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EM13LP40Língua Portuguesa · 2º EM Ano · Ensino Médio

Analisar o fenômeno da pós-verdade - discutindo as condições e os mecanismos de disseminação de fake news e também exemplos, causas e consequências desse fenômeno e da prevalência de crenças e opiniões sobre fatos -, de forma a adotar atitude crítica em relação ao fenômeno e desenvolver uma postura flexível que permita rever crenças e opiniões quando fatos apurados as contradisserem.

CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, essa habilidade EM13LP40 da BNCC, que fala do fenômeno da pós-verdade, eu entendo como uma maneira de ensinar os alunos a perceberem que nem tudo que tá por aí na internet é verdade. É como se a gente tivesse que dar pra eles uma espécie de "filtro" pra passar todas as informações antes de acreditar. Sabe quando a gente recebe aquelas mensagens do WhatsApp que parecem absurdas? Então, é isso. Eles precisam desenvolver essa desconfiança saudável e aprender a checar os fatos. Eu costumo dizer pros meninos que é como ser um detetive da verdade: você vai lá, busca evidências, compara informações e aí sim tira suas conclusões.

Lá no segundo ano do ensino médio, os alunos já vêm com uma noção de interpretação de texto e de análise crítica das informações que a gente trabalhou bastante no primeiro ano. Então, eles já sabem que a gente precisa sempre olhar além do que tá na cara. Mas quando a gente entra nesse lance de pós-verdade, notícias falsas, e como isso afeta o nosso jeito de entender o mundo, é algo mais profundo. Eles precisam saber não só identificar uma fake news, mas também entender por que essas coisas se espalham tão rápido e quais são as consequências disso na nossa vida cotidiana. A ideia é que eles consigam não só analisar, mas também mudar de ideia se os fatos provarem que estavam errados.

Uma das atividades que eu faço é a famosa "roda de fake news". É bem simples: eu levo recortes de notícias (algumas verdadeiras e outras falsas) e distribuo entre os grupos. Normalmente uso umas impressões em papel mesmo ou mostro no projetor da sala se for algo mais digital. Divido a turma em grupos de 5 ou 6 pessoas e peço pra cada grupo analisar as notícias e apresentar pro resto da sala qual é verdadeira e qual é falsa, explicando o porquê. Essa atividade costuma levar uns 50 minutos, mais ou menos uma aula inteira. A galera se empolga bastante, principalmente quando descobrem histórias muito bizarras. Teve uma vez que o João ficou chocado porque achou que uma notícia sobre um peixe gigante achado no Tietê era verdade. Depois, discutimos como ele podia ter verificado aquilo antes.

Outra atividade que dá super certo é fazer um "debate das crenças". Aqui eu peço pra turma listar algumas crenças comuns ou polêmicas e depois dividir a turma entre quem concorda e quem discorda de cada uma. Funcionam bem aquelas questões tipo "terra plana" ou "vacina causa autismo". Antes do debate começar, cada grupo tem que preparar seus argumentos. Pra isso eles podem usar o celular pra pesquisar (com critério, claro). Costumo dar uma aula inteira pra pesquisa e preparação e outra pro debate em si. Não é raro ver uns alunos mudarem de ideia no meio do caminho. Na última vez, a Ana começou defendendo umas teorias meio estranhas sobre comida saudável e terminou o debate falando que ia pesquisar mais sobre o assunto porque ficou na dúvida.

Por fim, gosto de propor uma atividade chamada "jornal do futuro". Peço pros alunos criarem uma notícia fictícia sobre algo bem futurista (tipo viagem interplanetária) e depois discutir em sala quais elementos fariam essa notícia parecer real ou falsa. Aqui o material é basicamente papel e caneta ou o computador da sala se for o caso. Isso leva umas duas aulas: uma pra criação e outra pra discussão. Dessa vez foi engraçado porque o Pedro fez uma notícia sobre cachorros robôs tomando conta das ruas, mas esqueceu de incluir fontes confiáveis na sua história fictícia. A turma toda caiu matando nele falando "mas tá faltando provar isso aqui", aí ele riu e disse "é verdade, professor, não vou ser pego mais não".

Envolver os meninos nessas atividades práticas ajuda muito porque tira eles daquela passividade de só ouvir o professor falar. Eles botam a mão na massa e acabam percebendo na prática como é fácil cair numa fake news se a gente não tiver cuidado. E mais importante: desenvolvem esse olhar crítico necessário pra vida fora da escola também.

Então é isso galera! Espero que essas ideias ajudem vocês aí nas salas de aula também! Qualquer coisa é só perguntar!

E aí, continuando nosso papo sobre a habilidade EM13LP40, queria compartilhar um pouco sobre como eu vejo se os meninos pegaram a ideia sem precisar aplicar uma prova formal. Sabe aquele momento que você tá circulando pela sala, dando uma olhada nos cadernos, ouvindo o burburinho das conversas? Então, ali é que a mágica acontece. Por exemplo, teve uma vez que o João e a Mariana estavam discutindo sobre uma notícia que tinham visto no celular. Aí eles começaram a fazer perguntas um pro outro: "Mas será que essa fonte é confiável?" "Quem que escreveu isso?" E eu lá do outro lado da sala só pensava: "Ahá! Pegaram o espírito da coisa!"

Outro dia, vi a Luana explicando pro Felipe como ela tinha checado uma informação sobre um evento político. Ela pegou o celular e mostrou pra ele os sites que conferiu, falou dos diferentes pontos de vista e tudo. Cara, vi que ela realmente entendeu o papel de detetive da verdade! Acho que essas interações entre eles são muito ricas, porque um vai aprendendo com o outro e vão se ajudando a construir esse olhar crítico.

Agora, claro que nem tudo são flores. Os erros comuns acontecem também. O Pedro, por exemplo, tem mania de confiar demais na primeira coisa que lê. Aí já é dor de cabeça porque ele chega cheio de certezas. Teve um dia que ele trouxe uma teoria da conspiração toda maluca pra sala e tava convencido de que era verdade só porque viu em um site aleatório. A galera até deu risada, mas aí foi a hora de eu intervir e mostrar pra ele como procurar fontes confiáveis. Acho que esses erros acontecem porque, na pressa do dia a dia, eles esquecem de aplicar aquele filtro crítico que tanto falamos.

Quando pego um erro assim na hora, tento transformar aquilo em aprendizado pra todos. Faço perguntas abertas tipo "Como você verificou essa informação?" ou "Quais foram as fontes que você usou?". Isso ajuda não só o aluno em questão mas também os outros a irem se acostumando com o processo.

Agora deixa eu falar do Matheus e da Clara, dois alunos bem especiais na minha turma. O Matheus tem TDAH e a Clara tá dentro do espectro autista, e claro que eu preciso adaptar algumas coisas pra eles. Pro Matheus, às vezes é difícil manter a atenção nas explicações mais longas. O que funciona bem é quebrar as atividades em partes menores e mais focadas. Tipo assim, um passo de cada vez, sabe? E uso muito material visual pra prender a atenção dele.

Já com a Clara, criar uma rotina clara e previsível é fundamental. Ela se sente mais confortável sabendo o que vem em seguida. E olha, uma coisa que funcionou bem com ela foi usar mapas mentais pra organizar as ideias; facilita muito na hora dela entender e processar as informações.

Uma coisa que não deu certo foi tentar fazer tudo isso sem consultar eles antes. No começo do ano passado eu preparei todo um material achando que tava arrasando e, quando fui ver, não rolou porque eu não tinha perguntado como eles preferiam aprender. Depois disso sempre levo em conta as preferências deles e tento ajustar as atividades conforme eles vão me dando feedback.

Bom, acho que falei bastante por hoje! É sempre bom poder compartilhar essas experiências com vocês aqui no fórum. Vou ficando por aqui, mas qualquer coisa a gente vai se falando por aqui mesmo ou manda mensagem! Um abraço!

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