Olha, a habilidade EF03MA25 da BNCC tem tudo a ver com começar a entender como o acaso funciona na vida. Na prática, é ajudar os meninos a perceber que algumas coisas podem acontecer de várias formas diferentes e que algumas dessas formas são mais prováveis que outras. Não é sobre saber exatamente o que vai acontecer, mas sim sobre ter uma ideia do que é mais provável. Por exemplo, se você tá jogando um dado, tem seis resultados possíveis, certo? Mas se você joga uma moeda, só tem dois possíveis: cara ou coroa. Aí a ideia é essa: eles precisam conseguir listar todos os resultados possíveis de uma situação e ter uma noção de quais são mais ou menos prováveis.
Quando os meninos chegam no 3º ano, eles já têm alguma noção de que certas coisas são mais prováveis. Eles já sabem, por exemplo, que é mais fácil chover num dia nublado do que num dia de sol. A gente só vem reforçar isso e trazer pra situações do cotidiano que eles não pensaram tanto ainda. É tipo dar nome pros bois mesmo, sabe?
Uma atividade que eu faço é a "roda dos números". Olha, é bem simples: eu trago um dado pra sala. Cada aluno faz sua própria roda com os números de 1 a 6 e cola numa folha. A organização é em grupos pra facilitar a interação entre eles. Aí a gente começa jogando o dado e marcando na roda o número que saiu. A ideia é ver qual número sai mais vezes depois de várias rodadas. Isso leva aproximadamente uns 30 minutos. A reação dos alunos geralmente é bem animada. Já aconteceu de um aluno, o Joãozinho, ficar super frustrado porque o número favorito dele não parava de sair. Foi uma ótima oportunidade pra gente discutir sobre como o acaso não tem favorito e como alguns números podem parecer "sortudos" num dia, mas não em outro.
Outra atividade que gosto bastante é a "pesca de tampinhas". Essa precisa de menos material ainda: só tampinhas de garrafa pintadas com cores diferentes e uma caixa opaca. Eu peço pra galera fechar os olhos e pescar uma tampinha da caixa sem olhar qual cor estão pegando. Depois a gente anota a cor na lousa e coloca de volta na caixa. Repetimos isso várias vezes pra ver qual cor aparece mais. Essa leva uns 40 minutos porque tem sempre aquela discussão animada sobre cada cor puxada! Nessa atividade, teve a Ana que não parava de pedir pra puxar as tampinhas ela mesma porque achava que ia conseguir pegar sempre a cor vermelha. Foi legal mostrar pra ela que mesmo quando ela tinha certeza, às vezes a cor saía diferente.
A terceira atividade é mais conectada pro cotidiano deles: eu chamo de "previsões do tempo". Eu levo pro pessoal algumas previsões do tempo da semana toda impressas com as possibilidades de chuva em porcentagem. Aí a gente discute qual dia tem mais chance de chover e por quê. Eles ficam em duplas pra debater entre eles antes de compartilhar com a turma toda. Isso não leva mais do que 20 minutos porque é bem direto ao ponto. Na última vez que fizemos isso, o Pedro levantou um ponto interessante sobre como às vezes chove mesmo quando a previsão dizia que tinha pouca chance. Isso abriu espaço pra gente falar sobre como previsões são feitas baseadas em dados mas ainda assim são só previsões.
O legal dessas atividades é ver como aos poucos eles vão entendendo a ideia de probabilidade aplicada em coisas simples do dia a dia deles. E quando você vê alguém usando isso em outras situações sem nem perceber, tipo ao escolher qual fila é mais rápida na cantina ou decidir se leva ou não um guarda-chuva num dia nublado com pouca chance de chuva, você sabe que a sementinha tá plantada.
Então é isso aí pessoal! Essas são algumas das formas como eu trabalho essa habilidade por aqui. Se tiverem outras ideias ou quiserem compartilhar suas experiências também, tô super aberto pra aprender com vocês! Um abraço!
Olha, pra perceber se os meninos entenderam a habilidade EF03MA25, não preciso aplicar prova formal nem nada não. Na hora que tô circulando pela sala, eu vou prestando atenção nas conversas deles, sabe como é? Quando um aluno tá explicando pro outro ou quando eles tão discutindo entre si, isso já me diz muita coisa. Tipo, teve uma vez que o Lucas tava tentando explicar pro Pedro como ele sabia que era mais provável tirar cara três vezes seguidas jogando uma moeda do que tirar o número seis três vezes seguidas jogando um dado. Ele explicou direitinho, com calma, e aí eu percebi que ele tinha entendido a parada.
Outro dia, a Sofia e a Júlia estavam conversando sobre qual era mais provável: tirar uma bola vermelha entre várias bolas coloridas ou acertar a cor de uma carta num baralho. Elas foram listando as possibilidades e tal. Aí eu ouvi a Sofia dizendo: "Ah, Júlia, no baralho tem mais cartas diferentes que bolas na sacola, então acertar a bola vermelha é mais fácil!" Foi nesse tipo de conversa entre eles que eu percebi que a coisa tava clareando.
Agora, erros são parte do processo, né? Os mais comuns que vejo com essa habilidade têm muito a ver com confundir possibilidade com probabilidade. Por exemplo, o Joãozinho achou que porque tinha duas chances de sair cara ou coroa na moeda, era igual ter duas chances de tirar qualquer número no dado. Ele não percebia que as chances de cada resultado no dado eram diferentes porque são mais opções.
Outra situação foi com a Mariana. Ela achou que porque pegou uma bolinha azul duas vezes seguidas numa sacola cheia de cores diferentes, ia pegar azul de novo na próxima vez. Ela tava se baseando na sequência imediata em vez de pensar no número total de bolinhas azuis na sacola. Quando pego um erro assim na hora, eu costumo parar e pedir pra turma toda discutir o raciocínio dela. Aí vamos ajustando juntos até todo mundo entender.
Falando em ajustes, com o Matheus e a Clara eu faço algumas adaptações que ajudam muito. O Matheus tem TDAH e precisa de algumas ajudas pra manter o foco nas atividades. O que funciona bem é dividir as tarefas em partes menores e dar uns intervalos pra ele se mexer. Às vezes uso cartões com as etapas das atividades e ele vai marcando conforme conclui cada uma. Quando tentava fazer tudo de uma vez só sem pausas, ele ficava ansioso e se perdia no meio do caminho.
Já com a Clara, que tem TEA, é importante usar materiais visuais que ajudem na previsibilidade. Eu uso muitas imagens e cores nos exercícios pra ela entender melhor o que precisa ser feito. Organizar o tempo também é algo que ajuda muito: deixo bem claro quanto tempo ela pode gastar em cada parte da atividade pra ela não ficar perdida. Lembro de uma vez que fizemos uma atividade sem essas referências visuais e ela ficou bastante confusa e acabou não conseguindo concluir.
Os dois também se beneficiam muito dos jogos didáticos. Na última vez que usamos um jogo de tabuleiro pra explorar possibilidades e probabilidades, foi incrível! O Matheus participou super bem porque jogava em dupla e isso ajudava ele a se focar melhor. A Clara se saiu muito bem quando usamos cartas com figuras claras e poucas distrações visuais.
Bom, acho que é isso aí por hoje! Espero ter dado umas ideias legais pra vocês também sobre como perceber o aprendizado dos meninos sem precisar de provas formais e como lidar com os diferentes jeitos de aprender da garotada. É desafiador às vezes, mas é gratificante ver eles pegando essas ideias afinal das contas. Valeu por lerem até aqui! Nos falamos no próximo post!