Olha, quando a gente fala de trabalhar a habilidade EF67EF12 da BNCC com a turma do 7º Ano, estamos falando de danças urbanas, que é uma parada que os meninos curtem muito. A habilidade diz que a gente deve planejar e usar estratégias para aprender os elementos constitutivos dessas danças. Na prática, eu entendo isso como ajudar os alunos a entenderem o que compõe uma dança urbana: passos, ritmo, interação em grupo, improvisação. Eles precisam conseguir não só repetir movimentos, mas também criar suas próprias sequências e sentir um pouco da cultura e história dessas danças.
Os alunos já vêm do 6º Ano com uma noção básica do que são danças urbanas, geralmente passam por algumas atividades introdutórias. Então quando chegam no 7º, eles têm uma ideia do que é hip hop, street dance, essas coisas. O que a gente faz é aprofundar isso, ensinar mais do que só os movimentos — como entender o estilo, criar algo novo e ter confiança pra se expressar.
Uma atividade que eu faço bastante é a "roda de improviso". Não precisa de muito: um espaço na quadra ou sala de aula e música. Coloco uma música que tenha um bom ritmo e deixo os meninos formarem uma roda. Aí, cada um vai pro centro e improvisa um pouco. Isso dura uns 30 minutos no total, contando com explicação e um pouco de aquecimento. Eles gostam muito porque se sentem desafiados e ao mesmo tempo livres pra experimentar. Na última vez que fiz isso, o João ficou super animado e começou a imitar uns passos que viu na internet, e foi aí que a Maria teve a ideia de fazer um movimento diferente e todo mundo curtiu. É legal ver como eles se inspiram uns nos outros.
Outra coisa que faço é dividir a turma em pequenos grupos pra criarem uma coreografia curta. Dou um tema simples, tipo "amizade" ou "um dia na escola", e deixo eles escolherem a música (desde que seja apropriada pra idade). Isso leva umas duas aulas pra ficar pronto — uma pra planejar e treinar os movimentos e outra pra apresentar pro resto da turma. Usamos o celular ou um rádio velho mesmo pra tocar as músicas. Eles ficam bem engajados nessa atividade porque podem colocar a cara deles na coreografia. Na última vez, o grupo da Ana decidiu fazer uma montagem sobre como seria se todo mundo se levantasse animado pra ir à escola e ficou bem engraçado. Eles até pediram pra filmar.
Também faço bastante o "passa ou repassa de passos", que é mais uma brincadeira rápida pra fixar os movimentos. Funciona assim: eu ou algum aluno mostra um passo bem básico (tipo movimentar os braços num padrão) e os outros têm que repetir. Quem errar sai da fila e no fim fica só quem acertou todos. Isso não leva mais que 15 minutos no meio de outra atividade maior, mas ajuda eles a treinarem coordenação motora e atenção. O Luis sempre era um dos primeiros a sair no começo do ano, mas foi pegando o jeito e na última vez ficou até o final, todo orgulhoso.
O interessante dessas atividades é ver como eles vão ganhando confiança ao longo do tempo. No início do ano, muitos tinham vergonha de dançar na frente dos colegas, mas aos poucos vão entendendo que todo mundo ali tá aprendendo junto. Aquelas risadas e brincadeiras durante as aulas são momentos em que realmente vejo o aprendizado acontecendo.
Enfim, são atividades simples mas eficazes pra trabalhar essa habilidade de planejar estratégias nas danças urbanas. E assim vamos construindo juntos não só habilidades motoras mas também sociais na galera. E aí, como vocês têm trabalhado as danças urbanas aí nas suas turmas? Tô curioso pra trocar umas ideias!
Os alunos já vêm com uma bagagem cultural bacana. Muitos já viram vídeos na internet, tentaram imitar alguns passos em casa e chegam aqui com uma energia que dá gosto de ver. Aí, minha missão é canalizar essa energia e ajudar a lapidar o que eles já sabem. Mas como eu percebo se eles realmente aprenderam, sem aplicar aquela prova formal? Bom, no dia a dia da sala de aula, a gente consegue sacar quem pegou o espírito da coisa.
Quando estou circulando pela sala, vejo como os meninos se comportam durante as atividades. Se estão discutindo entre si sobre qual movimento encaixa melhor na coreografia ou se um deles ensina um passo para o outro, já é um bom indicativo. Uma vez, o João explicou pro Lucas como fazer um "moonwalk" de um jeito mais fluido. Fiquei só ouvindo e pensando: "Ah, esse entendeu!". Ver essa troca entre eles mostra que a coisa tá funcionando.
Outra situação legal foi quando a Maria conseguiu criar uma sequência diferente do que eu tinha ensinado. Ela adicionou uns giros que não estavam no script. É aí que percebo: ela não só entendeu o que era pra ser feito, mas usou a criatividade pra ir além. Esses momentos são ouro porque mostram que o aluno internalizou e tá confortável com o que tá fazendo.
Agora, todo professor sabe que rolam uns erros comuns nesse conteúdo. Um dos mais frequentes é o pessoal não conseguir seguir o ritmo. O Pedro, por exemplo, tem muita dificuldade em manter o tempo certo e às vezes acaba saindo da sincronia com o grupo. Isso acontece porque ele fica ansioso, querendo fazer tudo rápido demais. Quando pego isso na hora, costumo parar e fazer um exercício de batida de palma junto com ele pra ele sentir o tempo. Digo: "Calma aí, Pedro, vamos no seu ritmo". E devagarzinho ele vai pegando.
Outro erro comum é na interação em grupo. Às vezes o pessoal fica meio perdido sobre quando entrar ou sair de cena numa coreografia coletiva. A Ana já teve problemas com isso. Ela sempre entrava antes do tempo ou esquecia de sair. Isso geralmente rola por falta de confiança ou por não prestar atenção nos colegas. Na medida do possível, tento reforçar a importância de olhar pro grupo, prestar atenção nos sinais dos colegas.
E aí tem os desafios específicos como trabalhar com alunos que têm algumas necessidades diferentes. O Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de estrutura nas atividades pra conseguir focar. Com ele, eu faço tempo cronometrado pra cada atividade e uso cartões visuais mostrando os passos básicos que ele precisa seguir. Até agora, isso tem funcionado bem porque ele sabe exatamente o que esperar e consegue se concentrar melhor por períodos curtos.
Já a Clara que tem TEA aprende melhor visualmente e precisa de instruções bem claras e repetitivas. Eu costumo usar vídeos das sequências pra ela assistir várias vezes antes de tentar fazer junto com o grupo. Também deixo um espaço mais tranquilo onde ela pode praticar sozinha ou com menos pessoas ao redor até ganhar confiança pra se juntar ao resto da turma.
Ainda estamos ajustando algumas coisas porque cada aluno é único e tem suas próprias necessidades. Com a Clara, por exemplo, descobri que muita interação ao mesmo tempo pode sobrecarregá-la, então estamos testando um esquema onde ela participa das atividades em grupo num ritmo mais adaptado.
Bom pessoal, é isso aí! Essas trocas do dia a dia fazem toda a diferença na nossa prática. Ensinar é sempre um aprendizado mútuo e cada turma traz novos desafios e alegrias. Espero ter contribuído um pouco com as experiências daqui.
Abraço e até a próxima!