Olha, falar pra vocês dessa habilidade da BNCC, a EM13LP21, é falar de uma coisa que eu acho super bacana: a produção e socialização de playlists comentadas, revistas culturais, fanzines e essas coisas todas. Na prática, isso quer dizer que os meninos precisam aprender a trabalhar juntos pra criar conteúdos que refletem os gostos e interesses culturais deles. Então, não é só fazer uma playlist lá no Spotify e pronto. Não! Eles têm que comentar aquilo, explicar por que escolheram tal música ou filme, por exemplo, e levar em conta o gosto da turma toda.
Essa habilidade tem muito a ver com conectar a galera através das suas preferências. É como se eles tivessem um espaço pra dizer "olha só o que eu curto, vamos trocar ideia?". Quando a gente pensa nos alunos do 1º ano do Ensino Médio pra cá, eles já tinham um tempinho que faziam trabalhos em grupo, compartilhavam opiniões sobre leituras e tal. Agora no 2º ano, a ideia é dar um passo a mais: fazer isso de forma mais organizada e com um propósito claro. É tipo assim, formar pequenas comunidades dentro da sala baseada nos interesses deles.
Vou contar como eu trabalho isso. Primeiro de tudo: playlist comentada. Eu chego na sala falando "bora montar uma playlist da turma que vai ser nossa trilha sonora até o fim do semestre". Aí eu levo meu celular e um caixinha de som. Divido a galera em grupos de 4 ou 5 alunos e cada grupo tem que escolher 5 músicas que todo mundo ali curte. Eles têm que discutir entre eles por que escolheram essas músicas. Dou umas duas aulas pra essa parte toda – uma aula pra selecionar e discutir as músicas e outra pra apresentação. No final, cada grupo apresenta suas músicas com os comentários. Tipo aquele dia que o João falou que escolheu Legião Urbana porque lembra do pai dele cantando na cozinha – foi emocionante! A turma adora essa atividade porque sempre sai umas histórias legais e eles descobrem afinidades entre eles.
Outra coisa que faço é a criação de um fanzine temático. Dou umas três aulas completas pra isso. Primeiro, explico rapidinho o que é um fanzine e mostro uns exemplos impressos que eu tenho guardados de projetos antigos (simples mesmo, xerocados). Aí cada grupo escolhe um tema – pode ser filme, série, quadrinhos – e começam a criar os conteúdos pro fanzine: textos, desenhos, colagens, o que quiserem colocar ali. Eles ficam super empolgados porque têm liberdade total pra criar. Na última vez que fizemos isso, a Mariana e o Lucas fizeram um fanzine sobre filmes de terror que tinha até crítica de um filme brasileiro! Eles pesquisaram bastante e o resultado ficou show de bola.
Por último, gosto de fazer uma coisa mais dinâmica com as séries do momento: o "painel das séries". É assim: cada aluno escreve num papel qual série está assistindo no momento e por quê gosta dela. Depois fixamos tudo num mural na sala. Dou duas aulas pra isso, sendo uma só pro debate. Porque depois de colar no mural, a turma tem um tempo pra ver o mural todo e depois debater em roda sobre as séries listadas ali. É incrível porque aparece de tudo – desde as séries mais famosas até umas bem alternativas que ninguém conhece! Lembro do dia em que o Pedro apresentou uma série coreana que ninguém tinha ouvido falar e ficou todo mundo curioso querendo saber mais.
No fim das contas, essas atividades todas ajudam os alunos a se expressarem melhor e descobrirem novos interesses culturais. Eles acabam compartilhando mais entre eles – parece bobo mas faz diferença. A gente vê a galera se aproximando mais por causa dessas coisas simples do dia-a-dia.
Então é isso aí! Espero ter ajudado quem tá chegando agora ou quem tá meio perdido com essa habilidade da BNCC. Vamos trocar ideia sobre as práticas de vocês também! Tamo junto!
Então, pegando o fio da meada, como é que eu percebo que os alunos realmente pegaram essa habilidade, sem precisar aplicar uma prova formal? Bom, a coisa acontece no dia a dia mesmo, quando tô ali circulando pela sala e escuto as conversas entre eles. A gente acha que eles só falam besteira, mas, olha, tem muita coisa boa que sai daí. Por exemplo, uma vez eu tava andando pela sala enquanto eles estavam montando umas playlists comentadas. Aí eu ouvi o João explicando pro Pedro por que ele achava que tal música tinha tudo a ver com o tema que escolheram. O João começou a falar da letra, do ritmo e até de como a banda surgiu. Na hora eu pensei: "Ah, esse entendeu!". O cara tava ali, todo empolgado, mostrando o raciocínio dele e conectando os pontos. E isso é baita sinal de que ele tá absorvendo o conteúdo.
Outra situação foi quando a Ana tava ajudando a Maria com um fanzine que elas estavam criando sobre filmes antigos. A Maria tava meio perdida em como começar a introdução. Aí a Ana disse: "Olha, pensa em como esse filme te fez sentir e por que você acha que ele ainda é importante hoje". Tipo assim, ela não só deu uma dica prática, mas mostrou que já compreende o propósito da atividade. É nesses momentos que a gente saca que os alunos tão pegando o jeito.
Agora, falar dos erros comuns. A galera às vezes se empolga tanto com as atividades que acaba se perdendo no básico. Vejo muito o pessoal focar mais no gosto pessoal do que no objetivo coletivo do trabalho. O Lucas, por exemplo, uma vez fez uma playlist só com rock dos anos 80 porque ele adora essa época. Mas aí acabou não levando em conta as sugestões da turma. Quando notei isso, chamei ele de canto e expliquei: "Cara, tenta pensar como um DJ de festa; você precisa agradar todo mundo um pouco". Aí ele sacou e começou a incluir outros estilos.
Outro erro frequente é na hora de comentar as escolhas. Eles às vezes escrevem umas coisas muito vagas tipo "escolhi essa música porque é legal". A Roberta fez isso no começo, mas depois de uma conversa sobre como ela poderia se aprofundar mais e trazer um olhar crítico pro conteúdo, ela começou a melhorar bastante. Eu sempre falo pra eles tentarem justificar mais as escolhas aliando ao contexto cultural ou histórico.
Agora falando do Matheus e da Clara, eu preciso adaptar algumas coisas pra eles. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades bem dinâmicas e muitas vezes mais curtas pra não se perder no meio do processo. Com ele, funciona bem quando eu divido a atividade em partes menores e dou intervalos entre elas. Por exemplo, se estamos fazendo uma revista cultural, em vez de ter uma tarefa grande pra ele completar em uma semana, eu divido em tarefas diárias com metas claras e rápidas. Isso ajuda ele a manter o foco e não se sentir sobrecarregado.
A Clara tem TEA e às vezes se sente desconfortável com muita interação social ou atividades muito abertas. Pra ela funcionar melhor, eu proporciono um roteiro bem estruturado das atividades e uso materiais visuais pra guiar o processo dela. Uma coisa que deu certo foi usar imagens e gráficos na montagem das playlists comentadas, assim ela consegue entender melhor os passos que precisa seguir sem ficar confusa. Ah, e sempre deixo ela trabalhar no canto mais tranquilo da sala quando precisa.
O que não rolou muito bem foi tentar empurrar atividades tal qual pra Clara ou pro Matheus sem essas adaptações. Lembro que na primeira vez que fizemos um fanzine sem dividir as tarefas ou dar um roteiro claro, os dois ficaram bem perdidos.
E é isso! Acho que tá tudo aí sobre como tô lidando com essa habilidade na sala de aula. No final das contas, o importante é sempre observar bem os alunos no dia a dia e adaptar conforme a necessidade deles. Espero que tenha ajudado alguém aqui! Agora vou lá preparar mais umas aulas. Grande abraço pra todo mundo desse fórum!