Olha, essa habilidade EM13LP14 da BNCC nada mais é do que ensinar os meninos a lerem imagens e vídeos de um jeito mais crítico. A ideia é a gente ajudar a galera a entender que não é só texto que conta história. Tem todo um conjunto de elementos visuais e sonoros que influenciam na maneira como interpretamos uma mensagem. Tipo, como uma cor mais escura pode dar um tom mais sério pra uma cena, ou como uma música animada pode fazer a gente se sentir mais feliz vendo um vídeo. Isso tudo eles já começam a ver no primeiro ano do ensino médio, mas no segundo a gente aprofunda. A galera precisa ser capaz de identificar essas escolhas e discutir o impacto delas.
Agora, vou contar como isso rola na prática com três atividades que eu costumo fazer com os alunos.
Primeira atividade é a análise de curtas-metragens. Eu escolho alguns curtas que estão disponíveis online, geralmente no YouTube, porque são fáceis de acessar e gratuitos. Organizamos a turma em grupos de cinco ou seis, porque ajuda a galera a trocar ideias e perceber coisas que talvez não veriam sozinhos. Depois de assistir, peço pra cada grupo escolher uma cena e destrinchar o que viram. Eles têm que falar sobre o enquadramento, a iluminação, a trilha sonora... tudo mesmo. Dura umas duas aulas, porque na primeira eles assistem e anotam as primeiras impressões, e na segunda fazem a análise mais completa pra apresentar pro restante da turma.
Uma vez, o grupo da Mariana escolheu um curta que tinha uma cena num parque à noite. Eles perceberam como o diretor usou poucas luzes pra criar uma sensação de mistério e tranquilidade ao mesmo tempo. A Mariana comentou sobre uma música suave no fundo que ajudava isso. Aí eu perguntei como seria diferente se fosse uma música agitada, e eles começaram a discutir como isso mudaria o sentido completamente.
A segunda atividade é criar um fotolivro. Aqui eu peço pros alunos tirarem fotos com o celular, já que tá na mão de todo mundo hoje em dia. A missão é contar uma história em cinco a sete fotos, prestando atenção nos elementos visuais que falamos antes: ângulo, cor, foco... Eles também têm que pensar na sequência das imagens, como se fosse um filme mudo. Aí cada aluno apresenta seu fotolivro contando qual era a intenção em cada foto.
Teve uma vez que o Caio se empolgou tanto com essa atividade que ele fez um fotolivro todo preto e branco sobre o cotidiano da avó dele. As fotos eram de coisas simples tipo ela fazendo café ou passando roupa, mas ele conseguiu transmitir muito carinho e rotina nas imagens. Quando ele explicou pra turma, foi legal ver como eles começaram a prestar mais atenção nesses pequenos detalhes.
Por último, faço uma atividade de remixagem de vídeos. Dou um vídeo sem som pra eles e peço pra criarem uma nova trilha sonora ou inserir efeitos sonoros com aplicativos gratuitos de edição de áudio e vídeo. A galera adora isso porque é bem prático e dá pra usar a criatividade solta! Dependendo do vídeo que eles escolhem, pode levar umas três aulas, porque tem que editar certinho e testar várias ideias até achar o som que encaixa.
Uma turma passada remixou uma cena de filme antigo e colocaram uma música eletrônica bem moderna por cima. Foi engraçado ver como isso mudou completamente o clima da cena! O João até comentou: “É tipo dar vida nova ao passado”. E foi bem isso mesmo!
Essas atividades são boas porque os alunos não só praticam o olhar crítico sobre as escolhas dos diretores ou produtores como também experimentam na pele o processo criativo. Assim eles percebem que cada decisão visual ou sonora num vídeo ou imagem é pensada pra provocar alguma sensação na gente.
Bom, vou parando por aqui. Espero que essas ideias ajudem vocês aí na sala também! Bora continuar trocando experiências!
E olha, no dia a dia de sala de aula, eu vou percebendo que os alunos estão pegando a habilidade quando eles começam a comentar e debater entre si de um jeito mais profundo sobre o que viram ou leram. Tipo assim, teve uma vez que eu tava circulando pela sala enquanto eles estavam em grupos, e ouvi a Mariana comentando com o João sobre um anúncio publicitário. Ela disse algo como "Olha só, João, eles usaram essa cor azul porque transmite confiança, e o som de fundo é bem suave pra gente se sentir tranquilo com a marca". Na hora pensei: "Ah, essa entendeu". Aí, quando você vê um aluno explicando pro outro é um sinal muito positivo também. Tipo o Lucas uma vez falou pro Pedro que "a música desse vídeo tá em tom menor e isso faz a cena parecer mais dramática" — e eu fiquei só de canto, observando e pensando que o Lucas captou a mensagem.
Agora, falando dos erros mais comuns... Bom, um erro que vejo bastante é a galera se prender demais no texto escrito e esquecer da análise dos elementos visuais e sonoros. A Ana, por exemplo, fez isso numa atividade. Ela descreveu o texto direitinho, mas não mencionou nada sobre as cores ou músicas do vídeo. E isso geralmente acontece porque eles já tão mais acostumados com texto escrito mesmo, aí acabam focando só nisso. Quando eu pego esse erro na hora, dou uma parada rápida pra mostrar pra eles na prática: "Ana, repara nessa cena aqui. Que mensagem essa cor tá passando pra você?". Aí ela dá aquela pensada e percebe a importância.
Outro erro é na interpretação equivocada das emoções ou intenções do vídeo por causa da trilha sonora. O Gustavo achou que uma cena era triste só porque tinha música lenta, mas na verdade a cena era de nostalgia — é um detalhe sutil mas faz diferença. Quando rola isso, eu gosto de mostrar cenas similares com diferentes músicas pra eles sacarem como muda tudo.
Agora sobre o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA... Bom, com o Matheus, eu procuro deixar as atividades mais dinâmicas e com intervalos curtos pra ele não perder o foco. Por exemplo, em vez de ficar meia hora vendo um vídeo direto, a gente vê pedaços pequenos com pausas pra discussão. Pra ele funciona bem porque consegue absorver melhor em partes menores. Ah, e também dou sempre essas opções de estar em movimento quando precisar — tipo ir buscar um material ou ajudar a distribuir algo na sala — só pra ele dar uma arejada na cabeça.
Já com a Clara que tem TEA, eu procuro usar bastante material visual porque é o que ela responde melhor. Se tem uma análise de filme ou vídeo pra fazer, eu já separo imagens-chave da sequência pra ela poder olhar com calma antes de assistir tudo de uma vez. E tento manter sempre uma rotina constante nas atividades, porque mudança brusca desorganiza ela. Uma vez tentei mudar tudo de última hora e percebi que não rolou muito bem; deixou ela bem ansiosa. Então agora sigo um cronograma que ela conhece bem.
Eu acho importante escutar os sinais deles e adaptar conforme necessário. Cada aluno tem seu jeito de aprendizado e cabe a nós ficar atentos e ajudar no que for preciso.
Bom pessoal, acho que é isso. Espero ter colaborado aí com algumas dicas do dia a dia mesmo. A gente segue nesse caminho de aprender junto com os alunos né? Qualquer coisa tô por aqui no fórum. Até mais!