Olha, galera, essa habilidade EF01CI05 da BNCC é um negócio que, na prática, a gente tá falando de ajudar os meninos a entenderem como o tempo funciona no dia a dia deles, né? Eles têm que identificar e nomear as partes do dia: manhã, tarde, noite. E também precisam entender como os dias se organizam em semanas, meses e anos. Pra eles ali no 1º Ano, essa coisa de tempo é meio abstrata ainda, então nosso papel é concretizar isso com exemplos do cotidiano deles. Na série anterior, eles já começam a ter uma noçãozinha de dia e noite, mas agora a gente aprofunda mais. Tem que ir mostrando como tudo isso se encaixa e forma um ciclo maior.
Uma coisa que a gente faz aqui na escola é usar o próprio calendário da sala mesmo. Já vou te explicar como funciona. Eu uso um calendário gigante, desses de papel mesmo, preso na parede. Cada dia a gente marca a data com os alunos. Pergunto qual é o dia de hoje, eles falam e a gente vai lá marcando e conversando sobre isso. Pergunto: "hoje é segunda-feira, e amanhã? E depois?" Isso ajuda muito eles a entenderem essa sequência.
A primeira atividade que faço é a "Roda do Tempo". Pegamos um grande cartaz onde desenhamos um círculo dividido em partes: manhã, tarde e noite. Aí uso umas figuras recortadas de revistas – tipo coisas que fazemos em cada parte do dia (tomar café, almoçar, dormir). A turma fica em círculo e cada um pega uma figura e tem que colar na parte certa do cartaz. Dura uns 30 minutinhos. Da última vez, a Alice pegou uma figura do sol e queria colocar na noite! Foi uma risada só até ela entender que o sol tem mais a ver com o dia. Aliás, as crianças adoram essa atividade porque elas gostam de mexer nas figuras e colar.
Outra coisa que faço é o "Calendário Humano". Essa precisa de espaço aberto. A turma toda se transforma num calendário vivo! Dou plaquinhas pra cada um com os dias da semana e eles têm que se organizar numa fila, tipo em ordem cronológica. Dou uns 20 minutos pra isso e vou ajudando eles a se organizarem. Quando fizemos isso semana passada, o João esqueceu onde ficava o sábado e começou a perguntar pra todo mundo como se ele fosse um repórter: "Ei, quando você acha que o sábado vem?" No fim das contas todo mundo ri e começa a entender melhor como os dias se sucedem.
Também tem a atividade dos "Meses do Ano". Comprei cartõezinhos coloridos com os nomes dos meses escritos neles. Aí boto os meninos em duplas ou trios – depende do número da turma naquele dia – e cada dupla recebe três cartões pra organizar na ordem certa. Depois de uns 15 minutos discutindo entre eles, cada dupla apresenta pro restante da turma a sequência que fizeram. Na última vez que fizemos isso, o Pedro ficou todo empolgado explicando por que ele achava que Junho vinha antes de Janeiro! A turma teve que explicar pra ele direitinho como era o certo.
Essas atividades são bem legais porque elas trazem o aprendizado pro campo visual e tátil dos meninos – eles vêem o tempo acontecendo ali na frente deles. E claro, sempre termina com aquela troca boa de ideias entre eles sobre por que as coisas são do jeito que são.
Essas atividades não requerem muitos materiais caros não. É tudo bem acessível: papelão, figuras de revistas velhas, cartazes... E eu acho que o principal é dar espaço pra eles perguntarem. Eles têm mil curiosidades sobre por quê as coisas são como são no tempo – por quê não almoçamos à noite? Por quê não dormimos de manhã?
Os meninos reagem super bem porque ao mesmo tempo que estão aprendendo algo mais abstrato como a passagem do tempo, fazem isso brincando, mexendo com coisas concretas. E quando dá certo ver eles começando a usar essas palavras naturalmente – tipo perguntar no meio da aula "professor, hoje é quinta ou sexta?" – aí eu sei que estamos no caminho certo.
No fim das contas é isso aí: transformar essas noções abstratas de tempo em algo divertido e concreto pra eles entenderem melhor seu mundo. Nem sempre é fácil, mas quando vejo aquela lâmpada acender nos olhinhos deles... ah, vale muito a pena!
E aí, continuando aqui, quero compartilhar com vocês como a gente percebe que os alunos tão pegando o jeito desse lance de tempo sem precisar de prova formal. É tudo questão de observação e estar presente ali no meio da garotada, sabe? Tipo, quando você tá circulando pela sala e vê o Joãozinho explicando pra Maria que "hoje é quinta-feira, então amanhã é sexta e a gente vai ter aula de artes", aí você percebe que ele tá ligando os pontos, tá entendendo como os dias da semana funcionam e se conectam entre si.
Outra situação é quando você ouve as conversas entre eles. Por exemplo, a Ana perguntando pro Pedro se ele também vai na festa de aniversário dela no "sábado à noite". Quando eles começam a usar essas referências temporais nas conversas do dia a dia, é um sinal claro de que tão assimilando o conteúdo. Isso é muito mais valioso do que uma prova escrita pra mim.
Aí tem aquele momento especial quando um aluno consegue explicar pra outro. O Lucas tava tendo dificuldade em entender a sequência dos meses e o Caio, com toda calma do mundo, começou a cantar aquela musiquinha "janeiro, fevereiro, março..." e ainda explicou que depois de dezembro vem janeiro de novo porque o ano vira. Nessas horas, dá uma alegria danada porque você vê que o aprendizado tá sendo compartilhado entre eles.
Mas nem tudo são flores, né? Tem uns erros bem comuns que os meninos cometem. Um clássico é confundir os meses que têm 30 e 31 dias. A Mariana sempre achava que junho tinha 31 porque perto do aniversário dela (que é em julho) tem sempre um monte de dia. Isso acontece porque eles ainda tão formando essa ideia de tempo contínuo e períodos fixos. Quando eu vejo esse erro na hora, tento corrigir ali mesmo com exemplos concretos. Tipo assim: "Mari, lembra do aniversário do seu pai que é em junho? Então, ele sempre fala que o mês termina mais rápido porque só tem 30 dias."
Outro erro comum é na parte das estações do ano. O Felipe uma vez me perguntou se inverno era depois do verão por causa das férias de julho. Aí você percebe que eles associam as estações aos eventos pessoais deles, tipo férias e festas. Pra corrigir isso, eu gosto de fazer aqueles calendários grandes com imagens das estações e eventos típicos, aí fica mais fácil pra eles visualizarem e organizarem na cabeça.
Agora falando do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, que tem TEA. Com o Matheus, o desafio é manter ele focado por mais tempo. Eu faço assim: divido as atividades em partes menores e dou intervalos pra ele se movimentar um pouco. Funciona melhor do que tentar segurar ele na mesma tarefa por muito tempo. Também uso cartinhas coloridas com os dias da semana e meses pra ele montar sequências. Isso ajuda ele a lidar com o conteúdo sem ficar preso em muita teoria.
Com a Clara, que tem TEA, a história já é outra. Preciso trabalhar bastante com rotina e previsibilidade. Então eu tenho um calendário visual bem grande na sala e todo dia a gente marca junto qual é o dia da semana e se tem algum evento especial vindo. Isso dá segurança pra ela porque ela sabe o que esperar. E ao contrário do Matheus, com a Clara procuro não fazer muitas mudanças no planejamento das aulas sem avisar antes.
Já tentei usar tecnologia tipo tablets pra ajudar os dois, mas não deu muito certo. O Matheus ficava muito distraído com os jogos e a Clara não se adaptava bem ao toque na tela. O bom mesmo é usar materiais físicos: calendários impressos grandes pra Clara e cartinhas manipulativas pro Matheus.
Então é isso aí, pessoal! Espero ter contribuído um pouco com vocês sobre como rola essa dinâmica na sala de aula. É sempre uma jornada complexa mas gratificante ver os meninos crescendendo nesse entendimento do tempo. Se alguém tiver dicas ou experiências diferentes, compartilha aí também! E vamo trocando ideia, porque juntos a gente vai longe! Até mais!