Olha, essa habilidade EF05ER02 da BNCC, que fala sobre os alunos identificarem mitos de criação em diferentes culturas e tradições religiosas, é uma coisa bem interessante de trabalhar no 5º Ano. Na prática, a gente tá querendo que os meninos consigam reconhecer e entender as histórias que explicam como o mundo começou segundo diferentes povos e religiões. A ideia não é só saber que existem essas histórias, mas também perceber as semelhanças e diferenças entre elas, ver como cada cultura pode ter sua própria maneira de contar a origem do universo. E eles já vêm com uma base do 4º Ano, onde começam a se familiarizar com narrativas e histórias mais simples, então é um passo adiante nesse entendimento.
Quando falo de mitos de criação, tô pensando, por exemplo, na história cristã da Criação do mundo em sete dias, ou no mito indígena dos Yanomami sobre o surgimento da Terra a partir de um ovo cósmico. O aluno precisa conseguir ouvir essas histórias e falar algo como: "Olha, essa história aqui também fala de animais como essa outra" ou "Essa aqui fala que o mundo nasceu da água, enquanto aquela fala de um ovo". Eles precisam começar a comparar e refletir sobre essas narrativas.
Agora vou contar três atividades que costumo fazer na minha sala pra trabalhar isso.
A primeira é uma roda de leitura. Eu pego textos curtos sobre mitos de criação de diferentes culturas. Já usei um livrinho muito bom que tem umas versões simplificadas dessas histórias. Se não me engano, chama "Histórias do Mundo: Mitos de Criação". A turma fica sentada em círculo e eu começo lendo uma história. Depois os alunos se revezam na leitura das outras. Normalmente isso leva uns 40 minutos numa aula. Eles adoram ler em voz alta e sempre rola uma discussão animada no final. Uma vez, quando estávamos lendo sobre o mito Maori do Pai Céu (Rangi) e Mãe Terra (Papa), a Fernanda comentou: "Parece um pouco com Adão e Eva, né? Só que aqui são o céu e a terra!" Isso partiu uma conversa ótima sobre como diferentes culturas podem ter temas parecidos.
Outra atividade que faço é uma espécie de colagem coletiva. Eu trago revistas velhas, papel colorido, cola e tesoura. Peço pra eles formarem grupos de 4 ou 5 pessoas. A missão deles é criar uma "cena" representando um dos mitos que discutimos. Cada grupo escolhe uma história diferente pra representar visualmente. Normalmente essa atividade ocupa umas duas aulas seguidas de 50 minutos cada. Os alunos ficam super animados e soltam a criatividade. Da última vez, o grupo do João criou uma cena usando recortes de revista pra representar o mito da tartaruga do povo Cherokee carregando o mundo nas costas. Quando eles apresentaram, o João explicou: "Nós colocamos as árvores e os animais na tartaruga porque eles acreditam que ela carrega tudo isso".
A terceira atividade é um debate. Eu divido a turma em dois grupos e dou a cada grupo um mito diferente do qual falamos nas aulas anteriores. Depois peço pra eles apresentarem para os outros o mito escolhido e falar sobre o que acharam interessante ou diferente nele. Essa atividade é bem legal porque os alunos conseguem argumentar entre si e aprender uns com os outros. Dura mais ou menos 30 minutos, mas sempre se estende porque ninguém quer parar! Na última vez que fizemos isso, a Maria ficou super empolgada comparando o mito egípcio do deus Ra com a criação dos maias, dizendo: "E se Ra fosse irmão dos deuses maias? Porque olha aqui, os dois falam do Sol!"
Eu acho importante abrir espaço pra eles falarem o que pensam sem medo de errar, porque é assim que o aprendizado realmente acontece. No ensino religioso, trabalhar essas habilidades ajuda muito na aceitação do outro e no respeito pelas diferenças culturais e religiosas.
É isso aí, galera! Trabalhar com mitos de criação pode ser muito divertido e enriquecedor pra eles (e pra gente também). E se vocês tiverem alguma atividade bacana nessa linha pra compartilhar, tô sempre aberto pra novas ideias! Até a próxima!
Olha, perceber que o aluno aprendeu sem aplicar aquela prova formal padrão é uma coisa que a gente vai pegando o jeito com o tempo. E vou te contar, muitas vezes é muito mais satisfatório. Aí, quando eu tô circulando pela sala, escutando as conversas dos meninos, eu presto atenção em como eles falam sobre os mitos de criação. Tipo assim, se eu percebo que a Helena tá contando pro colega do lado sobre o mito de criação dos indígenas brasileiros, e ela consegue fazer uma comparação com o mito grego sem ficar só na superficialidade, opa, aí eu já sei que ela tá entendendo a ideia. Ou quando o Joãozinho, que às vezes é mais quieto, levanta a mão e faz uma pergunta que mostra que ele ligou os pontos sobre as diferentes tradições, é um sinal claro de que a coisa tá funcionando.
Teve uma vez que eu tava ouvindo o Pedro explicando pro Lucas sobre o mito de criação egípcio. Ele falou algo tipo "Ah, os deuses criaram o mundo a partir das águas do caos e isso me lembra um pouco do mito babilônico que a gente viu", e pronto, ali tava claro que ele entendeu que os mitos podem ter elementos parecidos porque refletem preocupações humanas comuns. Essas pequenas trocas e momentos são ouro pra mim.
Agora, falando dos erros mais comuns, é normal confundir os mitos. Tipo, a Mariana às vezes troca as histórias de criação hindu com as histórias africanas por causa dos nomes complicados. Aí ela vem me perguntar: "Professor, qual era mesmo o deus que saiu de uma flor de lótus?" e eu vejo que a confusão é por conta da complexidade. Nessas horas, eu paro tudo e volto com eles nos elementos principais de cada mito, faço desenhos simples no quadro ou uso mapas mentais pra ajudar a fixar.
E sabe o Matheus? Ele tem TDAH e a gente precisa adaptar algumas coisas pra manter ele interessado e focado. Pra ele, eu costumo usar muito material visual. Vídeos curtos são ótimos porque prendem sua atenção por alguns minutos preciosos. Também dou pequenas tarefas em etapas curtas pra ele não se sentir sobrecarregado. Por exemplo, enquanto a galera lê um texto mais longo, ele pode estar destacando palavras-chave ou fazendo um desenho relacionado ao mito.
A Clara, que tem TEA, às vezes precisa de outro tipo de adaptação. Com ela, eu uso mais imagens claras e rotinas bem definidas. Ela se beneficia muito de um calendário visual das atividades do dia e eu busco dar instruções bastante diretas e passo a passo. No caso dela, o uso de objetos ou figuras tangíveis pode fazer uma diferença enorme. Uma vez trabalhei com ela usando bonecos representando personagens dos mitos e foi um sucesso total.
Claro que nem tudo funciona sempre. Já tentei usar um aplicativo interativo com o Matheus achando que ia ser legal por ser tecnologia, mas ele ficou ainda mais agitado e disperso. Com a Clara, tentei uma atividade em grupo maior achando que ia ajudar na socialização dela, mas ela acabou ficando muito desconfortável com tanta gente falando ao mesmo tempo.
Bom, essas são algumas das formas como eu percebo o aprendizado sem precisar daquela prova tradicional e como lido com os desafios diários da turma. A gente vai tentando de tudo um pouco e aprendendo junto com os alunos. No fundo, o que importa é ver eles se interessando pelas histórias e construindo seu próprio entendimento sobre as diversas culturas que existem no nosso mundo.
E assim vou seguindo por aqui, sempre buscando novos jeitos de tornar esse conteúdo mais acessível e interessante pra cada um deles. E vocês? Como fazem aí na escola de vocês? É sempre bom trocar umas ideias! Até mais!