Olha, quando a gente fala dessa habilidade da BNCC, EF03MA23, penso que é uma daquelas que realmente preparam os meninos pra vida prática. Tipo assim, eles têm que ser capazes de olhar para um relógio, seja ele digital ou analógico, e dizer que horas são. Parece simples, mas tem uns detalhes aí que os meninos precisam pegar. Não é só saber ver as horas, mas entender que tem 60 minutos em uma hora e 60 segundos em um minuto. E isso já se conecta com o que eles viram no ano anterior, onde começaram a entender o conceito de parte do todo, como em frações simples. E a gente vai ali aprofundando, mostrando um pouco mais o mundo ao redor deles.
Agora, vou contar algumas atividades práticas que faço com a minha galera do 3º ano pra trabalhar isso. A primeira coisa que faço é trazer relógios de brinquedo bem coloridos e alguns relógios digitais (aqueles baratinhos que a gente compra no camelô mesmo). A ideia aqui é fazer eles verem os dois modelos lado a lado. Geralmente divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e cada grupo fica com um conjunto desses relógios. Dou cerca de 20 minutos pra eles explorarem, mexerem nos ponteiros, mudarem as horas nos digitais. É um momento mais livre mesmo pra eles se familiarizarem com os materiais. Os olhos do João Pedro brilharam quando ele conseguiu marcar no relógio digital exatamente a mesma hora que o ponteiro mostrava no analógico. É incrível como essas coisas simples podem deixar a criança empolgada com o aprendizado.
Depois disso, a gente faz um jogo chamado "Caça ao Tesouro do Tempo". Funciona assim: eu distribuo pistas pela sala, cada uma marcando uma hora do dia e uma pequena dica para achar a próxima pista. Só que essas pistas estão escritas alternadamente em "4:30" e "quatro e meia", em digital ou por extenso mesmo. As crianças precisam descobrir que horas são para saber onde procurar a pista seguinte. Esse jogo leva uns 30 minutos porque acaba envolvendo também leitura e interpretação de texto junto com a matemática. A última vez que fiz isso, o Vinícius e a Camila foram os primeiros a encontrar o "tesouro" (que era um saquinho de balas) e fizeram questão de dividir com os amigos do grupo. Nessa brincadeira, dá pra ver como eles colaboram e ajudam uns aos outros quando alguém tem dificuldade.
Por último, faço uma atividade chamada "O Diário do Tempo". Cada aluno recebe uma folha onde vai anotar num dia inteiro, desde que acorda até antes de dormir, as horas principais do seu dia: a hora que toma café da manhã, começa a aula, almoça, faz as tarefas, assiste TV... enfim, tudo que eles fazem ao longo do dia. Eles têm que anotar tanto no formato digital quanto desenhar os ponteiros no formato analógico num mini-relógio que eu imprimo na folha. A atividade é pra ser feita em casa e depois discutimos na sala. Leva mais tempo essa aí porque tem o tempo de execução em casa e depois mais uns 20 minutos na escola pra compartilharem as experiências. Uma coisa bacana aconteceu com a Larissa: ela notou que estava sempre atrasada para brincar depois da lição porque não controlava bem o tempo entre tarefas. Ela mesma sugeriu colocar o despertador para lembrar o horário certo!
Essas atividades todas ajudam eles não só a entenderem como funciona o relógio em si, mas também começam a criar uma noção de tempo real na vida deles. E é interessante ver como cada um reage diferente às atividades; enquanto uns são totalmente visuais (como no caso dos relógios coloridos), outros ficam mais animados com a competição ou com atividades práticas.
Tipo assim, trabalhar essa habilidade abre portas pros meninos começarem a se organizar melhor no dia a dia deles mesmos. Eles passam a compreender melhor não só os horários das aulas mas também outros compromissos e até mesmo como administrar melhor o tempo livre. É um aprendizado que vai além da matemática, é sobre autonomia e responsabilidade.
Espero que essas ideias possam ajudar vocês por aí também! Qualquer coisa me chamem pra gente trocar mais figurinhas sobre o assunto. Abraço!
E aí, continuando nossa conversa sobre a EF03MA23, vou te contar como eu percebo que os meninos estão pegando o jeito sem precisar de prova formal. Sabe, um dos momentos mais valiosos é quando eu circulo pela sala. Aí a gente consegue ver muito mais do que só tarefa feita. É naqueles minutinhos que você vê a expressão de quem tá entendendo, de quem tá ainda se enrolando. Um dia eu tava caminhando pela sala e vi a Mariana explicando pro João como ela tinha feito pra entender as horas no relógio analógico. Ela disse algo tipo: “Olha, quando o ponteiro grande tá no 6 e o pequeno entre o 3 e o 4, são três e meia”. Aí eu pensei: “Mariana entendeu mesmo!”. Não é só reproduzir o que a gente fala, é conseguir explicar pro outro com suas palavras.
Outra situação legal é durante as conversas entre eles. Às vezes, deixo eles discutindo em pares ou pequenos grupos e fico só ouvindo de longe. É ali que você percebe as dúvidas surgindo, mas também as resoluções. Teve uma vez que o Pedro tava meio perdido e a Sofia chegou pra ele e começou a desenhar os ponteiros do relógio na lousa do grupo. Ela ia fazendo perguntas: “E se o ponteiro pequeno passar do 12 e o grande estiver no 2?” E aí ela mesma ia explicando. O Pedro foi concordando com a cabeça e até tentou fazer um exemplo sozinho depois. São esses pequenos momentos que mostram que eles estão pegando a habilidade.
Mas claro, nem tudo são flores. Os erros comuns aparecem bastante, principalmente na leitura das horas em relógios analógicos. Um erro que vejo direto é quando os meninos confundem os ponteiros, sabem? Tipo, quem nunca achou que o ponteiro grande indicava a hora? A Júlia, por exemplo, vivia fazendo isso! Ela olhava pro relógio e dizia “Olha, são seis horas”, quando na verdade eram trinta minutos passados das três. Aí tem que ter paciência pra voltar no conceito de qual ponteiro é qual e por que eles são diferentes. Costumo usar um relógio maior de papelão que tenho pra isso, onde posso mexer nos ponteiros de forma mais clara.
Agora sobre o Matheus e a Clara, que têm TDAH e TEA, respectivamente, é preciso adaptar um pouco a nossa prática diária pensando neles. O Matheus tem dificuldade em manter o foco por muito tempo numa atividade só. Então procuro intercalar tarefas mais dinâmicas com momentos de pausa pra ele mexer um pouco ou fazer uma atividade prática tipo mexer num relógio de brinquedo para encaixar as horas certas. E ele adora desafios visuais também, como jogos de memória relacionados a tempo.
Já com a Clara, procuro sempre apresentar atividades mais estruturadas, com passos claros do início ao fim. Ela lida melhor com rotinas previsíveis, então sempre aviso antes qualquer mudança ou transição de atividade. Uma coisa que funciona bem com ela é usar imagens fixas junto com as instruções verbais. Tenho um conjunto de cartões ilustrados com horas e posições dos ponteiros que ela pode tocar e organizar como quebra-cabeças. O importante é criar um ambiente confortável onde ela possa expressar dúvidas sem se sentir pressionada.
Ah, mas nem tudo que tentei deu certo logo de primeira! Com o Matheus, tentei uma vez um aplicativo no tablet sobre relógios digitais e analógicos que achei bacana, mas cara! Ele ficou mais interessado nos outros botões do app do que na atividade em si. Já com a Clara, tentei falar demais durante uma explicação pensando em ser mais detalhista e acabei deixando ela meio confusa. Às vezes menos é mais, né?
Bom pessoal, é isso aí! Espero ter dado uma luz sobre como anda nosso trabalho com essa habilidade importante da matemática no terceiro ano. A prática é constante e cada dia na sala tem seus desafios e aprendizagens novas tanto pros alunos quanto pra gente como professor. Vamos trocando experiências aí no fórum porque sempre dá pra aprender junto! Abraço!