Olha só, pessoal, essa habilidade EF06MA23 da BNCC é um negócio interessante de trabalhar com os meninos do 6º Ano. A ideia por trás dela é ajudar os alunos a entenderem como criar algoritmos para resolver problemas de forma organizada, tipo passo a passo. Não precisa ser nada super tecnológico ou coisa de computador, tá? É mais sobre ensinar eles como pensar de forma lógica e sequencial. Imagina que é como ensinar a fazer uma dobradura de papel: você tem que seguir um passo de cada vez, na ordem certa, pra chegar no resultado final.
Isso se conecta bastante com o que eles já vêm desenvolvendo em anos anteriores. Quando falo em algoritmo, às vezes pode parecer meio assustador, mas na verdade é algo que eles já fazem no dia a dia sem perceber. Na série anterior, eles já estavam trabalhando com ideia de sequência e ordem, então agora é só dar um passinho além e mostrar como essas sequências podem ser usadas em diferentes contextos.
Por exemplo, um aluno precisa conseguir dar instruções claras pra alguém poder dobrar um papel na forma de um aviãozinho ou mover uma peça num tabuleiro seguindo regras específicas. E quando falamos de geometria, envolve construir retas paralelas e perpendiculares usando materiais como réguas e esquadros. Pode parecer complicado, mas é muito bacana porque ajuda a galera a visualizar o espaço e entender melhor as formas.
Agora vou contar pra vocês algumas atividades que faço em sala pra trabalhar isso aí.
Uma das primeiras coisas que gosto de fazer é a famosa dobradura do sapo saltador. É bem simples e pegamos apenas folhas de papel sulfite. Divido a turma em duplas – normalmente funciona melhor assim porque um ajuda o outro – e damos uns 40 minutos pra atividade toda. Primeiro mostro o passo a passo pra eles, depois cada dupla tem que montar seu sapo seguindo as instruções que dou oralmente. Aí o legal é ver como eles reagem! Sempre tem aquele aluno mais ansioso tipo o Lucas, que tenta pular etapas e perde um pouco da paciência quando não dá certo logo de cara. Mas depois ele vai pegando o jeito e no final quer ajudar todo mundo!
Outra atividade é usar um jogo que chamo de "Deslocamento Mágico". Para isso eu uso tampinhas coloridas de garrafa (dessas normais mesmo) e uma folha quadriculada grande pras duplas trabalharem juntas novamente. Dou cerca de uma hora nessa atividade porque ela exige mais atenção aos detalhes. Eles têm que mover as tampinhas pelo quadriculado seguindo instruções específicas que vão formando padrões geométricos como retas paralelas ou perpendiculares sem erro. É engraçado ver como uns ficam empolgados quando conseguem acertar direitinho! Lembro que da última vez o João ficou tão contente quando percebeu que conseguiu formar direitinho duas retas paralelas que até levantou da cadeira comemorando.
Pra fechar com chave de ouro trago uma dinâmica usando régua e esquadro onde eles precisam desenhar figuras geométricas específicas no caderno quadriculado deles. Essa atividade demora uns 50 minutos e eu deixo eles se organizarem em grupos de três ou quatro pessoas - acho legal porque assim um ajuda o outro com as dúvidas que surgem enquanto estão desenhando as linhas corretas para formar figuras com ângulos retos ou paralelas simétricas nas representações gráficas deles. Da última vez teve uma situação engraçada onde a Ana não conseguia acreditar na precisão do desenho dela até conferir várias vezes com os colegas.
Essas atividades não são só divertidas mas também trazem muito aprendizado prático pros alunos verem (e usarem) aquilo tudo na vida real! Além disso sempre busco dar feedbacks individualizados no final reforçando acertos deles durante as tarefas realizadas – ajuda bastante eles perceberem onde estão indo bem (ou onde podem melhorar!).
Espero ter dado umas ideias bacanas pra quem estiver querendo explorar esse conteúdo também! Até mais pessoal!
Agora, sobre perceber se os meninos realmente entenderam a habilidade sem necessariamente aplicar uma prova, é um exercício diário de observação e escuta. Tipo assim, quando eu tô andando pela sala enquanto eles estão fazendo as atividades, eu noto muito pelas perguntas que fazem uns pros outros ou até mesmo pelos comentários que saem sem querer. Outro dia, tava circulando e ouvi a Júlia explicando pro Roberto como resolver um problema usando passos bem direitinho. Ela disse algo como "Olha, você primeiro faz isso aqui, depois aquilo ali, e aí você chega nessa resposta", com uma clareza que me impressionou. Pra mim, foi aquele momento "ah, essa entendeu".
Outra coisa que me ajuda a perceber o entendimento é quando um aluno consegue usar corretamente aquilo que aprendeu em situações diferentes. Teve um dia que estávamos falando de receitas na aula de matemática pra trabalhar essa lógica sequencial e depois na aula de ciências, o Felipe começou a explicar pro grupo dele como fazer uma experiência como se fosse uma receita. No instante que ele fez isso, pensei comigo mesmo: “bom, esse pegou a ideia direitinho”.
Sobre os erros comuns dos alunos nesse conteúdo de algoritmos e sequência lógica, vejo muito tropeço nas etapas iniciais. Tem muita gente que quer pular passos ou até inventar passos no meio do caminho. A Larissa é um exemplo disso, sempre querendo achar atalhos nas atividades. Ela começa bem, mas aí quer chegar rápido ao fim e acaba perdendo alguma parte importante do processo. Isso acontece porque às vezes eles ficam ansiosos pra terminar logo ou acham que já entenderam tudo e não precisam seguir cada passo direitinho.
Quando pego esses erros na hora, paro ali mesmo e tento levar o aluno a perceber onde tá o tropeço. Mostro que seguir cada etapa é essencial pra chegar ao resultado certo e não só qualquer resultado. Eu também tento associar com algo que eles gostem ou façam no dia a dia pra ver se a ficha cai mais fácil.
Agora vamos falar do Matheus com TDAH e da Clara com TEA. Cada um tem suas particularidades e precisa de atenção especial para se engajarem nas atividades da turma. Pro Matheus, o negócio é movimento e dividir as tarefas em partes menores e mais manejáveis. Ele responde super bem quando eu consigo incorporar algum tipo de atividade física ou prática junto do aprendizado mais teórico. Por exemplo, nas aulas sobre algoritmo eu uso cartões grandes com passos numerados que ele pode movimentar pela sala enquanto monta a sequência correta em vez de só escrever num papel.
Já com a Clara, precisa ser algo mais visual e estruturado. Então uso bastante materiais visuais tipo quadros ilustrativos com cores diferentes para cada etapa do processo ou apoio visual no projetor da sala pra sequenciar as atividades previstas. Ajuda ela ter essa referência visual constante que dá segurança ao passo-a-passo sem perda de foco.
Não funcionou muito bem quando tentei juntar os dois em atividades muito abertas ou sem supervisão próxima porque o Matheus ficava agitado demais sem tanta estrutura clara na tarefa e a Clara se perdia no meio da confusão toda.
No fim das contas, adaptar as atividades pra cada aluno não é só possível mas necessário se queremos ver todos caminhando juntos nesse aprendizado tão importante de pensar logicamente.
Bom gente, por hoje fico por aqui com essas experiências da sala de aula sobre esse tema tão bacana de algoritmos no 6º Ano. Espero ter contribuído um pouquinho aí pras ideias de vocês! Abraços!