Olha, essa habilidade EM13LP09 da BNCC, pra mim, é sobre mostrar pros meninos que a língua que a gente fala e a que a gente escreve não são sempre a mesma coisa. E tá tudo bem! A gente precisa entender que existem várias formas de se comunicar e que todas elas têm seu lugar. A habilidade fala sobre comparar a gramática tradicional com as gramáticas mais modernas e entender por que a escola ainda foca tanto na norma-padrão. Basicamente, quer que os alunos consigam perceber essas diferenças e entendam por que, por exemplo, falamos de um jeito com os amigos e escrevemos de outro no trabalho ou na escola.
Pra que eles peguem essa ideia, a turma já vem com alguma bagagem do fundamental. Eles sabem que existe uma diferença entre linguagem formal e informal, mas às vezes ficam meio perdidos com o porquê dessas diferenças, sabe? Então o nosso papel é ajudar a clarear isso. Por exemplo, entender que é normal dizer "nós vai" na conversa do dia a dia e "nós vamos" num texto formal é o tipo de coisa que eles precisam conseguir fazer.
Agora, vou te contar três atividades que faço na minha sala pra trabalhar essa habilidade:
Primeiro, eu gosto de começar com uma atividade bem prática: fazer os alunos levarem conversas reais pro papel. Eu peço pra eles anotarem um diálogo que ouvem por aí, pode ser em casa com a família ou no ponto de ônibus com os amigos. Depois trazem isso pra sala e a gente discute juntos. O material é simples: só papel e caneta mesmo. Organizamos em grupos pequenos de 3 ou 4 alunos e levamos uma aula inteira pra essa atividade, tipo uns 50 minutos. Da última vez, a Júlia trouxe um diálogo hilário entre ela e a irmã sobre quem ia lavar a louça. Aí a gente discute como seria esse mesmo diálogo se fosse num texto escrito, por exemplo, numa redação ou num email formal. É legal ver como eles reagem quando percebem as diferenças de tom e formalidade.
Outra atividade que faço é comparar textos de diferentes épocas. Uso um conto do Machado de Assis e uma crônica moderna da internet (geralmente algum texto do Gregório Duvivier ou da Tati Bernardi). Aí distribuo os textos impressos pra cada aluno e peço pra lerem primeiro individualmente. Depois, organizo em duplas pra discutirem as diferenças de linguagem, vocabulário e estrutura. Essa leva umas duas aulas, porque na primeira eles leem e discutem, e na segunda a gente partilha as análises em grupo maior. Os alunos ficam sempre surpresos com o quão formal o Machado soa pros ouvidos deles hoje em dia. O João Vitor comentou uma vez que parecia outro idioma! Essa atividade ajuda eles a visualizarem como até na escrita formal existe variação ao longo do tempo.
Por fim, faço um tipo de debate relâmpago. Divido a turma em dois grupos: um defende o uso da norma-padrão na escola e o outro defende que seria melhor usar uma linguagem mais próxima do dia-a-dia dos alunos. Dou uns 15 minutos pra cada grupo se preparar, aí cada grupo tem 5 minutos pra expor seus argumentos e depois temos uma discussão aberta onde todos participam. Da última vez foi ótimo ver como os meninos se engajaram! A Raquel levantou um ponto interessante sobre como a língua formal pode excluir muitas pessoas que não têm acesso fácil à educação mais tradicional. Isso gerou uma baita discussão sobre inclusão social e linguagem.
Essas atividades são legais porque ajudam os meninos a perceberem que não existe um jeito certo ou errado de falar ou escrever — tudo depende do contexto. E isso é importante não só pra desenvolver a habilidade EM13LP09, mas também pra vida deles como um todo. Eles saem dessas experiências mais críticos e conscientes da importância da comunicação em diferentes cenários.
E assim vou levando com essa galera animada, tentando sempre puxar pra realidade deles, porque acho que é aí que aprendem de verdade. Se tiverem mais dicas ou quiserem trocar ideias sobre outras habilidades, tô por aqui! É só chamar!
Agora, pra saber se os meninos entenderam mesmo essa habilidade sem precisar de uma prova formal, eu fico bem de olho nas conversas deles, principalmente quando estou circulando pela sala durante as atividades. Por exemplo, às vezes vejo quando um aluno tá tentando escrever um texto e vira pro colega do lado e pergunta: "Ué, mas eu posso começar frase assim?" ou "Será que isso aqui tá muito informal?". Quando eles começam a questionar essas coisas, tipo se podem usar uma palavra mais na norma-padrão ou se dá pra misturar um pouco mais a linguagem do dia a dia, é um sinal de que eles tão percebendo as diferenças na prática. Um dia desses, ouvi a Luana explicando pro Felipe que não tinha problema usar uma expressão mais coloquial no rascunho, mas que na versão final talvez fosse melhor adaptar. Aí eu pensei: "Ah, essa entendeu!". É nessa troca que você percebe que a coisa tá indo.
Agora, sobre os erros mais comuns que os alunos cometem nesse conteúdo, eu vejo muito o pessoal confundindo registro formal com exagero. Tipo assim, o João Pedro uma vez escreveu um parágrafo todo rebuscado, cheio de palavras difíceis, mas sem sentido nenhum com o contexto. Ele achava que pra ser formal tinha que ser complicado. Aí quando pego esse tipo de erro na hora, procuro mostrar pros alunos que ser formal não significa ser complicado. Dou exemplos de textos simples e diretos, mas que ainda assim seguem as normas. Mostro também como a clareza é importante. Outro erro comum é achar que o jeito de falar na internet pode ser transferido igualzinho pro texto escrito na escola. A Ana Clara fez isso numa redação e aí expliquei pra ela que cada contexto tem suas próprias regras e que tá tudo bem mudar de registro dependendo da situação.
Sobre o Matheus, que tem TDAH, procuro adaptar as atividades deixando mais dinâmico e dividindo em partes menores pra ele conseguir focar melhor. Às vezes uso timers visuais ou listas de tarefas, assim ele consegue ir acompanhando o próprio progresso e não se perde tanto no meio da atividade. Já percebi que quando faço atividades em grupo, ele se envolve mais e se sente mais motivado porque tem os colegas ali pra ajudar a manter o foco. Coisas como debates ou rodas de conversa também funcionam bem pra ele. Agora, ficar só copiando do quadro ou lendo textos longos parece que não rola muito... ele dispersa fácil.
Com a Clara, que tem TEA, geralmente adapto o material visual. Procuro usar mais imagens e esquemas gráficos que ajudam ela a entender e organizar as ideias melhor. Costumo dar instruções mais claras e passo a passo pra ela não ficar perdida. Acho bem importante também dar um tempo extra quando ela precisa terminar uma atividade, porque às vezes ela demora um pouco mais pra processar tudo. Já tentei usar vídeos curtos também e isso pareceu ajudar bastante ela a se interessar pelo conteúdo. O que percebo é que ter uma rotina clara e previsível ajuda muito. Surpresas ou mudanças bruscas de atividade não funcionam tão bem porque acabam deixando ela ansiosa.
É isso galera... no dia a dia da sala de aula é sempre uma aventura diferente! Cada dia é um aprendizado novo não só pros alunos como pra gente também. Espero ter ajudado com essas dicas e experiências... vamos trocando ideia por aqui! Abraço!