Olha, essa habilidade EF35LP10 da BNCC é basicamente sobre ajudar os meninos a se ligarem nos diferentes tipos de conversa que a gente tem no dia a dia e entender que cada tipo tem suas próprias regras e jeitos de falar. Não é só falar por falar, né? Por exemplo, eles precisam sacar que não dá pra conversar com o amigo do mesmo jeito que você daria uma entrevista na TV. Cada situação pede um jeito diferente de se expressar. E o mais legal é que isso tem tudo a ver com o que os meninos já vêm aprendendo desde o 2º ano, quando já começam a distinguir entre falar mais formal e informal, sabe?
Agora, bora lá pras atividades que eu faço na sala de aula. A primeira coisa que gosto de fazer é encenar entrevistas. É bem simples, não precisa de muita coisa. Eu geralmente divido a turma em duplas e peço pra cada um escolher um papel: entrevistador ou entrevistado. Aí, eles têm que bolar perguntas e respostas sobre um tema que a gente escolheu juntos, tipo profissões ou bichos. A gente faz isso em uma aula só, coisa de 50 minutos. Os meninos adoram porque gostam de se sentir jornalistas ou celebridades por um dia! Lembro da última vez que fizemos isso, o Matheus queria porque queria entrevistar alguém sobre o espaço sideral – ele é fissurado em astronautas e planetas. Então ele e a Ana montaram uma entrevista muito divertida, com perguntas super criativas.
Outra atividade bacana é simular um debate. Essa costuma ser um pouco mais desafiadora, então eu costumo preparar bem antes com a galera. Primeiro, a gente escolhe um tema simples mas polêmico, tipo "Deveríamos ter mais recreio na escola?" – sempre rende discussão! A gente divide a turma em dois grupos: quem é a favor e quem é contra. Cada grupo tem um tempo pra se preparar e pensar em argumentos. Na hora do debate mesmo, cada lado vai falando seus pontos e eu vou ajudando a regular o tempo e manter todo mundo respeitando o outro lado. Isso leva umas duas aulas, porque eles têm que se preparar bem antes. Na última vez, a Mariana ficou tão empolgada defendendo que deveríamos ter mais recreio que quase convenceu até os colegas do outro time!
A terceira atividade que faço é colocar uma narração esportiva no rádio ou TV pra eles ouvirem. Primeiro, explico pra eles o que é esse tipo de narração: cheia de emoção, ritmo rápido, aquele jeito de envolver quem tá ouvindo como se estivesse lá no estádio. Eu levo uns áudios prontos (adoro escolher jogos antigos importantes) e coloco pra eles escutarem. Depois, desafio os meninos a inventarem uma narração de uma partida fictícia ou até recontar algo que viram no final de semana. Faço isso em grupos pequenos, porque assim todo mundo tem chance de participar e não é só um falando muito tempo direto. Leva uma aula inteira também, mas sempre vale a pena pelo entusiasmo deles. Na última vez, o Felipe ficou narrando um lance do futebol dele no domingo como se fosse final de Copa do Mundo! Foi hilário e todo mundo entrou na onda.
O importante dessas atividades é fazer eles perceberem que cada situação pede uma maneira diferente de falar e usar as palavras certas pro contexto. Não é fácil no começo, mas quando eles pegam o jeito fica muito divertido ver como eles entendem as diferenças entre uma conversa casual com os amigos, por exemplo, e algo mais sério como uma entrevista ou debate.
Acho que é isso! Espero que essas ideias ajudem vocês também com as turmas ai! Se alguém tiver outras dicas ou experiências, compartilha aí também! Abraço!
Agora, como é que eu sei que os meninos realmente pegaram a habilidade EF35LP10, sem precisar dar uma prova formal? Olha, é bem interessante perceber esses momentos no dia a dia, prestando atenção nas pequenas coisas. Quando tô circulando pela sala, já dá pra sentir o clima. Por exemplo, às vezes eu vejo o João explicando algo pro Pedro e aí eu penso "opa, esse aí entendeu". Tipo assim, quando o João tá tentando ajudar o Pedro a decidir como falar numa apresentação e diz algo como "não, Pedro, nesse caso aqui você tem que falar mais direitinho, igual o tio fala na TV", é nesse tipo de situação que eu percebo que ele internalizou a coisa.
Outra hora, é quando escuto as conversas entre eles, ou quando eles estão fazendo aquelas dramatizações em grupo. Se tô andando pela sala e vejo a Mariazinha corrigindo o jeito que a Ana tá falando num diálogo de faz de conta, dizendo algo tipo "Ana, fala mais sério agora, a gente tá fingindo que é um telejornal", isso me mostra que elas estão pegando essa diferenciação.
Agora, os erros também são parte do processo. Um erro comum que vejo os meninos fazendo é misturar os jeitos de falar sem perceber. O Lucas, por exemplo, às vezes começa uma apresentação formal na sala e do nada ele insere uma expressão super informal ou uma gíria que cairia melhor numa conversa com amigos no pátio. Isso acontece porque eles ainda estão firmando essa ideia de contexto diferenciado na cabeça. Quando pego esse tipo de erro na hora, costumo fazer uma paradinha no meio da atividade. Aí falo algo como "E aí, gente? Vocês acham que se o Lucas estivesse apresentando isso num palco grande seria legal usar esse tipo de expressão?". Isso geralmente faz eles refletirem na hora e ajuda a ajustar o rumo da conversa.
Falando um pouco dos desafios específicos com o Matheus e a Clara... Bom, o Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de estrutura pra manter o foco nas atividades. Pra ele, eu sempre preparo um roteiro mais visual das lições. Tipo assim, ao invés de só explicar oralmente ou escrever no quadro, uso cartõezinhos com imagens e palavras-chave pra guiar os passos da atividade. Isso ajuda ele a se organizar melhor na hora de participar das discussões. Outra coisa que faço é dar uns intervalos mais frequentes pra ele liberar energia; são pausas curtinhas mas fazem muita diferença.
A Clara, que tem TEA, precisa de abordagens diferentes também. Com ela funciona bem usar histórias em quadrinhos ou tirinhas que mostrem as diferenças entre conversas formais e informais. Ela gosta muito desse tipo de material visual e isso ajuda a entender melhor os contextos sociais sem ficar tão perdida nas palavras. Além disso, tento dar tempo extra pra ela processar as informações. Se estamos fazendo uma atividade em grupo onde os outros alunos têm 5 minutos pra preparar uma fala formal ou informal, dou uns minutinhos extras pra Clara pensar e se organizar. Eu percebi que isso funciona melhor do que tentar apressá-la.
Mas olha, nem tudo dá certo logo de cara. Já tentei usar músicas pra ajudar tanto o Matheus quanto a Clara a pegar esses jeitos diferentes de expressar, mas acabei percebendo que enquanto eles gostavam do som, a questão do entendimento das letras não tava ajudando tanto quanto eu esperava. Às vezes a música acaba distraindo mais do que ajudando.
Bom, gente, é isso por hoje! Adoro esses momentos em que podemos trocar ideias sobre nosso dia a dia na sala de aula. Sempre aprendo muito com as experiências de vocês também! Vamos continuar nessa jornada juntos e qualquer coisa tô por aqui no fórum pra gente conversar mais. Até mais!