Olha, falar sobre a habilidade EF89LP32 é um negócio interessante porque, na prática, a gente tá falando sobre a capacidade dos alunos de perceberem como os textos se conversam entre si e com outras formas de arte. Tipo assim, eles precisam entender que um livro pode ter uma referência a um filme, ou uma música pode fazer alusão a um quadro, e por aí vai. E não para por aí: eles também têm que sacar quando um texto faz paródia ou uma paráfrase de outro. É aquele momento em que o aluno lê um texto e pensa: "Ei, isso aqui me lembra aquele filme que a gente viu."
Na turma de 8º ano, os meninos já chegam com alguma noção disso tudo porque, nas séries anteriores, eles começam a ver que textos podem dialogar entre si. Só que agora a coisa fica mais complexa. Não é só sobre achar semelhanças, mas entender o efeito que essas semelhanças criam. Se um autor decide fazer uma referência a outro texto, ele tá querendo provocar algum tipo de sentimento ou reflexão no leitor. Então, o aluno precisa conseguir identificar isso e pensar sobre qual foi o impacto daquela escolha.
Pra botar isso em prática na sala, eu uso algumas atividades que os meninos costumam gostar bastante. Uma delas é bem simples: a gente pega letras de música que estão bombando entre eles e compara com poesias clássicas. Outro dia fizemos isso com a letra de "Construção" do Chico Buarque e comparações dela com um poema do Carlos Drummond de Andrade. Uso as letras impressas mesmo e o poema numa folha separada. Primeiro lemos juntos, conversamos sobre o tema principal e, depois, a galera se divide em grupos pra discutir as semelhanças e diferenças. Dá uns 50 minutos essa atividade toda. Eles começam meio perdidos às vezes, mas é só dar o primeiro exemplo juntos que já começam a perceber as coisas. Teve uma vez que o João virou pra Ana e falou: "Ei, olha só como essa parte aqui lembra aquele negócio na música tal!" Daí todo mundo começa a ver também.
Outra atividade que costumo fazer envolve cinema. Eu trago trechos de filmes clássicos e mostro como esses filmes se inspiraram em livros ou peças teatrais. Usei cena do "O Rei Leão", que todo mundo conhece, e comparei com "Hamlet" do Shakespeare. Achei alguns vídeos no YouTube mostrando as cenas lado a lado – é só ter cuidado pra não deixar os vídeos muito longos. Passo os vídeos e depois organizo uma roda de conversa pra eles compartilharem o que perceberam. Isso leva uma aula inteira às vezes porque eles gostam de discutir qual versão gostaram mais e por quê. Uma vez o Felipe soltou: "Ah, agora entendi porque meu pai sempre fala do 'Hamlet' quando vê 'O Rei Leão' comigo." Essas sacadas são ótimas porque mostram que estão pegando a ideia.
A terceira atividade é uma das minhas favoritas: criar paródias de textos ou cenas famosas. Divido a turma em grupos pequenos e cada grupo escolhe uma cena famosa ou texto pra fazer sua própria versão engraçada ou moderninha. Eles têm algumas aulas pra preparar – normalmente umas duas ou três – e depois apresentam pra classe. O mais legal é ver como eles reinventam as histórias com as coisas que fazem parte do cotidiano deles. Quando fizemos isso pela última vez, o grupo da Maria pegou "A Ceia dos Cardeais" de Júlio Dantas e transformou na história de três amigos discutindo sobre os crushes na escola. Foi hilário! Eles se envolvem muito nesse tipo de atividade.
No fim das contas, trabalhando essa habilidade assim ajuda os alunos a perceberem como as histórias estão interligadas e como essas conexões podem enriquecer nosso entendimento sobre elas. Além disso, eles desenvolvem um olhar crítico sobre as mensagens subentendidas nos textos e nas artes em geral. Sabem identificar nuances que antes passavam batidas.
E é isso! Essa troca entre textos diferentes ensina os meninos a serem leitores mais atentos e críticos, o que ajuda não só em Língua Portuguesa mas em várias outras disciplinas também. E eu fico aqui orgulhoso vendo eles descobrindo essas coisas sozinhos ou em grupo – vale muito a pena.
Na turma de 8º ano, os meninos já estão mais espertos com essas coisas. Aí eu fico circulando pela sala, meio que de olho no que eles tão fazendo, e tem umas horas que tá na cara que eles entenderam o lance todo. Um exemplo é quando tô escutando eles discutindo entre si. De repente, ouço o Pedro falando pra Luana: “Sabe aquele poema que a gente leu? Parece muito aquele filme que passou na TV domingo, lembra?” E é nesse tipo de momento que eu penso: “Ahá! Pegaram a referência!”
Outro dia, tava andando entre os grupos e ouvi o João explicando pra Júlia uma cena de um livro que lemos em sala: “Então, Júlia, essa parte aqui é tipo aquela música do Legião Urbana... as duas tão falando sobre liberdade.” Cara, eu fiquei de boca aberta! É ali que você saca que a sementinha que plantou tá brotando. Eles começam a fazer essas conexões por eles mesmos e aí você sabe que o aprendizado tá rolando solto.
Agora, claro, também rolam uns tropeços pelo caminho. O erro mais comum é a galera achar que toda referência é explícita. Às vezes a Ana lê um texto e diz: “Mas não tá escrito ali sobre o filme, professor.” E eu tenho que explicar que nem sempre as referências são assim descaradas. É como se o autor desse só uma piscadinha pro leitor, sabe? Outra questão é quando eles confundem paródia com paráfrase. Teve um dia que o Luiz trouxe uma paródia de música famosa e chamou de paráfrase. Tive que sentar com ele e destrinchar as diferenças. Eles erram porque são conceitos parecidos e novos pra eles.
Quando isso acontece, eu dou um pause ali na hora mesmo e explico com exemplos. Tipo: paro tudo e falo “Galera, vamos ver isso aqui juntos rapidinho”. Aí trago textos ou vídeos pra mostrar a diferença prática. Refaço a atividade se preciso, mas não deixo passar batido.
E olha, quando falamos do Matheus com TDAH e da Clara com TEA, as estratégias precisam ser ajustadas. Com o Matheus, por exemplo, eu tento manter as atividades mais dinâmicas e curtas. Longas explicações escritas não funcionam bem com ele, então uso mais imagens ou vídeos curtos pra dar uma ajuda visual. Já percebi que ele se concentra melhor quando pode participar ativamente da atividade. Uma vez fizemos um jogo de perguntas e respostas sobre referências em músicas — ele ficou super ligado e participou bastante.
Com a Clara, é um pouco diferente. Ela tem um jeito mais focado em detalhes específicos e às vezes precisa de um tempo maior pra assimilar as informações. Então o que eu faço é oferecer tarefas mais individualizadas pra ela. Dou textos impressos com notas nas margens pra ela ir marcando onde encontrou alguma referência. Tem funcionado bem assim! Já tentei usar aplicativos mas percebi que com ela o papel funciona melhor — menos distração.
O tempo também é algo importante de considerar pros dois. Procuro não mudar bruscamente as atividades ou os horários delas. Aviso antes quando vou mudar algo na rotina da aula porque isso dá uma segurança maior pra Clara e ajuda o Matheus a se organizar mentalmente.
Enfim, é tudo questão de ir tentando até achar o jeito certo pra cada um deles, né? O mais legal é ver esses meninos todos construindo seu próprio entendimento do mundo ao redor através das histórias e das artes. Dá uma satisfação danada!
Bom, por hoje é isso aí pessoal! Espero ter ajudado com minhas experiências aqui da sala de aula. Se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar algo parecido, tô por aqui! Abraços!