Olha, trabalhar a habilidade EF01HI06 com a turma do 1º ano é uma experiência bem rica e, às vezes, até divertida. Na prática, essa habilidade é sobre fazer os meninos entenderem que eles fazem parte de histórias maiores, tipo a história da família deles e da escola. Eles precisam começar a perceber os papéis de cada pessoa nesses espaços, sabe? Por exemplo, entender quem cuida deles em casa, quem são as pessoas que fazem a escola funcionar. Se no ano anterior eles focavam mais no "quem sou eu" e "como sou", agora é hora de expandir isso para "quem está ao meu redor" e "como funcionam esses grupos que eu participo".
Agora, falando das atividades que faço com a galera aqui na sala, vou contar umas três que têm dado certo. A primeira é uma coisa simples chamada “Árvore Genealógica da Turma”. Uso cartolina, lápis de cor e aquelas fotos 3x4 que muitos pais mandam quando começa o ano. Antes de começar, explico que cada um tem uma família e que essa família é composta por várias pessoas com funções diferentes. Divido a turma em duplas ou trios e cada grupo monta sua mini árvore genealógica na cartolina. Isso leva umas duas aulas de uns 50 minutos cada, porque eles gostam de caprichar. Da última vez, o João ficou todo empolgado porque descobriu que tinha primos na mesma escola. Ele começou a perguntar pros coleguinhas se mais alguém tinha primos lá também.
Outra atividade que faço é uma roda de conversa chamada “Quem Sou Eu na Escola”. Essa não precisa de material nenhum além da lousa e um espaço pra eles sentarem em círculo. É uma conversa aberta onde cada um fala o que mais gosta na escola e qual papel acha que tem ali, tipo "eu sou um bom amigo", "eu ajudo a professora organizando os materiais" e por aí vai. Essa atividade costuma durar uns 30 minutos. Na última vez, a Maria Clara disse que se sentia como uma detetive porque sempre achava brinquedos perdidos no parquinho e ajudava a devolver pros donos. Foi um momento de boas risadas e também de reflexão sobre como cada um contribui pro nosso ambiente escolar.
A terceira atividade é um pouco diferente: “Entrevista com o Funcionário”. Aqui eu peço pra turma pensar em alguém que trabalha na escola e preparar perguntas pra essa pessoa. Geralmente escolhemos alguém como o porteiro ou a cozinheira, pessoas que eles veem todo dia mas às vezes não sabem muito sobre o trabalho delas. Usamos papel e lápis pra anotar as perguntas e algumas vezes até gravamos as respostas com o celular (se o entrevistado permitir). Isso leva uma aula inteira e às vezes parte da seguinte pra discutirmos depois. A última vez fizemos com a dona Lúcia, que cuida da limpeza. O Lucas ficou impressionado ao saber quantas salas ela limpava por dia e disse que ia começar a ajudar mais em casa porque viu como dava trabalho.
Essas atividades são legais porque deixam os meninos verem com outros olhos as pessoas ao redor deles. E não é só isso: elas também ajudam a desenvolver empatia e compreensão sobre as diferentes funções dos adultos em suas vidas diárias. Gosto de ver quando eles começam a fazer conexões entre as histórias pessoais deles e o mundo maior à volta.
Aí, no fim das contas, faz toda diferença ver esses pequenos entendendo seu lugar no mundo de maneira mais consciente. Isso não só ajuda no aprendizado presente como planta sementes pro futuro quando vão começar a entender conceitos maiores em história.
Eu sempre digo aqui pra turma: lembra do porquê tá aprendendo isso tudo? É pra você entender melhor quem você é no meio dessas histórias todas – saber como sua vida se entrelaça com tantas outras ao seu redor.
Bom, por hoje é isso pessoal! Espero ter ajudado vocês aí do outro lado da tela com essas ideias! Se alguém tiver mais sugestões ou quiser compartilhar algo parecido do próprio jeito de ensinar essa habilidade, comenta aí! Até mais!
E aí, continuando a conversa, perceber que os alunos aprenderam a habilidade EF01HI06 sem usar provas formais é mais sobre estar atento ao dia a dia com eles. Quando estou circulando pela sala, presto atenção nas conversas, nos momentos em que um aluno chama o outro pra mostrar alguma coisa que fez, ou quando pedem ajuda uns aos outros.
Por exemplo, teve um dia que a Sofia estava tentando explicar pro Lucas como funciona uma linha do tempo da própria vida. Ela pegou e falou assim: "Olha, Lucas, primeiro a gente nasce, tipo assim, aí depois vem as outras coisas, como quando comecei a vir pra escola ou quando aprendi a andar de bicicleta". E ele ficou todo interessado, começou a contar histórias dele também, lembrando de eventos importantes. Nesse momento eu pensei: pronto, a Sofia pegou a ideia de sequência temporal e como isso se aplica à própria vida.
Outra situação foi com o João. Ele tava desenhando a casa dele e algumas pessoas e começou a falar dos papéis de cada um. "Aqui é a minha mãe, ela faz o almoço. Esse é o meu irmão mais velho, ele sempre me ajuda com o dever de casa." Esse tipo de conversa mostra que ele tá entendendo a importância das pessoas ao redor dele e os papéis que elas desempenham.
Agora, os erros mais comuns que surgem nesse conteúdo geralmente têm a ver com confundir as funções das pessoas ou até mesmo entender o tempo das coisas. Por exemplo, a Mariana uma vez falou que a diretora da escola era quem fazia o almoço. Na hora eu percebi que ela tava confundindo os papéis, talvez por ter visto a diretora ajudando no refeitório um dia. Aí eu sentei com ela e expliquei de novo quem faz o quê na escola.
Outro erro que é bem comum é quando eles misturam eventos da vida em ordem errada. Tipo o Pedro dizendo que aprendeu a andar antes de nascer! Isso acontece porque nessa idade eles ainda estão desenvolvendo essa noção de sequência temporal. O que eu faço nesses momentos é pedir pra eles desenharem ou fazerem uma linha do tempo simples com desenhos. Ajuda bastante!
Falando agora do Matheus e da Clara, adaptações são essenciais pra engajar eles nas atividades. O Matheus tem TDAH então ele se distrai fácil. O que funciona bem com ele é dividir as tarefas em partes menores e usar cronômetros visuais. Por exemplo, durante uma atividade de desenho sobre família, eu dou um tempo específico só pra desenhar uma parte por vez, tipo "primeiro desenha você", e assim vai. Já tentei deixar ele fazer tudo de uma vez, mas ele ficava perdido e não terminava nada direito.
Com a Clara, que tem TEA, preciso ser bem claro nas instruções e usar materiais visuais sempre que possível. Ela gosta muito de quebra-cabeças e montagens. Então quando estamos falando sobre quem faz parte da escola, uso figuras destacáveis das pessoas e deixo ela montar isso como um quebra-cabeça em um quadro magnético. Uma vez tentei usar só conversa e imaginação, mas ela ficou sem saber por onde começar.
Aí eu vou adaptando as estratégias conforme vejo o que funciona ou não. E olha, nem sempre é fácil acertar de primeira! É muita tentativa e erro mesmo. Mas no fim das contas, ver eles entendendo e se envolvendo com o conteúdo faz tudo valer a pena.
Bom, acho que é isso por hoje. Espero que tenha ajudado vocês aí com essas dicas e histórias do dia a dia em sala de aula. Qualquer coisa tô por aqui! Um abraço!