Olha, essa habilidade EF67EF05 da BNCC que fala sobre planejar e utilizar estratégias pra resolver os desafios nos esportes é um trem bem interessante. A ideia é fazer os meninos pensarem mais durante as atividades físicas, não só sair correndo atrás da bola sem rumo, sabe? É como se eles tivessem que usar a cabeça tanto quanto os pés. Então, o aluno precisa conseguir entender qual estratégia vai usar no meio de uma partida: se vai passar a bola, se vai tentar se posicionar melhor, se vai marcar mais próximo o colega. Isso vale pros esportes de marca, precisão, invasão e os técnico-combinatórios. Cada tipo de esporte tem seu jeitão de jogar, e eles precisam sacar isso e utilizar nas aulas.
No 5º ano, a garotada já teve um primeiro contato com esses conceitos de maneira mais leve. Mas agora no 6º ano, a coisa fica mais séria. Eles já conseguem ter uma visão melhor do jogo e podem começar a pensar em estratégias mais complexas. Por exemplo, no futebol, ao invés de correr atrás da bola igual doido, eles começam a se ligar na importância do passe certo ou de abrir o jogo pra criar espaço. É mais ou menos por aí.
Agora, vamos às atividades. Uma que eu gosto bastante é o jogo do "Caça ao Tesouro Esportivo". Olha só como funciona: eu pego alguns cones, bambolês e bolinhas de tênis. Espalho tudo pelo campo ou pela quadra e divido a galera em equipes pequenas de 4 ou 5 alunos. O objetivo é coletar o máximo de bolinhas possível em um tempo estipulado, geralmente uns 15 minutos. Mas tem um detalhe: eles só podem pegar uma bolinha por vez e têm que voltar pro ponto inicial antes de buscar outra. Aí entra o planejamento estratégico. Eles precisam decidir quem vai buscar, quem vai ficar no ponto inicial contando as bolinhas e quem vai distrair as outras equipes. Da última vez que fiz isso, o João e a Maria deram um show de estratégia. Eles perceberam que se ficassem na linha do meio coordenando a equipe, conseguiriam otimizar o tempo e coletar mais bolinhas rápido. E deu certo!
Outra atividade bacana é o "Desafio das Estações". Eu monto algumas estações pela quadra com diferentes tipos de desafios: uma estação com arremesso na cesta de basquete, outra com chutes ao gol, outra com saltos sobre cones e assim por diante. O material aqui é básico: cones, bolas de diferentes esportes, cesta de basquete (ou improviso com caixa). Divido a turma em pequenos grupos e eles passam por cada estação num tempo de 5 minutos. A tarefa deles é conseguir completar o maior número de desafios em cada estação, mas precisam planejar antes quem vai fazer o quê, pra não perderem tempo discutindo durante a execução. A última vez que fizemos isso foi hilário! O Pedro tentou fazer tudo sozinho na estação dos arremessos e acabou não conseguindo completar a tempo. Aprendeu ali na marra que dividir as tarefas funciona melhor.
A última atividade que quero compartilhar é bem simples mas funciona que é uma beleza: o "Jogo das Cores". Uso coletes coloridos e bolas nas mesmas cores dos coletes. Divido a turma em dois times e cada time tenta acertar um alvo específico que também tem cores correspondentes aos seus coletes. A ideia é planejar o ataque e defesa levando em consideração as cores certas das bolas e alvos. Parece fácil, mas exige bastante coordenação e comunicação entre eles. É aí que a coisa fica legal! Na última vez que fizemos isso o time do Lucas tava ganhando porque ele conseguiu organizar todo mundo direitinho pra atacar enquanto dois ficavam na defesa pra proteger os alvos coloridos errados das bolas adversárias.
No geral, essas atividades envolvem uns 45 minutos da aula toda entre explicação, execução e feedback depois. A turma costuma reagir bem animada com essas dinâmicas diferentes das normais; foge do tradicional jogo de futebol em si ou do vôlei comum que sempre jogam. Eles adoram quando percebem que conseguiram montar uma estratégia eficaz e ver essa estratégia dando certo na prática. E claro, tem sempre aqueles momentos cômicos onde tudo dá errado porque alguém esquece parte da estratégia ou confunde as cores – mas faz parte do aprendizado também.
Enfim, trabalhar essa habilidade ajuda muito os meninos a desenvolverem não só habilidades físicas mas também mentais – essencial pro crescimento deles dentro do esporte e fora também!
E aí, pessoal! Continuando a prosa sobre essa habilidade EF67EF05, queria compartilhar com vocês como é que eu percebo que os meninos e as meninas realmente estão entendendo o que a gente tá trabalhando, sem precisar fazer uma prova formal, essas coisas mais tradicionais. Pra mim, a sala de aula é um grande laboratório de observação. Enquanto a galera tá jogando ou participando das atividades, eu sempre vou circulando e prestando atenção nas pequenas ações e interações.
Teve uma vez, por exemplo, que eu tava observando a Maria e o João num jogo de queimada. João, que era sempre mais de correr pra todo lado sem muito pensar, começou a pedir a bola pra Maria num momento estratégico. E eu fiquei ali só de olho. Ele chamou ela por um sinal lá que só eles sabiam e aí ela jogou a bola num ponto da quadra onde ele podia pegar e eliminar um adversário. Ali eu percebi: "Opa, o João tá começando a entender a importância de se posicionar e planejar antes de agir".
Outra forma que vejo se eles aprenderam é nas conversas entre eles. Quando um aluno explica pro outro alguma coisa que a gente trabalhou é um sinal claro de aprendizado. Lembro do Lucas explicando pra Ana sobre como se posicionar melhor em campo pra evitar ficar preso na defesa do outro time. Ele usou até umas palavras que eu tinha falado na aula anterior! Aí sim, dá orgulho ver quando isso acontece.
Agora, sobre os erros comuns... Bom, às vezes os meninos se empolgam tanto que esquecem do planejamento e voltam pro modo "cabeça baixa e corre". Tipo assim, teve uma partida em que o Pedro conseguiu uma boa posição pra receber a bola, mas ao invés de passar como tinha combinado com os colegas, ele tentou driblar todo mundo sozinho. Aí perdeu a bola e ficou decepcionado. Esses erros são comuns porque muitas vezes a empolgação toma conta e eles esquecem do plano. Quando isso acontece, eu paro a atividade e pergunto: "O que você poderia ter feito diferente aqui?" A ideia é fazer eles mesmos refletirem sobre as ações.
Agora, falando do Matheus e da Clara... Cada um tem suas particularidades e é preciso adaptar as atividades pra incluí-los de verdade. O Matheus, por exemplo, tem TDAH e às vezes sai correndo sem parar (literalmente). O que funcionou bem foi criar espaços de pausa durante a aula onde ele pudesse descansar ou até mesmo fazer outra atividade por um tempo antes de voltar pro jogo principal. Eu também uso cartões coloridos pra ajudá-lo a lembrar qual estratégia ele deve usar em determinados momentos do jogo.
A Clara, com TEA, se beneficia muito com instruções visuais claras e diretas antes das atividades começarem. Eu costumo usar esquemas desenhados no quadro ou cartões com imagens das posições no esporte. Uma vez, numa partida de basquete improvisada, ela ficou receosa de entrar no jogo porque não entendia bem onde deveria estar. Usei um desenho simples no quadro mostrando as posições iniciais e isso deu mais segurança pra ela participar.
Mas nem tudo funciona sempre... Teve uma tentativa minha de usar música como sinal pra mudança de estratégia durante o jogo que não foi boa nem pro Matheus nem pra Clara. Acabou deixando os dois mais confusos do que ajudou. Então voltei pras instruções visuais e sinais combinados previamente.
É isso gente, cada dia é um aprendizado tanto pra eles quanto pra mim. Precisamos estar sempre atentos às necessidades dos alunos e dispostos a adaptar nosso jeito de ensinar. As conquistas deles também são nossas vitórias no fim das contas. Bom compartilhar essas histórias com vocês! Abraço!