Olha, essa habilidade EF09ER05 da BNCC, do jeito que eu enxergo, é meio que um convite pra galera do nono ano refletir sobre as diversas formas como diferentes religiões e filosofias de vida enxergam a ideia de imortalidade. Não é só estudar o que cada religião diz, mas analisar mesmo, sabe? É olhar para conceitos como ancestralidade, reencarnação, transmigração e ressurreição e entender o que cada um representa pra quem acredita neles. Quando penso no que o aluno precisa conseguir fazer, imagino ele conseguindo explicar essas ideias com suas palavras e, principalmente, comparando e contrastando essas visões. Se eles conseguirem ligar pontos entre essas crenças e as vivências que já têm, melhor ainda.
E olha, quando a gente começou esse tema, a galera já vinha com uma bagagem do oitavo ano, onde falaram sobre algumas tradições religiosas e filosofias de vida. Então eles já tinham aquela noção básica sobre as grandes religiões do mundo, suas origens e crenças principais. No nono, a ideia é aprofundar mesmo. E quando falo em aprofundar, não quero que eles decorem textos inteiros sobre isso ou aquilo. É mais aquele lance de provocar mesmo a curiosidade e o pensamento crítico.
Vou te contar três atividades que faço com os meninos e meninas aqui da escola. A primeira atividade que sempre faço é um debate em sala de aula. O material que uso é simples: só alguns textos curtos com relatos e explicações sobre cada uma das ideias de imortalidade - ancestralidade, reencarnação, transmigração e ressurreição. Esses textos peguei na internet mesmo, de fontes confiáveis. Divido a turma em pequenos grupos e dou uns 20 minutos pra eles lerem os textos e discutirem entre si. Depois desse tempo, a gente parte pro debate. Cada grupo defende um tipo de imortalidade e explica por que acha aquela ideia interessante ou válida. Dura mais ou menos uma aula inteira.
Na última vez que fizemos esse debate, a Maria chamou a atenção de todo mundo defendendo com unhas e dentes a ideia de ancestralidade. Ela falou das histórias que o avô dela contava sobre os antepassados da família e como isso fazia ela se sentir conectada com eles. Foi lindo ver como ela conseguiu trazer algo pessoal pra discussão. Os outros alunos ficaram atentos e respeitaram muito as colocações dela.
Outra atividade que gosto muito é o uso de vídeos curtos. Eu escolho uns vídeos documentários bem didáticos que falam sobre reencarnação ou ressurreição, por exemplo. Geralmente são vídeos de 10 minutos no máximo, encontrados no YouTube. Passo esses vídeos em sala e depois faço perguntas abertas pra turma discutir em duplas ou trios sobre o que assistiram. Dá uma meia hora essa atividade toda.
Da última vez que fiz isso, foi engraçado ver o João tentando convencer o colega dele, o Lucas, de que ele já tinha vivido antes porque sempre se sentiu atraído por coisas do Egito Antigo desde pequeno. Eles riram bastante discutindo isso, mas acabaram levando a sério também e começaram a pensar em como seria essa coisa de viver outras vidas.
A terceira atividade é meio prática: faço um painel colaborativo na sala onde cada aluno contribui com um desenho ou uma frase sobre o tipo de imortalidade que mais o impressionou ou com qual ele mais se identificou. Eles podem usar cartolina, lápis de cor, canetinha... E vão colando suas contribuições no painel. Essa atividade leva duas aulas porque deixo eles soltarem a criatividade mesmo.
Na última vez que fizemos isso, fiquei surpreso com o desenho do Pedro: ele fez uma árvore enorme representando a ancestralidade e colocou várias fotos impressas de pessoas (anônimas) nas raízes da árvore como se fossem partes dela. A Thais escreveu uma frase linda sobre ressurreição dizendo: “Morrer é apenas dormir para acordar em novos dias”. A turma toda parou pra ler e admirar essas coisas.
É interessante ver como cada atividade trás reações diferentes dos alunos. Alguns se interessam mais pelo debate direto, outros adoram colocar a mão na massa com algo mais artístico. Mas no final das contas, todos acabam aprendendo uns com os outros e isso é muito gratificante. Eles saem das aulas não só entendendo melhor as diferentes ideias de imortalidade mas também respeitando mais as crenças alheias.
E é isso aí! Essas são só algumas das coisas que faço pra trabalhar essa habilidade tão rica da BNCC aqui na minha turma do nono ano. Espero que tenha dado pra entender como rola tudo por aqui! Se tiverem algum método diferente ou quiserem trocar ideias tô por aqui!
E aí, pessoal, continuando aqui o papo sobre essa habilidade EF09ER05 e como a gente percebe que a turma tá realmente entendendo o conteúdo. Olha, sem precisar aplicar prova formal, eu vou muito na observação do dia a dia mesmo. Quando tô circulando pela sala, sempre fico atento ao jeito que os meninos estão falando sobre os temas. Às vezes você ouve um aluno explicando pro outro aquele conceito de reencarnação e percebe que ele não tá só repetindo o que ouviu, mas tá colocando ali um pedaço dele na explicação. Fico de ouvido atento nessas horas.
Teve um dia que a Júlia tava falando com o Lucas sobre a ressurreição no cristianismo e, olha só, ela começou a comparar com a ideia de renascimento na filosofia budista. Tipo, ela fez uma ligação bacana entre os dois conceitos que não é tão óbvia. Aí pensei: "Ah, essa entendeu!" Já o Rodrigo, uma vez, pegou e explicou pro Felipe sobre a ancestralidade nos cultos afro-brasileiros com tanto detalhe que dava pra ver que ele tinha se aprofundado mesmo. Essas são as horas que você vê que a coisa tá funcionando.
Agora, claro, nem tudo são flores. Tem aqueles erros que a gente vê todo ano. Um erro comum é misturar os conceitos de reencarnação e ressurreição. Os meninos às vezes acham que é tudo a mesma coisa porque, bom, envolve vida após a morte, né? Teve uma vez que o Pedro tava explicando pra turma que no espiritismo as pessoas ressuscitam várias vezes... aí eu precisei entrar na conversa e corrigir na hora. Esses erros acontecem porque são temas bem complexos e as palavras soam parecidas. Então, quando pego o erro na hora, procuro fazer eles questionarem: "Mas será que é isso mesmo? Vamos lá revisitar esses conceitos pra ver onde tá a diferença?"
E quando falamos do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, que tem TEA, o desafio é adaptar as atividades de forma que eles possam acompanhar no ritmo deles. Pro Matheus, por exemplo, eu tento sempre dividir as atividades em partes menores pra ele não se perder no meio do caminho. Sempre que posso, uso imagens e mapas mentais porque ajudam ele a focar mais fácil. Teve uma atividade em grupo onde ele fez um mural sobre transmigração com recorte e colagem de figuras e ficou super engajado!
Com a Clara, o segredo tá em usar uma rotina bem estruturada. Ela gosta de saber exatamente o que vem depois e assim fica mais tranquila. Quando falamos de ancestralidade indígena, por exemplo, dei pra ela um roteiro visual da aula com imagens que representavam cada parte do tema. Funcionou bem porque ela conseguiu se organizar internamente e até participou mais da discussão.
Mas nem tudo sempre dá certo de primeira. Teve uma vez que tentei fazer o Matheus meditar um pouco antes da aula pra ajudar na concentração... rapaz, não foi legal! Ele ficou mais agitado ainda porque não conseguia parar quieto. Já aprendi: não adianta tentar forçar algo tão parado assim com ele.
O importante é estar sempre prestando atenção nas respostas dos alunos e adaptar conforme necessário. Não tem receita única pro ensino; cada aluno é único na forma como aprende melhor. Bom, acho que por hoje é isso aí. Espero ter contribuído com alguma coisa útil pra vocês! Se tiverem alguma dúvida ou quiserem compartilhar experiências também, tô por aqui! Abraço!