Olha, essa habilidade EM13LP04 da BNCC no final das contas é sobre ajudar os alunos a fazer ligações entre diferentes textos e discursos. É mais ou menos assim: eles precisam pegar um texto, entender o que ele está dizendo e conseguir ligar isso com outro texto ou com o que já sabem. Na prática, é como se eles tivessem que juntar as partes de vários quebra-cabeças pra formar um quadro completo. A ideia é que eles usem citações e paráfrases pra construir argumentos sólidos. Não é só repetir o que já leram, mas sim usar isso pra explicar suas próprias ideias ou pra sustentar uma análise. Quando penso nos alunos do 1º ano do Ensino Médio, eles já chegam com alguma bagagem de leitura e escrita do Fundamental, mas ainda precisam desenvolver esse olhar crítico, sabe?
Uma vez que os alunos têm que aprender a fazer essas ligações entre textos, a gente começa com coisas que eles já gostam ou conhecem. A primeira atividade que faço é um debate simples usando músicas e letras atuais. Eu trago algumas letras impressas, geralmente de artistas que tão na boca da galera. Aí, divido a turma em grupos e cada grupo fica com uma letra diferente. Em cerca de duas aulas, cada grupo precisa discutir o tema da música e relacionar com algum acontecimento atual ou filme que conheçam. Por exemplo, da última vez a Letícia pegou uma música da Anitta e conseguiu traçar um paralelo super interessante com situações de empoderamento feminino em filmes como Mulher-Maravilha. Eles ficam super empolgados quando percebem que conseguem usar coisas que gostam pra construir um argumento.
A segunda atividade é trabalhar com textos jornalísticos e literários. Eu pego uma notícia atual e um conto ou poema relacionado ao mesmo tema — pode ser coisa simples mesmo, tipo uma notícia sobre mudanças climáticas e um poema sobre a natureza. Primeiro discutimos o conteúdo de cada texto em sala de aula, o que leva mais ou menos uma aula inteira. Depois, peço que escrevam um parágrafo relacionando os dois textos usando citações e paráfrases. Eles têm mais uma aula pra escrever e depois apresentarem o que fizeram. Um dia o Pedro surpreendeu mostrando como uma matéria sobre desmatamento no Brasil se conectava com a tristeza presente num poema do Carlos Drummond de Andrade. Até eu fiquei emocionado com a interpretação dele.
E tem também a famosa roda de leitura, que eu gosto muito porque dá liberdade pros alunos falarem mais abertamente. Proponho um livro ou conto curto — algo acessível — e depois da leitura fazemos uma roda de conversa. Nessa atividade eles precisam trazer outros livros ou textos que tenham alguma ligação com o que leram. Dessa vez, usei "O Alienista", do Machado de Assis, e a turma se dividiu em pequenos grupos pra discutir diferentes aspectos. Em outra aula, reunimos tudo em forma de um painel onde cada grupo colocou suas conexões e ideias principais escritas em cartazes. O Joãozinho trouxe até uma referência de uma série da Netflix sobre questões relacionadas à loucura e sanidade, fazendo o link com o comportamento das personagens do Machado.
O legal dessas atividades é que dá pra ver os meninos se animando quando percebem que conseguem amarrar as ideias e fazer essas conexões por conta própria. Eles começam a ver sentido em tudo aquilo que leem e isso vai dando uma segurança maior na hora de argumentar sobre qualquer coisa, seja em sala ou fora dela. E assim vai fluindo nossa caminhada com essa habilidade da BNCC.
Bom, vou ficando por aqui porque já falei demais hoje! Espero ter ajudado vocês a pensar em formas práticas de trabalhar essa habilidade na sala de aula! Até a próxima!
Quando eu tô na sala de aula, dá pra perceber de cara quando os meninos começam a pegar o jeito dessa habilidade. Tipo, você tá ali circulando pela classe, ouvindo as conversas, e aí escuta o João falando pra Ana: "Não, mas isso aqui é como o que a gente viu naquele outro texto, lembra?". Essa é a hora que eu penso "ah, esse entendeu". E não para por aí, viu. Tem momentos em que um aluno levanta a mão e fala: "Professor, mas isso aqui tá igual ao que aquele autor disse sobre...". Aí eu sei que eles estão começando a fazer essas conexões importantes entre os textos.
Outra coisa bacana é quando eles começam a explicar as coisas uns pros outros. Teve um dia que a Vanessa tava com dificuldade e o Lucas chegou pra ela e disse: "Olha, pensa nisso como se fosse aqueles dois textos que a gente leu semana passada, sabe?". Aí a Vanessa deu aquele sorrisinho de quem sacou a parada. Momentos assim mostram que eles não só entenderam o conteúdo, mas também tão conseguindo aplicar no dia a dia.
Agora, erros acontecem e são super comuns. E é normal mesmo, né. Por exemplo, um erro que vejo muito é a galera querer usar citação simplesmente por usar. Tipo o Pedro... Ele achou uma frase super bonita num texto e jogou na redação dele sem pensar muito se fazia sentido ali. Aí você tem que sentar com ele e explicar: "Pedro, olha só, não é só sobre colocar uma frase de efeito. Tem que ver se isso realmente ajuda a construir seu argumento". Esse tipo de erro geralmente vem da ansiedade de querer mostrar conhecimento ou simplesmente de não ter entendido bem como conectar as ideias.
Outro erro comum é na paráfrase. No caso da Júlia, ela tentou fazer uma paráfrase mas acabou escrevendo quase igualzinho ao texto original. Quando acontece isso, explico que paraphrasear é mais sobre reescrever com suas próprias palavras do que mudar algumas aqui e ali. Dou exemplos práticos na hora, tipo transformando a frase junto com eles até eles entenderem qual é a ideia.
Quanto ao Matheus e à Clara, cada um tem seu jeitinho especial de aprender. O Matheus tem TDAH e eu percebi que ele se sai melhor com atividades mais dinâmicas. Então eu tento incorporar jogos educativos ou tarefas que tenham mais movimento. Sabe aquela coisa de usar cartazes ou fazer debates em pé? Funciona muito bem pra ele. Outra coisa é dividir as tarefas em partes menores e ir acompanhando cada etapa pra ele não se perder.
Já com a Clara, que tem TEA, as histórias são um pouco diferentes. Ela gosta de ter uma rotina bem definida. Então procuro manter sempre o mesmo formato nas atividades pra ela saber o que esperar. Também uso alguns materiais visuais pra ajudar na compreensão dela. Uma vez tentei algo mais abstrato e percebi que não rolou muito bem. Logo voltei pro concreto: diagramas simples, esquemas claros. E olha, quando ela pega alguma coisa, ela explica pros colegas de um jeito tão único que até me surpreende.
E acho importante também dar tempo suficiente pra ambos terminarem suas tarefas no ritmo deles. Tem dia que funciona melhor e tem dia que nem tanto, mas faz parte do processo de aprendizado deles.
Bom pessoal, acho que é isso por hoje! Sempre aprendendo junto com os meninos aqui na escola. Se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar experiências parecidas, tô sempre por aqui no fórum pra gente trocar umas ideias! Abraços!