Olha, ensinar a habilidade EF09GE03 da BNCC, que basicamente é sobre reconhecer e respeitar as manifestações culturais de minorias étnicas, é uma daquelas coisas que a gente percebe que vai além do conteúdo. É a gente ajudar os meninos a entenderem que o mundo é diverso e que essa diversidade é algo a ser celebrado, não temido. Quando falo disso pro pessoal que tá começando, gosto de simplificar dizendo que é sobre ver o valor em diferentes tradições e estilos de vida, e que cada cultura tem sua própria beleza. Se o aluno consegue identificar uma manifestação cultural, entender seu contexto e respeitar aquilo como parte do nosso mundo global, ele já tá no caminho certo.
Aí, o que faço é construir em cima do que eles já sabem. No 8º ano, por exemplo, eles já passaram pela ideia de diversidade cultural quando falamos sobre as populações indígenas no Brasil. Então, no 9º ano, o desafio é expandir isso para uma escala mundial. Eu quero que eles consigam olhar pra uma música africana, um festival asiático ou uma dança indígena norte-americana e consigam perceber o que aquilo representa para as pessoas daquela cultura.
Agora vou te contar três atividades que faço com a turma pra desenvolver essa habilidade.
A primeira atividade que eu gosto de fazer é o "Círculo das Culturas". Eu peço pros meninos trazerem algum objeto ou história de uma cultura menos conhecida – pode ser um instrumento musical, um alimento típico ou até mesmo uma lenda urbana. A galera senta em círculo e, um por um, apresenta o que trouxe. Essa atividade geralmente leva uns 50 minutos, aquele tempo de uma aula. A reação deles costuma ser muito positiva porque eles curtem mostrar coisas legais que encontraram. Teve uma vez que o João trouxe um berimbau e contou como ele tinha visto num documentário sobre a cultura afro-brasileira na Bahia. Aí a Mariana completou falando de uma música de capoeira que ela tinha aprendido no balé. A turma fica bem envolvida e a gente acaba aprendendo junto.
A segunda atividade é aquele clássico debate em pequenos grupos. Eu apresento pra turma alguns temas polêmicos relacionados à cultura – tipo a apropriação cultural ou a preservação de línguas indígenas ameaçadas – e divido a galera em grupos de quatro ou cinco. Eles têm uns 20 minutos pra discutir entre eles e depois cada grupo compartilha suas conclusões com o resto da sala. Tem vezes que dá confusão boa! Lembro daquela vez em que o Lucas tava super empolgado defendendo a ideia de que usar elementos culturais de outros povos sem respeito é errado, enquanto a Sofia trazia outro ponto sobre como a globalização mistura tudo isso. No fim, foi um baita aprendizado pra todo mundo porque os alunos começam a ouvir perspectivas diferentes.
A terceira atividade é bem prática: eu organizo um mini "Festival das Culturas". Pra isso, a sala se transforma! Cada grupo escolhe uma cultura minoritária – pode ser qualquer coisa: maori, tuaregues, sami – e monta um estande com informações, imagens, música e até comidas típicas quando dá (sem muita complicação). Essa atividade costuma levar duas aulas inteiras pra preparar e mais uma aula só pro “festival” acontecer. Os alunos adoram porque se tornam pequenos especialistas naquele tema e capricham pra apresentar pros colegas. Na última vez que fizemos, o grupo da Ana pegou os bascos da Espanha e trouxe até uns pintxos (umas tapas típicas deles) pra galera experimentar. O Bruno se empolgou tanto com os celtas que até pediu pra ler mais sobre eles depois da aula!
Olha, trabalhar essa habilidade é esse tipo de coisa: abrir os olhos dos alunos pro mundo rico em culturas diversas e mostrar que respeitar as diferenças é essencial. E eu vejo isso dando certo quando noto como os meninos passam a conversar mais sobre esses temas fora da sala de aula ou percebem notícias relacionadas nos jornais e trazem pro debate.
Bom, espero ter ajudado a clarear como essa habilidade pode ser trabalhada na prática! Se tiverem mais ideias ou sugestões, bora trocar figurinhas aqui!
E aí, continuando a conversa sobre EF09GE03 e como a gente percebe que a galera tá pegando o jeito sem precisar aplicar prova formal, vou te contar umas coisas que acontecem no dia a dia. Quando tô circulando pela sala, sempre tô de olho nas conversas dos meninos. Eles nem percebem, mas nessas horas dá pra ver quem realmente entendeu o que foi ensinado.
Por exemplo, outro dia a Ana tava conversando com o Pedro sobre as danças indígenas que a gente tinha visto num vídeo. Ela começou a explicar pra ele que cada gesto tem um significado pro povo que o faz e que não é só "dançar por dançar". Ali, percebi que ela tinha sacado que a manifestação cultural vai além do que a gente vê. Aí o Pedro perguntou se isso era parecido com o funk, que tem toda uma história por trás. Quando eles começam a fazer essas conexões sozinhos e conseguem explicar pro colega, é um sinal claro de que entenderam.
Também tem um momento legal quando um aluno explica pro outro algo que eu ensinei. Tipo assim, na semana passada, o Lucas tava meio perdido sobre as culinárias típicas de algumas culturas. Aí a Mariana virou pra ele e disse: "É tipo aqui em Goiás que tem comida goiana de todo jeito, mas cada prato tem uma história diferente." Achei fantástico ver que ela entendeu e conseguiu passar isso pra frente de uma maneira simples.
Agora, falando sobre os erros comuns, olha, os meninos às vezes confundem as manifestações culturais com estereótipos. Por exemplo, o João uma vez disse que todo japonês pratica sumô porque viu numa matéria da TV. É um erro bem comum porque eles acabam acreditando em tudo que veem na mídia sem questionar. Quando pego um erro desses na hora, paro tudo e explico: "Olha, João, não é bem assim. O Japão tem uma cultura super rica e variada. Sumô é uma parte importante, mas não é todo mundo que pratica". Tento sempre trazer exemplos do dia a dia deles pra facilitar.
Agora, sobre o Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA, é sempre um desafio bacana de lidar. Com o Matheus, eu percebi que funciona melhor quando dou atividades mais curtas e vou quebrando as tarefas em passos simples. Ele se dispersa fácil se eu deixo tudo muito longo ou complexo. Por exemplo, ao invés de pedir pra ele fazer uma pesquisa completa sobre uma cultura em um dia só, divido em partes: num dia ele escolhe a cultura, no outro pesquisa sobre música, depois sobre comida e por aí vai.
Já com a Clara, eu preciso ter um pouco mais de paciência com as mudanças de rotina ou atividades de grupo. Por isso, tento sempre manter uma rotina estável e aviso com antecedência quando vamos mudar algo no planejamento da aula. Outro dia usamos cartões visuais com imagens das manifestações culturais pra ajudar ela a se organizar melhor nas atividades. Foi interessante porque ela conseguia apontar o cartão da música quando queria falar sobre aquele tópico específico.
Organizar o tempo também é crucial. Eu costumo dar mais tempo pra Clara completar as atividades e sempre deixo um espaço pra ela trabalhar em silêncio quando precisa. O que não funcionou muito foi tentar forçar participação em grupos grandes logo de cara; ela se sente mais confortável começando em grupos menores até se acostumar.
Bom, é isso aí pessoal! Ensinar esses conteúdos é mesmo um desafio porque exige da gente atenção ao jeito único de cada aluno absorver o conhecimento. Cada dia descubro uma coisa nova com esses meninos e meninas e acho que é isso que deixa nosso trabalho tão gratificante no fim das contas.
Espero ter ajudado vocês com essas experiências e qualquer coisa tô por aqui pras próximas conversas. Abraço!