Olha, essa habilidade EF89LP01 da BNCC, que a gente trabalha no 8º ano, é um negócio bem interessante. Na prática, o que a gente quer é que os alunos consigam olhar para um texto jornalístico e não só engolir a informação, mas questionar, entender o que tá por trás do que tá sendo dito. Tipo, no jornalismo, sempre tem interesse envolvido. Pode ser da empresa que publica ou de quem tá financiando, ou até do próprio jornalista. E com toda essa coisa de novas tecnologias, tem também a questão de como a informação circula na internet e vira um produto, sabe? Então nossos meninos têm que aprender a ver isso com um olhar crítico. Na série anterior, eles já começam a perceber isso, principalmente quando discutimos fake news e coisas assim no sétimo ano. Aí no oitavo, a gente aprofunda mais essa análise.
Uma das atividades que faço é o "Desvendando a Notícia". É assim: eu peço pra galera trazer uma notícia de um site de notícias que eles gostam. Eles podem escolher, mas eu incentivo a pegar de fontes diferentes. A ideia é a gente olhar pra notícia e discutir. Pergunto: "Quem escreveu isso? Quem publicou? Por quê?". A turma trabalha em grupos pequenos, tipo quatro ou cinco alunos. Eu dou uns 50 minutos pra eles conversarem e depois a gente faz uma roda de discussão pra compartilhar o que cada grupo descobriu. Na última vez que fizemos isso, o João trouxe uma notícia sobre futebol do site Globo Esporte e ficou impressionado quando percebeu que, mesmo numa matéria esportiva, tinha interesses econômicos por trás. Ele disse algo como: "Professor, nunca pensei que até isso era manipulado!". Foi legal ver a surpresa dele.
Outra atividade é "Mapa das Mídias". A gente pega um texto jornalístico e tenta identificar em que tipo de mídia ele poderia circular e como isso pode influenciar o conteúdo. Eu trago material impresso mesmo, recorto textos de jornais e revistas. Coloco eles em grupos de novo (gosto bastante do trabalho em grupo porque ajuda a turma a trocar ideia). Cada grupo analisa um texto diferente e depois apresenta suas conclusões para os colegas. Isso leva uns 40 minutos de análise mais 20 de apresentação. É interessante como eles percebem nuances diferentes dependendo do meio. Na última vez, a Ana Luíza percebeu que uma reportagem sobre política na revista Veja tinha um tom mais opinativo do que uma matéria sobre o mesmo assunto num jornal diário da cidade. Ela até mencionou: "Parece que na revista eles querem me convencer mais forte sobre algo".
Por fim, uma atividade prática é o "Criação de Notícias". A galera tem que criar sua própria notícia sobre um tema atual, mas cada grupo recebe uma orientação/meio diferente sobre como essa notícia deveria ser tratada (um blog pessoal, um site de notícias sensacionalista, um telejornal tradicional). Dou pra eles uns 60 minutos pra preparar tudo isso – pode parecer pouco tempo, mas eles são rápidos! Depois apresentam pro resto da turma e discutimos as diferenças entre as abordagens. A turma adora essa atividade porque eles podem soltar a criatividade. Quando fizemos isso da última vez, o Pedro resolveu fazer uma notícia sensacionalista sobre um suposto ataque alienígena na cidade e foi hilário! Todo mundo riu, mas depois discutimos sobre como notícias assim podem influenciar opiniões sem base nenhuma.
Os alunos normalmente se engajam bem nessas atividades porque elas são práticas e conectam com o mundo real deles. Eles percebem como as informações podem ser moldadas dependendo dos interesses por trás e como é importante ter esse olhar crítico com o que eles leem e assistem. É bacana ver quando eles começam a questionar mais as coisas fora da sala também! Enfim, acho que essas atividades ajudam bastante eles a desenvolverem essa atitude crítica tão importante hoje em dia.
Bom pessoal, é isso aí! Espero que essas ideias ajudem vocês aí nas suas salas também. E qualquer dica nova tô por aqui! Até mais!
entender e olhar criticamente pra tudo isso. Agora, como a gente percebe que eles realmente pegaram o jeito da coisa sem botar uma prova formal na frente deles? Bom, é no dia a dia mesmo. Eu costumo circular pela sala enquanto eles estão fazendo as atividades em grupo ou discutindo entre si. É muito interessante ver como eles se comunicam, trocam ideias. Às vezes, tô passando e escuto alguém falando algo tipo "mas será que essa notícia tá realmente completa?" ou "acho que tem algo mais aí que não tão contando". Quando vejo que alguém tá tirando conclusões além do que tá explícito no texto, opa, é um sinal positivo. Já teve uma vez que o Felipe tava explicando pro João sobre uma matéria que leu sobre mudança climática. Ele disse algo como "olha, eles não tão falando dos interesses econômicos por trás disso". E aí você percebe que o menino tá ligando os pontos, tá sacando que nem tudo é preto no branco.
Mas claro, tem os erros comuns também. A galera às vezes acha que toda notícia com opinião é falsa ou tendenciosa. Tipo a Maria, ela sempre pegava matérias de opinião e dizia "isso não é verdade". Eu tinha que explicar que existe diferença entre opinião e fato e que cada um tem seu lugar num texto jornalístico. Outro erro é o pessoal achar que só porque um texto tá em um site famoso, é 100% confiável. Uma vez a Júlia chegou toda animada com uma notícia de um site conhecido, mas que tinha informações erradas. Aí vai eu explicar pra turma que até sites grandes podem errar ou ter seus interesses.
E quando eu percebo esses erros na hora, vou lá e puxo uma conversa com eles. Pergunto o que os levou a pensar daquela forma e tento orientar sem criticar demais. Perguntar "por que você acha isso?" ou "o que te faz pensar assim?" ajuda muito a abrir diálogo e mostrar caminhos diferentes de pensamento.
Agora, falando do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, com TEA, eu tento fazer algumas adaptações nas atividades pra eles. O Matheus tem muita dificuldade em se concentrar por muito tempo em textos longos, então eu dou pra ele versões resumidas com os pontos principais destacados. E quando ele começa a perder o foco, umas pausas curtas ajudam bastante. Às vezes deixo ele levantar e dar uma volta rápida pela sala pra depois voltar ao texto. Pra Clara, que tem TEA, a rotina precisa ser bem previsível. Então eu sempre aviso com antecedência o que vamos fazer e deixo materiais visuais mais estruturados pra ela. Tabelas e esquemas funcionam bem, porque ela consegue visualizar melhor o conteúdo.
Lembro de uma vez que tentei usar vídeos longos pra toda turma e não deu muito certo nem pro Matheus nem pra Clara. Ele se dispersou fácil demais e ela ficou desconfortável com muita informação ao mesmo tempo. Aí eu aprendi a usar vídeos curtinhos ou dividi-los em partes menores.
Bom, acho que é por aí, pessoal! Com cada turma e aluno diferente, a gente vai ajustando nosso jeito de ensinar. E é isso que torna nosso trabalho tão único, né? Vamos continuar trocando experiências aqui no fórum porque sempre tem algo novo pra aprender com vocês também! Abraço!