Olha, essa habilidade EF03ER01 da BNCC, na prática, é sobre a gente ensinar os meninos a olharem pros diferentes espaços e territórios religiosos sem preconceito, sabe? É mais do que só saber que existe o espaço religioso, é respeitar mesmo, entender que cada um tem o seu jeito de acreditar e isso é uma riqueza cultural. Quando eles chegam no 3º ano, já têm uma noção básica de que existem várias religiões, porque a gente já trabalha isso desde os anos anteriores. Mas agora, a ideia é aprofundar no respeito e no entendimento de como essas religiões se manifestam em diferentes lugares: igrejas, templos, terreiros. O aluno precisa conseguir olhar pra tudo isso e não só ver a diferença, mas entender que cada um tem seu valor. É uma questão de olhar com curiosidade e não julgamento.
A primeira atividade que faço é uma roda de conversa, que é super simples, mas muito rica. Eu uso fotos impressas de diferentes espaços religiosos: uma igreja católica, um templo budista, uma sinagoga, um terreiro de candomblé e por aí vai. Eu organizo a turma em círculo e cada foto vai passando de mão em mão. Dou uns 15 minutos pra eles observarem as imagens e depois abro pra comentários. É impressionante como eles reagem. Da última vez, o João falou "Nossa, esse parece um castelo!" quando viu a foto da igreja católica toda ornamentada. E a Júlia ficou encantada com as cores do terreiro de candomblé. A ideia é justamente essa: provocar curiosidade e quebrar aquela visão limitada do que é um espaço religioso.
Outra atividade que funciona bem é a visita virtual. Como nem sempre dá pra levar a turma fisicamente pra conhecer esses espaços, a gente faz passeios virtuais. Uso vídeos curtos do YouTube que mostram cerimônias ou até mesmo tours guiados pelos espaços. Coloco o vídeo no projetor da sala e faço pausas estratégicas pra explicar alguma coisa ou tirar dúvidas dos meninos. Isso leva em torno de 30 minutos. A turma fica vidrada! Na última vez, quando mostrei um vídeo sobre uma cerimônia indiana no templo hindu, o Pedro soltou "E pode usar tudo isso de flores?", achando graça na quantidade de flores usadas nos rituais. Essas reações são ótimas porque mostram que eles estão prestando atenção nos detalhes.
A terceira atividade é um mural colaborativo que vai se construindo ao longo das semanas. A cada religião ou espaço religioso estudado, os alunos trazem materiais pra colar no mural: fotos, desenhos que eles mesmos fazem, recortes de revistas e até pequenos objetos simbólicos (tipo um incenso ou uma pequena cruz). Eu deixo esse mural montado num canto da sala e sempre que temos um tempinho livre durante as aulas, vamos lá dar uma olhada ou acrescentar algo novo. Isso leva tempo — umas duas semanas pelo menos — mas vale muito a pena porque eles veem o progresso e gostam de participar da construção coletiva. Uma vez, o Lucas trouxe um desenho que ele mesmo fez de uma mesquita e ficou todo orgulhoso quando colamos no mural.
Essas atividades são todas simples, mas trazem resultados tão bacanas! A turma começa a perceber que essas diferenças não nos afastam, mas sim nos enriquecem. E olha só o mais legal: lá no final do bimestre, quando rola aquele trabalho final onde eles precisam falar sobre algum território religioso, dá pra ver como cresceram no entendimento e respeito ao longo das aulas.
E assim vamos indo com pequenos passos mas grandes aprendizados! Se alguém tiver outra ideia ou quiser compartilhar como trabalha essa habilidade na sala de vocês, vou adorar saber!
Aí, pessoal, é sempre interessante ver como os meninos vão assimilando as coisas sem precisar enfiar uma prova na cara deles, né? Eu sempre falo que na sala de aula a gente tem que ser meio detetive. Eu circulo ali entre as mesas e a gente percebe claramente quem tá captando a mensagem. Um dia tava passando pela mesa da Maria e do José, e eles estavam conversando sobre uma visita que fizemos a um centro religioso. O José tava explicando pra Maria que o respeito às tradições era importante pra entender melhor o que elas significam pras pessoas daquele espaço. Na hora pensei: "Ah, esse entendeu!" Ele tava trazendo pro mundo dele, pro jeito dele de ver as coisas, e ensinando a colega.
Outro jeito que observo é quando um aluno explica pro outro. Tipo, a Ana tava meio perdida sobre por que algumas religiões têm espaços sagrados diferentes. O Lucas chegou perto e começou a contar pra ela sobre como na religião dele, aquele espaço é onde todo mundo se junta pra celebrar as datas importantes. Eu só fiquei escutando do lado e percebendo que ele tava fazendo um link perfeito entre o que a gente viu em sala e a vida dele.
Mas, claro, nem tudo são flores e os erros aparecem. Um erro comum é confundir as práticas de uma religião com outra. Teve uma vez o Pedro que disse que todas as religiões fazem jejum da mesma forma. Aí eu parei tudo e expliquei com exemplos do nosso dia a dia como isso não é verdade. Eu trouxe histórias reais de amigos de religiões diferentes e expliquei as nuances. Ele ficou surpreso porque realmente achava que era tudo igual. Isso acontece porque eles estão começando a aprender sobre essas diferenças mais específicas agora, e às vezes ainda têm aquela visão de que tudo é meio parecido.
E a questão dos erros vem muito desse lugar de viver num ambiente majoritariamente com uma ou duas religiões em destaque. Eles acabam generalizando por falta de contato, o que é normal nessa idade. Quando pego esses erros na hora, eu paro tudo e trago pra conversa coletiva. Ninguém erra sozinho na minha sala! É importante pra mim que eles vejam que um erro é só uma oportunidade de aprender junto.
Agora sobre o Matheus e a Clara, cada um tem suas particularidades e isso faz a gente ter que adaptar algumas coisinhas nas atividades. O Matheus tem TDAH e precisa daquela movimentação constante. Então, o que faço é criar momentos em que ele possa levantar, fazer atividades em pé ou até mesmo participar de algo mais dinâmico na sala. De vez em quando uso aqueles fones anti-ruído porque ajuda ele a se concentrar quando tá muito barulho na sala. Aí tem vez que rola de dar umas pausas mais frequentes nas atividades pra ele não perder o fio da meada.
Com a Clara, que tem TEA, a coisa é um pouco diferente. Ela se dá bem com rotina, então mantenho uma estrutura clara do que vamos fazer nos encontros. Uso bastante material visual porque ajuda ela a entender melhor o conteúdo, tipo cartazes coloridos ou vídeos curtos. Uma vez, tentei uma atividade em grupo grande com ela e não deu muito certo, mas quando dividimos em duplas ou trios com pessoas com quem ela já se sente confortável, ela se sai super bem.
Bom, pessoal, acho que por aí vocês já têm uma ideia de como navego essas águas aqui na sala de aula com essa habilidade EF03ER01. É sempre um desafio novo mas também um aprendizado enorme pra mim como professor também. E vocês? Como andam lidando com essas questões? Vamos trocando ideia aí! Até mais!