Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF89EF20 da BNCC, parece complicado, mas na prática é mais simples do que parece. A ideia é que os alunos aprendam a identificar riscos e saibam o que fazer pra superar desafios quando estão praticando atividades físicas ao ar livre, tipo escalada, trilha, coisas assim. Eles precisam entender não só os riscos envolvidos, mas também como se proteger e reagir se algo der errado. É como quando você tá numa trilha e vê uma pedra solta no caminho. Se o aluno consegue perceber que aquela pedra pode ser perigosa e sabe que tem que desviar dela ou avisar os colegas, ele já tá desenvolvendo essa habilidade.
No 8º ano, a galera já tem uma noção básica de segurança, né? Eles já aprenderam sobre práticas corporais em outros contextos, tipo esportes coletivos e educacionais em lugares fechados, quadras e tal. Agora é hora de levar isso pra um ambiente mais desafiador. A diferença é que agora eles vão ter que aplicar o que já sabem num ambiente menos controlado. É um baita passo importante!
Uma das atividades que eu gosto de fazer é uma simulação de trilha dentro da escola mesmo. A gente não precisa de muita coisa não. Uso cones, cordas e fitas adesivas pra marcar o caminho no pátio ou na quadra da escola. A turma é dividida em grupos de 4 ou 5 alunos. Cada grupo tem que seguir o caminho marcado enquanto um dos integrantes fica responsável por observar possíveis “riscos” que eu coloco no trajeto, tipo uma pedra (que na verdade é uma bola) ou um tronco (um cone grande). Essa atividade leva uns 40 minutos.
Os alunos reagem super bem, eles se divertem, mas levam a sério também. Na última vez que fiz essa atividade, o João, um dos alunos mais inquietos da turma, tava super empolgado em ser o "observador" do grupo dele. No início ele achou meio bobo, mas quando percebeu que era importante pro grupo conseguir completar sem "bater" nos obstáculos, ele se envolveu de verdade. Foi legal ver como ele ficou atento e colaborou com a equipe.
Outra atividade bem bacana é o "desafio da escalada". Não se assuste! Não tô falando de escalar montanhas de verdade não! A gente usa uma parede de escalada portátil que conseguimos emprestada de uma ONG local. O material é tipo um painel com suportes fixados pra simular uma parede de escalada. Montamos na quadra da escola e cada aluno tem a chance de tentar escalar com segurança (usando equipamento básico emprestado da própria ONG). Eu organizo a turma em duplas: enquanto um escala, o outro garante a segurança, ficando atento e pronto pra ajudar se precisar.
Aí essa prática leva mais ou menos uma aula inteira de 50 minutos. Os meninos ficam animados demais! Na última vez que fizemos isso, a Ana - que é toda quietinha e reservada - surpreendeu todo mundo ao escalar até o topo sem hesitar. A turma inteira começou a torcer por ela e quando ela chegou lá em cima foi uma festa! Foi incrível ver como essa atividade ajudou a fortalecer a confiança dela.
E pra fechar com chave de ouro, tem uma atividade que eu chamo de "acampamento improvisado". Consiste em ensinar os alunos a montar um acampamento fictício usando somente materiais simples como lonas, cordas e pedaços de madeira (que pegamos emprestado da manutenção da escola). A turma é dividida em equipes e cada uma precisa montar um "abrigo" da melhor maneira possível num espaço delimitado no pátio.
Isso leva uns 30 minutos e é impressionante ver como eles lidam com o desafio de trabalhar na natureza (mesmo sendo no pátio da escola). Eu lembro que na última vez a equipe do Pedro fez um abrigo super engenhoso usando as árvores do pátio e as lonas. Eles até pensaram em como a água escorreria em caso de chuva! É nessas atividades que você vê quem são os líderes naturais e quem consegue pensar fora da caixa.
Essas práticas são maneiras fantásticas de desenvolver a habilidade EF89EF20 porque colocam os meninos em situações onde eles têm que analisar riscos reais (ou quase reais), tomar decisões rápidas e aprender sobre segurança no processo. Além disso, tudo isso acontece num ambiente seguro onde eles podem errar sem grandes consequências – mas aprendendo muito com esses erros.
E aí você vê como essas experiências transformam os meninos: eles ficam mais confiantes e preparados pra enfrentar desafios fora do ambiente escolar também. Enfim, quem tiver dicas ou quiser compartilhar experiências parecidas será bem-vindo! Adoro trocar ideia sobre essas atividades!
E aí, galera, dando continuidade ao nosso papo sobre a habilidade EF89EF20, vou contar como percebo que os alunos realmente entenderam o conteúdo sem precisar recorrer àquela prova formal que muitos não gostam. Na minha sala, a chave é observar os meninos no dia a dia, nos pequenos gestos e falas.
Por exemplo, enquanto eu circulo pela sala durante uma atividade, sempre fico de olho nas conversas entre eles. É engraçado como às vezes você ouve um aluno explicando pro outro de uma forma tão clara que dá aquele estalo: "Esse entendeu!" Tipo, teve um dia que o João tava falando pro Lucas sobre como ele sempre verifica os equipamentos de escalada antes de usar. E não era só repetir o que eu ensinei, ele tava mesmo explicando o porquê de cada coisa, do tipo, "Se a corda estiver desgastada, pode arrebentar e você se machuca". É nesse momento que você percebe que ele pegou a ideia e até internalizou.
Outra coisa que me ajuda é observar durante as atividades práticas. A gente fez uma trilha numa área aqui perto da escola e eu fiquei só de olho. Quando vi a Ana parando pra avisar os colegas sobre um galho baixo que ninguém tinha notado ainda, pensei: "É isso aí! Aprenderam a identificar riscos e tomar ação!". Não tem nada mais gratificante do que ver essa troca entre eles acontecendo de forma natural.
Agora, falando dos erros mais comuns que os alunos cometem nesse conteúdo. Um erro clássico é o da superconfiança. O Pedro, por exemplo, é um desses meninos que acha que sabe tudo. Quando a gente tava praticando algumas técnicas de escalada em parede artificial, ele foi logo subindo sem verificar se tava tudo certo com o equipamento. Daí eu chamei ele no canto e falei: "Pedro, lembra do que conversamos sobre segurança? Pode ser perigoso se não checar antes." É aquela coisa: eles acham que sabem o bastante e acabam pulando etapas importantes. Esse erro acontece porque às vezes eles se empolgam demais ou querem mostrar pro grupo que são bons naquilo.
Também tem o pessoal que subestima os riscos. A Gabi, por exemplo, achava que numa trilha "não tinha perigo" só porque era conhecida dela. E aí vai lá e escorrega numa parte úmida do caminho. Esses erros geralmente vêm da falta de experiência ou da percepção equivocada de que só porque algo já foi feito antes é completamente seguro. Quando pego esse tipo de erro na hora, costumo parar a atividade e fazer uma reflexão com todos sobre o ocorrido pra reforçar a importância de estarem sempre atentos.
E aí vem o desafio extra com alunos como o Matheus e a Clara. O Matheus tem TDAH e precisa muito de estímulos visuais e táteis pra focar nas atividades. Com ele, funciona bem quando uso cores diferentes pra marcar passos ou partes do equipamento — tipo fitas coloridas nos mosquetões pra ele lembrar da sequência correta. Eu também divido as instruções em pedaços menores e dou pequenos intervalos entre as atividades pra ele não se sobrecarregar.
A Clara tem TEA e precisa de uma abordagem um pouco diferente. Com ela, eu faço questão de usar materiais visuais claros e previsíveis nas nossas explicações, como quadros com imagens mostrando cada passo do processo. Além disso, para ela sentir segurança nas atividades em grupo, muitas vezes dou uma prévia do que vai acontecer naquele dia pra evitar surpresas.
Teve um dia que tentei usar um aplicativo no celular pra ajudar ambos com lembretes visuais das atividades, mas não deu muito certo porque eles acabaram ficando mais distraídos com as notificações do que concentrados no exercício em si. Aprendi então que, no caso deles, menos tecnologia é mais.
Enfim, é isso pessoal! Espero ter ajudado um pouco compartilhando esse meu jeitão mais direto de perceber como as coisas estão indo na sala. É sempre um desafio lidar com tantas personalidades diferentes, mas é isso que faz esse trabalho ser tão rico e gratificante ao mesmo tempo. Se tiverem dicas ou quiserem compartilhar algo também, tô por aqui! Abraço a todos!