Olha, trabalhar a habilidade EF35EF06 no 3º ano é bem interessante porque a gente vai além da simples prática de esportes ou jogos. A ideia é que os meninos e meninas comecem a entender que jogo e esporte têm suas próprias características e que se manifestam de diferentes formas na sociedade. A habilidade fala sobre diferenciar conceitos, né? Então, na prática, acho que é ajudar a gurizada a perceber que tem uma diferença entre jogar uma pelada com os amigos no fim de semana e assistir a um jogo do campeonato no estádio. Eles precisam sacar que o jogo é mais informal, mais sobre se divertir e que o esporte tem regras mais rígidas, tem competição envolvida. Além disso, a gente também quer que eles vejam que tanto jogos quanto esportes podem ser praticados profissionalmente ou apenas como lazer.
E a criançada já vem com uma bagagem bacana das séries anteriores. Eles já sabem o básico de muitos esportes e jogos, até porque em casa ou na própria escola sempre tem um momento de recreação. No 2º ano, por exemplo, eles já começam a vivenciar algumas regras simples de jogos populares. Quando chegam no 3º ano, dá pra aprofundar mais essa ideia de regras, competição e as diversas formas de manifestação desses esportes e jogos.
Agora, vou compartilhar algumas das atividades que faço com a turma. A primeira atividade que faço é a "Roda de Conversa e Análise de Jogo". Cara, essa não precisa de praticamente nenhum material além de um projetor ou televisão se tiver disponível. Peço pra galera assistir a um trecho curto de um jogo esportivo na TV ou internet, tipo um jogo de vôlei ou futebol. Depois fazemos uma roda e discutimos o que eles viram. Pergunto coisas como "Quem aí viu alguma regra sendo seguida?", "Teve alguém fazendo papel de juiz nesse jogo? O que ele fez?". A ideia é eles começarem a ver as regras em ação. Da última vez que fizemos isso, o Mateus ficou todo empolgado contando como o goleiro pegava a bola com as mãos dentro da área e como isso era uma regra diferente do resto dos jogadores. Essa atividade leva uns 30 minutos e os alunos adoram porque eles têm a chance de falar bastante e se sentir importantes.
Outro exercício interessante é o "Jogo versus Esporte". A gente só precisa de cones ou cordas pra demarcar espaço. Divido a turma em dois grupos: um vai jogar uma pelada sem muito compromisso e o outro vai fazer um mini-torneio com regras mais estruturadas. Aí depois eles trocam pra experimentar os dois tipos de situação. No final, reunimos todos pra conversar sobre as diferenças nas experiências. Da última vez, a Ana comentou como sentiu mais pressão jogando no torneio porque tinha regras específicas e ela queria fazer tudo certinho, enquanto na pelada ela só queria se divertir com os amigos. Essa atividade leva mais ou menos uma hora contando todo o processo.
E tem também a "Caça ao Esporte". Essa é bem simples mas dá um trabalhinho legal pra galera. Divido eles em grupos menores e cada grupo fica responsável por pesquisar sobre um esporte específico e trazer informações sobre como ele é praticado profissionalmente e como pode ser jogado só por lazer. Eles podem usar livros da biblioteca ou até mesmo dar uma olhadinha na internet supervisionados. Na última vez que fiz isso, o grupo do Gabriel trouxe umas informações bem legais sobre o basquete, contando como nos Estados Unidos é super profissional mas aqui na escola eles jogam só por diversão mesmo. Essa atividade dá pra fazer em duas aulas: uma pra pesquisa e outra pra apresentação.
E a reação da turma nessas atividades é sempre muito legal. Eles ficam animados pra mostrar o que sabem e aprender coisas novas. E às vezes surgem umas situações engraçadas também, tipo quando o Lucas tentou explicar uma regra do futebol que nem existe – foi uma risada só! No geral, acho que essas atividades ajudam muito os alunos a entenderem as diferenças entre jogo e esporte enquanto se divertem.
Bom, é isso aí pessoal! Espero que tenha dado pra entender mais ou menos como eu faço pra trabalhar essa habilidade com os meninos no 3º ano. Qualquer dica ou sugestão também tô sempre aberto! Valeu!
Aí galera, continuando aqui, quero falar de como percebo que os alunos tão sacando essa habilidade sem precisar de prova formal. É claro que a gente aplica algumas atividades pra avaliar, mas eu sempre observo no dia a dia. Tipo, quando tô andando pela sala ou pelo pátio, ouço as conversas entre eles. E isso é ouro! Dá pra saber muito sobre o que eles tão absorvendo.
Por exemplo, teve um dia, no intervalo, que vi o Pedro explicando pro Lucas a diferença entre um "jogo" e um "esporte". O Pedro tava falando algo tipo: "Cara, quando a gente joga bola aqui no recreio, é mais de boa, né? Não tem juiz e tal. Mas lá no campeonato do estádio tem regras certinhas, juiz e tudo mais". Nessa hora pensei: "Ah, o Pedro entendeu direitinho!". E quando eles começam a usar essas palavras no contexto certo, como "campeonato", "treinamento", dá pra perceber que eles tão pegando o espírito da coisa.
Agora, sobre os erros mais comuns... Bom, tem vezes que a criançada confunde tudo. Eles acham que todo jogo é também um esporte. Tipo assim, a Ana um dia falou: "Professor, jogar pega-pega é esporte porque a gente corre muito". Aí tive que explicar pra ela que o pega-pega é mais um jogo porque não tem regras fixas nem campeonato oficial com juiz e tal. Esses erros costumam acontecer porque eles misturam as coisas que fazem na escola com o que veem na TV ou ouvem dos adultos.
Então, quando pego esse tipo de confusão na hora, paro tudo e explico ali mesmo. Gosto de usar exemplos concretos e do dia a dia deles. Falo algo como: "Ana, pensa em quando você joga vôlei na aula de educação física e pensa se tem alguém anotando os pontos certinho e dizendo quem venceu". Assim fica mais claro pra eles.
E claro que não posso deixar de lado nossos alunos com necessidades especiais. O Matheus que tem TDAH é super ativo e às vezes fica difícil ele se concentrar em atividades longas. O que faço é quebrar as atividades em partes menores e dar tempos de descanso entre elas. Por exemplo, na hora de explicar uma atividade nova, tento ser o mais visual possível e uso cartazes coloridos com desenhos simples. Isso ajuda ele a focar e entender melhor o que tá rolando sem se dispersar tanto.
Já com a Clara, que tem TEA, percebi que ela se dá super bem com rotinas bem definidas. Então sempre aviso ela com antecedência sobre as atividades do dia e mostro um cronograma visual. Uma coisa que funcionou foi dar pra ela um caderno onde ela pode desenhar ou anotar do jeito dela como vê as diferenças entre jogo e esporte. Às vezes ela me mostra uns desenhos incríveis de jogos com detalhes das roupas dos jogadores, por exemplo. Isso me ajuda a ver como ela tá percebendo tudo.
Nem tudo são flores também, né? Uma vez tentei usar um aplicativo no tablet pra ajudar o Matheus a seguir as regras de um novo jogo que inventamos. Achei que ia ser legal pra ele mexer na tela e tal. Mas ficou mais difícil pra ele acompanhar porque ele acabava se distraindo com outras funções do tablet. Aprendi que menos é mais nesses casos.
Enfim, trabalhar com essa habilidade é sempre um desafio gratificante porque faz a gente ver o quanto os meninos e meninas podem crescer em entendimento social através do esporte e do jogo. É aquela coisa: cada aluno é único e precisa de formas diferentes de aprendizado. Espero ter ajudado algum colega aí com essas experiências! Se alguém tiver dicas ou quiser compartilhar suas vivências também, tô aqui! Até a próxima!