Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF01ER01 da BNCC, eu entendo que o principal é ajudar os meninos a perceberem que o mundo é um grande mosaico de pessoas diferentes. A ideia é que eles comecem a identificar essas diferenças e também as semelhanças entre eles mesmos, os colegas e a turma como um todo. Não é só ver que o João e a Maria têm cores de pele diferentes, mas entender que isso é uma parte do que eles são, e não define tudo sobre eles. E, claro, o mais importante: aprender a respeitar essas diferenças e gostar de ser parte da turma, mesmo que todo mundo seja diferente. Acho que é bem por aí.
Quando os meninos chegam no 1º ano, eles já vêm de experiências na educação infantil onde essa questão do "eu e o outro" costuma ser trabalhada de forma bem lúdica. Então, eles já têm uma noção básica de convivência em grupo. A gente só precisa ampliar esse olhar pra algo um pouco mais profundo, mas sempre respeitando o nível de compreensão deles.
Uma atividade que faço é o "Painel das Semelhanças e Diferenças". Olha só como funciona: eu peço para cada aluno trazer de casa uma foto de quando eram pequenos e uma atual. Dou um papel cartão colorido pra cada um colar as fotos e escrever três coisas sobre eles mesmos. Pode ser algo simples como "gosto de brincar de bola", "adoro chocolate", "tenho um gato". A turma fica em círculo e cada aluno fala sobre a sua cartolina. Isso leva uns dois encontros, porque eles amam falar e mostrar as fotos. Depois, a gente monta um painel na parede da sala com todas as cartolinas. A reação das crianças é sempre bacana. Me lembro que da última vez o Lucas olhou pro painel e falou: "Olha, professor, a gente é todo mundo diferente, mas tá tudo junto!". Foi aí que caiu a ficha pra turma toda.
Outra atividade legal que faço é o "Caixa das Curiosidades". Eu levo uma caixa grande para a sala e explico que cada semana um aluno leva pra casa pra colocar algo dentro que represente ele ou alguma coisa importante na vida dele. Pode ser um brinquedo favorito, uma foto de família, um livro... O item tem que ficar escondido até a hora de apresentar pros amigos. Quando o aluno abre a caixa na sala e mostra o item, ele fala sobre por que aquilo é importante pra ele. Normalmente separo uns 15 minutinhos no início da aula uma vez por semana pra isso. E a turma fica atenta! Uma vez, a Mariana levou uma concha enorme que tinha pegado na praia com os pais. Os amigos fizeram mil perguntas sobre como era o mar e tal. E aí entra o lado bom: alguém sempre se identifica ou tem uma história também pra contar.
A terceira atividade que gosto de fazer é o "Desafio do Espelho". Uso espelhos de mão pequenos, daqueles baratinhos mesmo. Cada aluno pega um espelho e observa seu próprio rosto. Depois peço pra desenharem o que viram em folhas brancas grandes. Eles desenham os olhos, a boca, o cabelo... A galera adora essa parte! Depois disso, em duplas ou trios, cada um mostra seu desenho pros amigos e fala sobre uma característica sua que gosta muito e outra que acha interessante no amigo do grupo. Isso dá uns 40 minutos de aula fácil! Aí teve um dia que o Felipe olhou pro desenho da Isabela e disse: "Eu gosto do seu cabelo porque parece igual ao do meu super-herói lá em casa". A Isabela ficou toda orgulhosa!
E olha só, no final dessas atividades todas, você percebe como eles começam a entender melhor essa coisa toda de identidade e alteridade. Eles passam a olhar pro coleguinha não só como alguém que tá ali do lado na classe, mas como alguém com histórias interessantes, gostos diferentes ou até parecidos com os deles.
Enfim, trabalhar essa habilidade é meio mágico porque você vê os meninos crescendo em empatia e respeito pelo outro. Claro que são crianças pequenas ainda, mas as sementes estão ali plantadas e isso vai fazer diferença na formação deles como indivíduos acolhedores e conscientes das suas próprias identidades.
É isso aí! Se alguém tiver alguma dica ou quiser compartilhar como trabalha essa habilidade também, tô aqui pra ouvir! Abraço pra todos!
e é isso que torna a sala de aula tão rica, né? Agora, pra saber se a galera tá realmente entendendo esse lance todo de diversidade e respeito, eu não fico só naquela de aplicar prova e tal. Eu gosto mesmo é de observar no dia a dia. Quando tô andando pela sala, prestando atenção nas conversas, é ali que a mágica acontece. Tipo, tem dia que eu tô circulando pela classe e escuto a Sofia explicando pro Lucas que não faz mal ele gostar de uma religião diferente da dela. Aí eu penso: “Opa, essa aí pegou a ideia!”
Já teve vez de eu ver o Pedro dividindo o lanche com o Miguel e dizendo: “Não faz mal que você não come carne, eu trouxe fruta.” Cara, isso mostra um entendimento além do conteúdo formal. É um respeito genuíno pelo jeito do outro viver. E é bem isso que a habilidade EF01ER01 quer: essa convivência respeitosa e rica.
Mas nem tudo são flores, né? Os erros comuns aparecem também. Lembro do dia que a Juliana comentou que tinha um amigo "muito esquisito" porque ele não comemorava aniversário. Aí percebi que era hora de intervir. A questão ali era falta de informação, então conversei com a turma sobre as diferentes tradições culturais e religiosas. Expliquei que algumas pessoas têm costumes diferentes, mas isso não as torna esquisitas, só únicas. A dificuldade vem, muitas vezes, da falta de contato com o diferente, então sempre trago pequenas histórias e exemplos do mundo todo pra deixar o assunto mais próximo.
E tem também o Joãozinho, que sempre confunde respeitar com concordar. Ele achava que tinha que aceitar tudo o que o amiguinho fazia só para mostrar respeito, mesmo que não concordasse. Aí precisei explicar pra ele que respeitar é entender e aceitar as diferenças sem necessariamente mudar quem ele é.
Agora, falando do Matheus que tem TDAH e da Clara com TEA... Ah, esses dois me ensinam muito! Com o Matheus, eu sempre busco atividades bem dinâmicas porque sei que ele precisa de movimento. Quando tô explicando algo mais paradão, tipo uma história ou conceito novo, deixo ele participar mais ativamente, às vezes até ajudando a segurar cartazes ou distribuir material. E tem uma coisa que funciona demais: intervalos. Damos umas pausas pequenas pra ele dar uma volta pela classe ou fazer um exercício rápido pra gastar energia.
Com a Clara é um pouco diferente. Ela gosta muito quando as atividades têm uma rotina bem definida. Então sempre aviso antes quando vamos fazer algo novo ou mudar de tarefa. Uma vez fizemos uma roda de conversa sobre tradições familiares e ela participou lindamente porque soube antes o que iria acontecer e se preparou mentalmente. Material visual também ajuda demais! Sempre tenho fotos, desenhos ou objetos reais pra tornar o aprendizado mais concreto pra ela.
Claro que nem tudo dá certo sempre... Teve uma vez que tentei fazer uma atividade em grupo grande e foi meio caótico pro Matheus se concentrar e pra Clara entender quem ela deveria seguir na atividade. Aprende-se com os erros também! Depois disso, costumo dividir a turma em grupos menores e dar papéis claros pro Matheus e pra Clara dentro do grupo.
Acho que a chave é sempre ter um olhar atento e estar disposto a adaptar as estratégias conforme as necessidades dos alunos. O importante é cada um se sentir parte da turma do jeito que é. Bom, vou ficando por aqui porque já falei demais! Se alguém tiver ideias ou quiser compartilhar experiências semelhantes, tô por aqui pra trocar umas figurinhas. Abraço!