Olha, a habilidade EF35LP05 da BNCC é um desses pontos que a gente vai pegando no dia a dia, sabe? Na prática, é ajudar os meninos a entenderem o que uma palavra ou expressão quer dizer, mesmo quando eles não conhecem aquela palavra. Tipo assim, é quando eles leem uma historinha e encontram uma palavra esquisita aí em vez de pularem ou travarem, eles usam o resto do texto pra sacar o que aquilo significa. É meio que uma investigação, eles viram pequenos detetives de palavras, rs.
Na série anterior, os meninos já começam a ter contato com isso de forma mais leve. Eles já sabem que dá pra usar as palavras ao redor pra entender aquelas que eles não conhecem. Mas no 3º Ano a gente aprofunda isso. Eles passam a lidar com textos um pouquinho mais complexos, então a ideia é que consigam pegar essas dicas do contexto de forma mais autônoma. Assim, eles não ficam tão dependentes da gente ou do dicionário o tempo todo.
Uma atividade que eu faço muito é usar pequenas histórias ou textos curtos que já trazem essa possibilidade de inferência. Sabe aqueles livrinhos que têm nas bibliotecas escolares? Então, eu pego uns textos assim. Normalmente faço isso em grupos de 4 ou 5 alunos, o que ajuda porque eles discutem entre si. A atividade leva uns 30 minutos no total. Primeiro, leem individualmente e sublinham o que não entendem. Depois, em grupo, tentam descobrir pelo contexto o que poderia ser aquele termo. Na última vez que fizemos isso com um texto sobre animais da floresta, o João ficou empacado na palavra "camuflagem". Aí, a Ana Clara falou "Ah! É tipo quando a gente brinca de esconde-esconde e se esconde atrás das coisas!". Foi legal ver como eles associaram com vivências deles.
Outra coisa que faço é usar músicas ou poemas curtos. Olha, música é uma maravilha porque eles amam e acabam prestando mais atenção sem nem perceberem que é aula. Escolho músicas bem conhecidas e paro em algumas partes pra discutir expressões ou palavras desconhecidas. Precisa ser algo bem planejado por causa do tempo, então geralmente essa atividade leva cerca de 20 minutos. Uma vez usamos "A Casa" do Vinícius de Moraes e surgiu a dúvida sobre "Era uma casa muito engraçada". A Laura levantou a mão e falou "Engraçada não pode ser só de dar risada, pode ser de diferente!". A turma toda caiu na risada com ela mas entenderam exatamente o ponto.
Eu também gosto de usar quadrinhos ou tirinhas. O material são aquelas coletâneas de tiras de jornal ou revistas tipo a Turma da Mônica, porque os meninos adoram. Nesse caso, eu projeto as tirinhas no quadro e lemos juntos. Com quadrinhos é bacana porque as imagens ajudam bastante no entendimento do texto também. Normalmente leva uns 15 minutos essa atividade e sempre rende boas risadas por causa dos desenhos e histórias engraçadas. Na última vez que fizemos isso com uma tirinha do Cebolinha, o Pedro ficou na dúvida sobre "pirlimpimpim". E olha só: ele mesmo disse "Ah, deve ser tipo mágica!". E estava certinho.
Essas são estratégias simples mas eficazes pros meninos praticarem essa habilidade de inferir significado pelo contexto. O legal é ver como eles vão ficando mais seguros pra ler coisas novas sem aquela ansiedade toda de não entender alguma palavrinha aqui e ali. E aí claro, também vão aprendendo novas palavras sem perceberem tanto esforço.
Enfim, esse foi um pouco do que rola na minha sala quando a gente trabalha essa habilidade da BNCC. Acho bom demais trocar essas ideias por aqui porque sempre tem alguma dica ou experiência nova pra gente experimentar depois com os alunos! É isso aí pessoal, qualquer coisa a gente se fala nesse fórum mesmo! Abraço!
dicas do contexto pra entender palavras difíceis. E agora, no terceiro ano, a gente vai afinando essa habilidade. Então, como que eu sei que eles aprenderam? É no dia a dia mesmo, enquanto circulo pela sala, é na conversa deles, é quando um aluno explica pro outro com aqueles olhos brilhando de quem acabou de sacar algo. Tipo, teve uma vez que eu tava passando pelas mesas e o Pedro tava lendo um livro paradinho. Ele encontrou a palavra "esplêndido" e eu fiquei só observando. Ele ficou uns segundos em silêncio, aí virou pro Lucas e disse, "Acho que isso quer dizer alguma coisa muito boa porque ele tá sorrindo aqui". Cara, meu coração até aqueceu na hora! Muito bacana ver esse processo acontecendo.
Outra situação marcante foi com a Sofia. Ela tava sentadinha com a Giovana e, do nada, começou a explicar pra amiga sobre o que significava "deslizar" depois de ler num texto sobre patinação no gelo. "Giovana, é tipo quando você anda de skate e vai bem rápido!" Nessa hora, eu pensei: missão cumprida!
Os erros mais comuns aparecem quando os meninos fazem aquelas associações meio doidas ou quando eles não conseguem ligar as informações. Por exemplo, o João uma vez leu "andarilho" e achou que era alguém que andava devagar por causa do "and". Aí, quando eles fazem essas ligações erradas, geralmente é porque tão se prendendo numa coisa só. Nessas horas eu paro o que tô fazendo e dou uma dica rápida, tipo: "João, pensa em alguém que anda por muitos lugares". Às vezes, é só uma questão de dar um empurrãozinho pra eles saírem da linha de raciocínio errada.
Agora, com o Matheus que tem TDAH e a Clara com TEA, eu preciso adaptar várias coisas pra garantir que eles também peguem o ritmo da turma. O Matheus é cheio de energia e tem um pouco de dificuldade em manter o foco por muito tempo. Então, nas atividades de leitura, eu divido os textos em partes menores e dou pequenas pausas entre elas. Isso ajuda ele a não ficar cansado e a processar melhor cada pedaço. E olha só: já testei usar fones com música instrumental baixa, tipo aquelas lo-fi pra estudar. Não é sempre que funciona, mas teve um dia que ele me disse que ajudou a não ouvir o barulho da turma toda hora.
Com a Clara é um pouco diferente. Ela gosta de rotina e previsibilidade. Então sempre aviso com antecedência se vamos mudar de atividade ou fazer algo diferente. Ah, e uso cartões visuais com imagens pra ela associar as palavras aos significados. Isso facilita muito! Teve um dia que ela conseguiu explicar pro Lucas o que era "borbulhar" usando uma imagem de uma panela cheia de água fervendo. Foi demais!
O tempo também é algo que preciso organizar bem com eles. Com o Matheus, às vezes faço pausas mais frequentes e isso dá a ele um tempo pra respirar sem perder o fio da meada. A Clara já se beneficia quando tem mais tempo pra processar as informações e menos pressão pra responder logo.
Nem sempre tudo sai como eu planejo. Já tentei deixar os dois trabalhando juntos achando que eles se equilibrariam nas dificuldades, mas não rolou bem. Cada um tinha um tempo diferente e acabei percebendo que cada caso é mesmo único.
E assim vou levando minha turma nessa aventura diária de aprendizagem. Ver cada um deles crescendo nesse aspecto é gratificante demais! A gente tá sempre aprendendo junto com eles também.
Bom, pessoal, é isso por hoje. Espero ter ajudado contando essas experiências do dia a dia aqui na escola. Vou ficando por aqui e qualquer dúvida ou ideia nova tô por aí! Abraços!