Olha, gente, explicar essa habilidade EF35LP08 da BNCC é meio complicado no começo, mas vamos lá. Na prática, o que a gente quer é que os meninos consigam produzir textos que façam sentido pra quem tá lendo. E pra isso, eles precisam usar os pronomes e palavras de substituição de um jeito que a gente entenda quem ou o quê eles tão falando sem precisar repetir tudo toda hora. Tipo assim, se o aluno tá escrevendo um texto sobre a "Maria" e aí ele resolve chamar ela de "ela" em vez de repetir "Maria" toda vez, isso é um exemplo básico. Eles precisam também saber escolher palavras que fazem parte do gênero do texto. Se é uma narrativa, por exemplo, tem que ter aquelas palavras que ajudam a criar a história, tipo "de repente", "então", "por isso". E claro, tem que ter uma estrutura que ajude a conectar as ideias, tipo, mostrando quando uma coisa acontece depois da outra ou por causa de outra.
Aí, quando eles vêm do 2º Ano, já sabem umas coisinhas. Eles já estão familiarizados com a ideia de contar histórias e começar a dar uma conectada melhor nas frases. O desafio agora no 3º Ano é fazer isso ficar mais fluido e natural no texto deles.
Bom, agora vou contar umas atividades práticas que faço na sala pra ajudar nessa habilidade.
Uma das atividades que eu sempre faço é chamada "Caixa de Histórias". A ideia é simples: eu levo uma caixa com objetos variados – brinquedos pequenos, bonecos, pedras coloridas – e cada aluno pega um objeto sem olhar. Aí eles têm que criar uma história curta envolvendo esse objeto. Uso papel sulfite e lápis mesmo, nada muito elaborado. E então vem a parte importante: eles têm que contar a história pra classe sem repetir o nome do objeto mais do que duas vezes. O resto das referências tem que ser por pronomes ou outras palavras substitutas. Normalmente organizo em grupos pequenos de quatro ou cinco alunos pra não ficar muita pressão em cima de cada um. Essa atividade leva umas duas aulas de 50 minutos cada. Da última vez que fiz isso, o Pedro ficou super empolgado com uma miniatura de carro e conseguiu criar uma história bem legal sobre um carrinho mágico que viajava pelo mundo. A turma adorou e riu bastante, especialmente quando ele chamou o carro de "ele" quase a história inteira.
Outra atividade bem bacana que faço é a "Troca de Textos". Os alunos escrevem textinhos sobre um tema específico – pode ser sobre um final de semana deles ou algo assim – e depois trocam com um colega. A tarefa então é reescrever a história do colega usando palavras diferentes para substituir os nomes e as coisas mencionadas. Esse exercício ajuda muito na questão da referência e na criatividade da galera. O material é só papel e lápis mesmo, e organizo em duplas. Isso costuma levar cerca de três aulas pra todo mundo conseguir terminar e discutir as mudanças feitas com o colega original. Na última vez que fizemos isso, a Ana Paula escreveu sobre seu cachorro Bob, e o Lucas reescreveu chamando o Bob de "nosso amigo peludo", e foi divertido ver como ele criava novas formas de se referir ao cachorro sem usar o nome direto.
Por fim, faço também uma atividade chamada "História em Quadrinhos". Distribuo folhas com quadros desenhados e cada quadro tem uma parte da história já começada. Os alunos precisam terminar a história nos quadros usando os pronomes adequados e conectivos apropriados pra dar sequência às ideias. Isso ajuda muito na questão dos articuladores de sentido como tempo e causa. Essa atividade dura umas três aulas também porque eles precisam ler, entender e depois criar as partes deles. A última vez foi bem divertida; o João começou rindo porque não conseguia pensar numa maneira boa de ligar dois meios quadros, mas aí a Júlia deu uma dica de usar expressões temporais como "depois disso" ou "logo após", e ele conseguiu desenvolver super bem.
Essas atividades são simples mas ajudam demais os meninos a entenderem como fazer textos mais coesos e claros. E sempre tem aquelas situações engraçadas ou surpreendentes que mostram como eles tão pegando o jeito da coisa. Enfim, trabalhar essa habilidade exige paciência e criatividade da nossa parte também, mas o resultado vale muito a pena quando vemos eles melhorando suas escritas aos poucos.
Até a próxima!
Aí, galera, quando eu tô em sala, é uma correria danada, mas é ali que eu vejo se a coisa tá indo bem. Primeiro, eu vou circulando pela sala, olho as mesas dos meninos e vejo como tão escrevendo. Às vezes, me aproximo de um grupo e fico só ouvindo eles conversarem sobre o que tão escrevendo. Quando um aluno explica pro outro, dá um estalo do tipo "ah, esse entendeu!". Teve uma vez que tava passando perto da Ana e da Luísa, e a Ana tava explicando pra Luísa como substituir melhor as palavras no texto dela sem repetir "o gato" o tempo todo. Ela disse: "Luísa, cê não precisa falar 'o gato' toda hora, pode falar 'ele', fica mais bonito e não repete". Naquela hora pensei: "a Ana pegou a ideia!". Às vezes também ouço a conversa do João e do Pedro, e o João diz: "Cara, você tá repetindo muito 'a menina'. Fala 'ela' umas vezes". Pronto, é sinal que ele tá sacando.
Agora, quanto aos erros mais comuns... ah, isso acontece bastante. Geralmente vejo muito os meninos confundirem os pronomes ou esquecerem de usá-los. O Marcos, por exemplo, tava lá escrevendo um texto sobre uma história com a Clarinha e toda hora ele voltava a escrever "Clarinha fez isso" ou "Clarinha foi ali", aí eu falei: "Marcos, tenta usar 'ela' em vez de 'Clarinha' o tempo todo, senão fica cansativo". E ele olhou pra mim com aquela cara de quem entendeu. Mas ó, não é falta de capacidade deles não, é só que às vezes eles tão tão focados na história que esquecem desses detalhes. Pra corrigir na hora, eu costumo parar e perguntar: "Você acha que dá pra dizer isso de outra forma?", aí eles vão tentando até acertar.
Sobre o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA... olha, cada um tem suas necessidades e eu vou me adaptando. Pro Matheus, tem que ser tudo bem dinâmico. Ele se dispersa fácil se a atividade é só um texto longo sem nenhuma pausa. Então eu divido o texto em partes pequenas e dou umas tarefas entre essas partes pra ele se mexer. Tipo assim: leu um parágrafo? Agora faz um desenho sobre ele. Isso ajuda ele a prestar atenção sem perder o foco. Já tentei deixá-lo ler sozinho um texto grandão direto mas ele já tava olhando pela janela no meio do segundo parágrafo.
Pra Clara, que tem TEA, é importante ter clareza nas instruções e previsibilidade. Eu sempre aviso antes como vai ser a atividade: primeiro vamos ler juntos, depois ela pode fazer no próprio ritmo dela. Eu uso muito suporte visual com ela também: cartazes com exemplos de substituição de palavras ou pronomes que ela pode consultar quando quiser. Uma coisa que percebi que não adianta é mandar ela trabalhar em dupla sem avisar antes. Dá uma ansiedade danada nela. Então sempre aviso com antecedência quando vai ter atividade em dupla ou grupo.
E assim vamos indo. Todo dia é um aprendizado diferente tanto pra eles como pra mim também. É sempre bom lembrar que cada aluno é único e cada dia na sala de aula vem com seu próprio desafio e suas próprias pequenas vitórias.
Bom pessoal, por hoje é isso aí. Espero ter ajudado vocês com essas ideias e histórias da minha turma! Me contem como vocês têm lidado com esse tipo de situação também! Até mais!