhos ajuda muito porque ela adora esse formato visual.
Uma coisa que testei e não deu muito certo foi tentar um trabalho em grupo grande pra eles dois juntos. Acabou gerando mais confusão do que outra coisa porque cada um tem seu ritmo e preferências diferentes. Agora prefiro integrar eles em grupos menores ou duplas onde sei que eles vão se sentir mais confortáveis.
E aí é isso! Ensinar é uma experiência incrível porque a gente aprende junto com eles o tempo todo. Compartilhar essas histórias aqui no fórum me ajuda também a refletir sobre meu próprio trabalho e quem sabe inspirar outros professores por aí. Vou ficar por aqui agora mas depois conto mais histórias de sala de aula! Abraço pra todo mundo.