Olha, a habilidade EF04ER04 da BNCC, do jeito que eu encaro, é como ajudar os meninos a perceber que o mundo é cheio de jeitos diferentes de expressar a espiritualidade. A ideia é que eles entendam que não existe só uma maneira certa de fazer isso, sabe? Que tem orações, cantos, danças, cada tradição com seu jeito de se conectar com o que acredita ser sagrado. Na prática, o aluno precisa conseguir reconhecer e respeitar essas diferenças. Imagina só, se ele vê uma pessoa fazendo uma oração diferente ou participando de um culto que ele nunca viu, ele tem que ser capaz de identificar aquilo como parte de uma manifestação religiosa e não estranhar ou julgar. E aí, isso se liga com o que a galera já viu na série anterior sobre valores e respeito ao outro. Agora avançamos pra algo mais concreto e visual.
A primeira atividade que faço com a turma é bem simples e divertida: um mural colaborativo sobre as manifestações religiosas. A gente começa conversando sobre o que eles já conhecem. Aí, eu levo algumas imagens impressas de diferentes práticas religiosas — um grupo em meditação, uma roda de capoeira (que muitos não sabem que tem um lado espiritual), pessoas em oração em uma mesquita, entre outras. Dou um tempo pra eles olharem e depois cada um escolhe uma imagem pra desenhar como entende aquilo ou o que sente vendo aquilo. Uso papel A4 e lápis de cor bem básicos. Colamos tudo num mural na sala. Organizo a turma em grupos pequenos pra poderem trocar ideias sobre o que desenharam ou escolheram. Isso leva mais ou menos umas duas aulas. Os alunos geralmente ficam bem animados e curiosos. Da última vez, o Pedro ficou fascinado com a imagem das pessoas meditando e desenhou ele mesmo meditando no meio da sala — até os amigos disseram "olha o Pedro zen!" e deram risada, mas no bom sentido.
Outra atividade que sempre rende boas conversas é a roda de conversa com convidados. Convido pessoas de diferentes tradições religiosas da comunidade para virem bater papo com os alunos. Já teve mãe-de-santo, pastor evangélico, praticante do budismo, enfim. Antes do encontro, preparo os alunos para formularem perguntas respeitosas e genuínas—é importante deixar claro que não deve ser um interrogatório ou debate sobre quem tá certo ou errado. Organizamos as cadeiras em círculo e geralmente cada convidado fala por uns 10 minutos sobre sua prática e depois abre pra perguntas. Isso acontece numa manhã inteira, pra dar tempo de todos participarem e ainda sobra tempo pros alunos compartilharem suas impressões depois. A última vez foi muito bacana: a Luana ficou super interessada na fala da praticante budista e acabou perguntando como faz pra visitar um templo — olha só o interesse despertado!
A terceira atividade é uma saída pedagógica até algum lugar significativo na cidade onde possam ver essas manifestações ao vivo. Aqui em Goiânia tem lugares bem interessantes como a Catedral Metropolitana ou o Centro Espírita Bezerra de Menezes. Dependendo do local disponível e do contexto da turma no ano letivo, organizamos uma visita guiada. Isso envolve planejamento com autorização dos responsáveis, claro, mas geralmente vale muito a pena! Costuma durar umas três horas contando o deslocamento. Na última saída fomos até a Catedral e os meninos ficaram impressionados com o tamanho e estilo do lugar—principalmente a Camila que comentou "nunca vi um teto tão alto!". Eles voltaram mais reflexivos e parece que esse contato direto ajuda a fixar muito mais na memória deles.
O bom dessas atividades é abrir espaço pro diálogo e pra reflexão sobre respeitar o outro mesmo quando não entendemos completamente suas crenças ou práticas—afinal, é disso que se trata viver em sociedade. É sempre gratificante quando vejo os meninos saírem dessa experiência mais abertos ao novo e com menos preconceitos. E aí, vocês também têm alguma experiência legal com essa habilidade? Vamos trocar ideias!
uma expressão legítima do espiritual, uma forma de se conectar com algo maior. E olha, tem uns jeitos que eu percebo se os meninos estão pegando essa ideia ou não, sem ter que botar prova na mesa. Tipo assim, andando pela sala, você ouve as conversas entre eles, e muitas vezes é ali que você saca se a mensagem tá chegando. Às vezes tô lá corrigindo alguma coisa na mesa, mas com um ouvido na conversa da galera. Aí escuto o Lucas explicando pra Ana que o ritual de uma religião que eles viram no vídeo é igual a uma missa que ele foi com a avó, só que diferente. Ele diz: "É igual porque as pessoas estão tentando ficar perto de Deus, mas é diferente porque elas fazem isso cantando em vez de rezar". Quando escuto isso, penso: "Ah, esse entendeu".
Outra hora é quando a Maria pergunta pro João sobre por que as pessoas se pintam em certas cerimônias e o João começa a explicar que é um jeito de mostrar respeito ou se preparar para algo especial. E ele ainda dá exemplos de quando ele mesmo se veste melhor pra um aniversário, pra marcar que é um momento especial. Aí eu vejo que o João tá fazendo aquelas conexões mais amplas, sabe?
Mas claro, tem os erros também. A galera confunde demais as coisas às vezes. Tipo o Pedro. Ele ouviu falar de uma cerimônia indígena e logo achou que era tipo uma festa de aniversário. Aí eu tive que puxar ele de canto e explicar que não era bem assim. Os meninos muitas vezes querem encaixar tudo nas experiências que já conhecem e acabam misturando as coisas. Acho que isso acontece porque eles ainda estão descobrindo o mundo e tentando fazer sentido das coisas do jeito mais fácil. Nessas horas, eu dou exemplos concretos pra ajudar a clarear. Explico que enquanto numa festa a gente comemora uma data especial com brincadeiras e bolo, numa cerimônia indígena pode ser sobre agradecer à natureza ou honrar os antepassados.
Agora falando do Matheus e da Clara, os dois têm suas particularidades e eu tento adaptar o melhor possível. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades mais dinâmicas pra não perder o foco. Então eu sempre incluo jogos rápidos ou atividades práticas entre as explicações mais teóricas. Por exemplo, ao falar sobre diferentes formas de oração, já fizemos uma atividade em que cada um tinha que criar um símbolo da sua própria espiritualidade usando materiais diversos como massinha ou papel colorido. O Matheus adora colocar a mão na massa e participar ativamente e isso ajuda ele a processar melhor.
Já a Clara, ela tá no espectro autista e é super sensível a mudanças bruscas na rotina. Então com ela é importante ter um planejamento bem claro e previsível das aulas. Eu uso cartões visuais pra ajudar ela a entender cada parte da atividade. Isso dá segurança pra ela saber o que vem a seguir. Por exemplo, quando a gente fez uma roda de conversa sobre diferentes tradições religiosas, eu já tinha combinado previamente com ela quem ia falar primeiro, segundo, etc., pra dar essa previsibilidade.
Teve uma vez que tentei incluir uma música surpresa no meio da aula pensando que ia ser algo legal e dinâmico pros meninos como o Matheus, mas não rolou tão bem pra Clara. Ela acabou ficando bem desconfortável com a mudança inesperada e depois disso eu aprendi a sempre avisar previamente quando algo diferente vai acontecer.
Bom, galera, acho que é isso por hoje. Espero ter ajudado com essas ideias e experiências sobre como lidar com essa habilidade específica do ensino religioso aliada às necessidades dos nossos alunos com TDAH e TEA. Compartilhem também como vocês andam trabalhando esses temas por aí! Abraço!