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EM13LP38Língua Portuguesa · 1º EM Ano · Ensino Médio

Analisar os diferentes graus de parcialidade/imparcialidade (no limite, a não neutralidade) em textos noticiosos, comparando relatos de diferentes fontes e analisando o recorte feito de fatos/dados e os efeitos de sentido provocados pelas escolhas realizadas pelo autor do texto, de forma a manter uma atitude crítica diante dos textos jornalísticos e tornar-se consciente das escolhas feitas como produtor.

CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, essa habilidade EM13LP38 da BNCC pode parecer complicada de primeira, mas na prática ela se resume a ensinar os meninos a lerem notícias com um olhar crítico, sabe? A ideia é que eles consigam perceber se o texto tá puxando sardinha pra algum lado ou se tá sendo bem neutro. E isso é super importante hoje em dia, né? Com tanta informação rolando por aí, eles têm que aprender a filtrar e entender o que tão lendo. Então, a gente precisa fazer com que eles comparem notícias de diferentes fontes, vejam como cada uma apresenta o mesmo fato e tentem identificar as intenções por trás de cada texto.

Os alunos já vêm do 1º ano do ensino médio com uma noção básica de interpretação de textos e leitura crítica. Eles já sabem identificar um pouco da opinião do autor em textos argumentativos, então a gente só vai aprofundar isso e focar em textos noticiosos. A meta é que eles consigam perceber nuances, tipo quem tá sendo favorecido na notícia ou se o autor tá omitindo alguma informação importante pra fazer o leitor pensar de uma certa forma.

Uma atividade que funciona super bem é o que eu chamo de "Rinha de Notícias". Eu pego duas ou três notícias sobre o mesmo fato de fontes diferentes. Pode ser de jornais online aqui do Brasil mesmo, coisa bem acessível. Normalmente eu escolho algo que tá bombando no momento, tipo uma decisão política ou um evento esportivo polêmico. Divido a turma em grupos pequenos, de quatro ou cinco alunos no máximo. Aí cada grupo fica responsável por analisar uma notícia e depois a gente discute em sala, todo mundo junto.

Esse exercício leva umas duas aulas pra fazer direito, porque na primeira aula eles leem e fazem anotações no grupo mesmo. Na segunda aula, cada grupo apresenta suas análises pros colegas e a gente faz um debate geral. Tem sido bem legal ver como eles vão pegando o jeito de perceber parcialidades. Na última vez que fizemos essa atividade, a Sara puxou um exemplo muito bom sobre como duas matérias sobre uma mesma manifestação popular tinham enfoques completamente diferentes – uma destacava a violência dos manifestantes e outra o motivo pacífico do protesto. Isso gerou uma baita discussão sobre como os jornalistas escolhem quais detalhes destacar.

Outra estratégia que eu uso é trazer vídeos curtos de telejornais com diferentes âncoras apresentando a mesma notícia. Porque não adianta só ficar no texto, né? As imagens e a fala também passam muita coisa. A galera assiste aos vídeos e em seguida faz uma análise das diferenças no tom de voz, na escolha das palavras e até na postura dos apresentadores. Isso ajuda eles a entenderem que tudo conta na hora de passar uma mensagem.

Normalmente eu uso duas aulas pra isso também: uma pra assistir os vídeos e discutir no grupo, outra pro debate mais amplo. E aqui é engraçado como os meninos reagem: teve uma vez que o João ficou impressionado ao perceber como um mesmo apresentador podia ter posturas tão diferentes dependendo da pauta! Ele até comentou como nunca tinha prestado atenção nisso antes.

Por fim, gosto de propor que eles criem uma notícia "neutra" baseada num fato recente. Eles têm que pegar informações de várias fontes e tentar montar um texto que passe as informações sem pender pra nenhum lado. Claro que isso é um desafio imenso – até porque sempre tem algum grau de subjetividade –, mas é bacana ver como eles se esforçam pra encontrar um equilíbrio.

Essa atividade é mais individual e leva umas duas semanas pra ser feita toda: primeiro eles pesquisam, depois escrevem o texto e finalmente fazem uma apresentação pros colegas onde explicam as escolhas que fizeram. Na última vez que fizemos isso, a Mariana trouxe uma notícia sobre mudanças climáticas e conseguiu ser bem justa em como apresentou os dados científicos versus as opiniões dos entrevistados. Foi legal ver como ela amadureceu na maneira de escrever.

E olha, no geral, os meninos têm gostado dessas atividades porque elas não são só teoria; eles realmente conseguem ver na prática como a leitura crítica faz diferença. E pra mim é gratificante ver essa evolução no pensamento deles. Agora é só continuar incentivando esse olhar criterioso porque, vamos combinar, tá precisando muito nesse mundo cheio de fake news! Mas enfim, acho que é isso aí por hoje. Abraço!

E aí, como é que eu sei que o aluno aprendeu mesmo sem aplicar prova formal? Bom, é uma questão de ficar atento a várias coisas na sala de aula. Quando eu tô circulando pela sala e vejo um aluno explicando pro outro com segurança, já dá pra sentir que ele pegou a ideia. Tipo, teve um dia que o João tava falando com a Maria sobre uma notícia que a gente tinha lido na aula anterior e ele começou a apontar como a manchete usava umas palavras pra dar aquele toque sensacionalista. Ele até comentou sobre como o texto fazia parecer uma coisa super dramática quando, na prática, não era bem assim. Olha, quando vejo isso, sei que o João entendeu o lance de ler criticamente.

Outra coisa é observar as conversas entre eles, bem no momento em que estão discutindo em grupo. Vou passando pelas mesas e escuto os comentários. Semana passada, ouvi o Pedro dizendo pra turma dele: "Gente, mas vocês perceberam que essa reportagem só entrevistou gente que concorda com a ideia principal?" Isso mostra que ele tá começando a sacar que a escolha das fontes também influencia na interpretação do texto. Esses detalhes do dia a dia falam muito sobre o aprendizado deles.

Agora, falando dos erros mais comuns que os alunos cometem nesse conteúdo, tem algumas coisas que acontecem direto. Um exemplo clássico é a galera se perder na identificação de opinião e fato. A Júlia, por exemplo, tava lendo um parágrafo e disse: "Ah, ele tá dizendo que isso vai causar um impacto enorme no país," como se fosse um fato consumado. Aí eu pergunto: "Júlia, mas a matéria apresenta alguma pesquisa ou dado concreto que sustente isso?" E ela percebe que não tem nada disso ali, era só uma suposição do jornalista. Esses erros ocorrem porque muitos ainda não têm o hábito de questionar fontes e informações, então aceitam tudo como verdade absoluta.

E quando pego esses erros na hora, paro tudo e faço uma intervenção rápida. Digo algo como: "Pessoal, bora refletir aqui: será que essa informação é mesmo um fato ou é só uma opinião do autor?" Isso ajuda muito porque vai treinando eles a questionarem e não engolirem qualquer coisa que leem.

Sobre adaptar as atividades pra atender o Matheus que tem TDAH e a Clara com TEA, faço algumas mudanças práticas no dia a dia. Pro Matheus, eu sempre tento dividir as atividades em partes menores. Tipo assim, se tem um texto grande pra analisar, entrego pra ele em segmentos mais curtos ao longo da aula. Isso ajuda ele a manter o foco sem se sentir sobrecarregado. E uma coisa que funciona bem é usar cronômetros — deixo ele colocar no celular dele pra marcar pequenos intervalos de foco.

Já com a Clara, eu busco usar mais recursos visuais e esquemas. Às vezes faço uns resumos em quadrinhos ou diagramas de fluxo quando vamos analisar textos. Isso ajuda ela a entender melhor as relações entre as ideias. Também deixo ela usar fones de ouvido com música instrumental quando precisa se concentrar mais nas leituras.

Mas nem tudo sempre funciona de primeira. Tentei uma vez usar vídeos longos explicativos achando que ia ajudar tanto o Matheus quanto a Clara. No fim das contas, percebi que eles ficavam mais dispersos ainda. Então agora prefiro vídeos curtos e diretos.

A organização do tempo também é importante. Para o Matheus, dou tempo extra nas atividades em que ele precisa se concentrar mais e acompanho de perto para ver se ele não se perde no meio do caminho. Para Clara, às vezes deixo ela escolher por onde quer começar — se pelo visual ou leitura — dependendo do dia dela.

Bom, acho que é isso. Cada dia em sala traz um desafio diferente e aprender junto com os meninos faz parte do processo. A gente tem que estar sempre disposto a ajustar as velas conforme o vento muda, né? Espero que essas experiências ajudem alguém por aí também.

Até mais!

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