Olha, quando a gente fala da habilidade EF07ER01 da BNCC, é basicamente sobre ajudar os meninos a reconhecer e respeitar as formas como diferentes religiões se comunicam com as divindades. Tipo, cada religião tem seus jeitos próprios de manifestar sua fé, seja através de orações, cantos, rituais. E a gente não tá ali pra dizer o que é certo ou errado, mas pra mostrar essa diversidade e fazer a galera refletir sobre isso. O importante é que eles consigam perceber essas práticas e respeitar as crenças do outro.
No 6º ano, eles já tinham tido uma introdução às religiões do mundo e algumas de suas características principais. Então, quando chegam no 7º ano, os alunos já têm uma noção básica. O que eu tento fazer é ampliar esse conhecimento, mostrar mais nuances e dar espaço pra que eles expressem suas opiniões e experiências. É importante que eles vejam e entendam que a religião é uma parte importante na vida de muitas pessoas e pode ser expressa de várias maneiras.
Então, vamos pras atividades. A primeira coisa que eu faço é uma roda de conversa chamada "Ritual ao Redor do Mundo". Eu peço pros meninos trazerem uma pesquisa sobre um ritual religioso de qualquer lugar do mundo. Pode ser algo do Brasil mesmo ou de outro país. Aí, eles compartilham o que trouxeram com a turma. Não precisa ser nada super elaborado, pode ser uma impressão da internet ou algo escrito à mão mesmo. Essa atividade leva uma aula inteira, uns 50 minutos.
Da última vez, a Maria falou sobre o Diwali, um festival hindu das luzes. Ela contou que as casas ficam todas iluminadas e tem muitos fogos de artifício. E o Pedro trouxe sobre o Dia dos Mortos no México, com todas aquelas flores coloridas e altares cheios de fotos dos familiares falecidos. Eles adoraram ouvir uns aos outros e acabaram se empolgando demais querendo saber mais sobre essas tradições.
Depois disso, eu gosto de fazer uma atividade prática chamada "Construindo Altares". Aqui, a turma se divide em grupos pequenos e cada grupo cria um altar simbólico representando uma prática religiosa. Eu levo materiais simples como papel colorido, cola, tesoura, revistas velhas pra recortar imagens, essas coisas. A ideia é que eles montem algo que represente a comunicação com o divino daquela religião.
Na última vez que fizemos isso, um grupo fez um altar budista com uma imagem do Buda feita de papel e pedrinhas ao redor. Outro grupo fez um altar católico com uma cruz feita de palito de picolé e flores de papel crepom. Essa atividade leva duas aulas seguidas porque eles precisam de tempo pra planejar e criar. O que eu percebo é que quando colocam a mão na massa, os meninos se envolvem mais e começam a entender melhor o significado por trás dos objetos e símbolos.
Pra fechar essa sequência de atividades, eu sempre trago alguém da comunidade pra falar sobre alguma prática religiosa local. Pode ser um líder religioso ou alguém que tenha uma história interessante pra compartilhar. Uma vez trouxe o seu Joaquim, um senhorzinho que mora perto da escola e participa de rituais do Candomblé aqui na região.
Ele explicou como são feitas as oferendas e os cânticos nos rituais. A turma ficou super curiosa e cheia de perguntas! Foi bacana ver como eles estavam interessados em aprender algo tão diferente do que vivenciam no dia a dia deles. Essa palestra geralmente dura uns 30 minutos mais 20 minutos pras perguntas.
O legal é ver como depois dessas atividades os meninos começam a entender melhor a importância da diversidade religiosa na nossa sociedade e aprendem a respeitar essas diferenças. A Cláudia me disse depois dessa sequência: "Professor Carlos, eu não sabia que as pessoas tinham tantos jeitos diferentes de falar com Deus!". Isso me faz acreditar que estamos no caminho certo.
Acho que o legal dessas atividades é justamente permitir que os alunos vejam a riqueza das diferentes práticas religiosas ao redor do mundo e aqui no Brasil mesmo. E tudo isso sem precisar sair da sala de aula! É um aprendizado prático que eles levam pra vida toda. Então é isso aí! Se tiverem outras dicas ou quiserem trocar ideia sobre como abordar isso na sala de aula, estou por aqui!
E aí, continuando essa conversa sobre como percebo que os meninos e meninas aprenderam essa habilidade EF07ER01, é bem interessante. Sem aplicar prova formal, eu fico de olho em vários sinais durante as aulas. Quando eu circulo pela sala enquanto eles estão em atividade, dá pra notar quem tá realmente entendendo o conteúdo. Às vezes, enquanto eu passo pelas carteiras, escuto um aluno explicando pra outro algum conceito ou uma prática religiosa que a gente discutiu. Quando o Pedro, por exemplo, começou a falar pro Lucas sobre como o candomblé se comunica com as divindades por meio dos orixás e fez uma comparação com algo do cristianismo que eles já conheciam, eu pensei: "Ah, esse entendeu." Foi aquele momento de "eureka", sabe?
Outra situação é o momento das conversas entre eles depois de uma aula mais discutida. Eu lembro de ter terminado uma aula sobre práticas religiosas indígenas e ficar ali ouvindo escondido a Mariana debatendo com a Júlia sobre as diferenças e semelhanças com o que já viram em casa. O fato delas levarem a discussão além do que foi dado em sala mostra que internalizaram a ideia de respeitar e tentar entender o outro.
Agora, falando dos erros mais comuns que os alunos cometem nesse conteúdo, olha, tem uns que se repetem bastante. O Joãozinho, por exemplo, tende a generalizar tudo. Uma vez ele veio me dizer que todas as religiões são iguais porque todas têm um deus e cerimônias. Aí a gente tem que parar e explicar que não é bem assim, né? Que cada religião tem suas especificidades e nem todas têm um deus ou seguem o mesmo tipo de cerimônia. Esses erros geralmente acontecem porque é mais fácil pro cérebro deles procurar padrões e fazer generalizações pra entender melhor o mundo.
Quando pego um erro desse na hora, costumo fazer perguntas que levem eles a pensar além do que parece óbvio. Tipo: "Você acha que todas as religiões celebram os mesmos eventos ou da mesma forma? Por quê?" Assim, ajudo eles a abrir a mente pra diversidade cultural e religiosa.
Agora sobre lidar com o Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA, aí é um desafio diferente. Com o Matheus, eu percebo que ele precisa de estímulos mais visuais e atividades mais curtas pra manter foco. A gente usa muitas imagens e vídeos curtos pra ele se conectar com o tema. Tarefas longas não funcionam muito bem porque ele se dispersa rápido. E quando ele começa a perder o foco, tento dar uma pausa rápida ou mudar a atividade pra voltar sua atenção.
Com a Clara, que tem TEA, o desafio é diferente. Eu percebo que ela precisa de uma rotina bem clara e previsível. Tarefas em grupo funcionam quando eu coloco ela junto com alunos que já sabem como interagir com ela sem pressionar. O uso de cartões com figuras ou palavras ajuda bastante quando discutimos novos conceitos religiosos. Tem dias que ela se interessa muito por um tema específico e quer explorar aquilo profundamente. Aí eu tento adaptar as atividades pra ela poder investir mais tempo nisso.
Já testei usar jogos de tabuleiro educativos pra eles dois uma vez, mas não funcionou tanto quanto eu esperava. Ficaram mais concentrados nas regras e menos no conteúdo religioso em si. Então aprendi que preciso escolher atividades mais focadas no conteúdo do que na dinâmica do jogo.
Bom, galera, acho que já falei bastante sobre como percebo o aprendizado dos meninos na prática e como lido com os desafios diários na sala de aula. Cada dia é um aprendizado novo pra mim também. E vocês? Como lidam com esses desafios? Contem aí suas experiências! Até mais!