Olha, a habilidade EF67EF16 da BNCC é um daqueles desafios bacanas que a gente tem na Educação Física. Quando a gente fala dessa habilidade, o que a BNCC quer é que os alunos consigam identificar algumas características próprias das lutas brasileiras. Mas, vou te contar do meu jeito: a ideia é que os meninos e meninas entendam os códigos e os rituais que existem nas lutas daqui, como a capoeira, o jiu-jitsu brasileiro, entre outras. Eles precisam perceber como essas práticas se manifestam culturalmente, tipo assim, entender a indumentária (que é a roupa usada), os materiais (o que precisa pra praticar), as instalações (onde acontece) e também as instituições que promovem essas lutas.
Quando o aluno consegue reconhecer esses elementos numa luta, ele não só tá entendendo a prática física em si, mas também tá conectando com uma parte importante da nossa cultura e história. A galera do 7º ano já traz alguma coisa desse entendimento porque no 6º a gente começa com noções amplas sobre os esportes e atividades físicas, incluindo algumas lutas. Eu sempre peço pra eles lembrarem de coisas simples, tipo "alguém já viu uma roda de capoeira?", pra puxar da memória o que já viram antes.
Então, aqui vão três atividades que eu costumo fazer pra trabalhar essa habilidade na minha turma do 7º ano:
A primeira atividade que eu faço é uma roda de conversa sobre lutas brasileiras. A gente se junta na quadra mesmo, senta em círculo e eu começo mostrando uns vídeos curtos de capoeira e jiu-jitsu brasileiro no meu celular (nada muito complicado). Costuma levar uns 15 minutos pra mostrar e depois a gente bate papo por mais uns 20 minutos. O legal é que a galera gosta de participar. Da última vez, o Marcos levantou a mão todo empolgado pra falar que o tio dele jogava capoeira e contava histórias das rodas de antigamente. Isso ajuda muito porque quando um deles traz uma história pessoal assim, a turma toda fica mais interessada e engajada.
A segunda atividade é prática: eu levo eles para experimentarem alguns movimentos básicos de capoeira. Não precisa de muito material, só um espaço livre na quadra. Eu organizo em duplas ou trios, depende do número da turma naquele dia. A ideia é passar uns 30 minutos nisso. Primeiro eles observam os movimentos que eu mostro e depois tentam imitar. É claro que nem todo mundo acerta de primeira, mas o importante é tentar e se divertir no processo. Teve uma vez que a Ana ficou toda envergonhada de tentar o "gingado", mas aí o Lucas começou a brincar junto com ela e logo estavam todos rindo e praticando juntos.
Por último, eu faço uma atividade de pesquisa em grupo sobre as instituições que promovem essas lutas aqui no Brasil. Eles têm acesso aos celulares da escola por um período curto, então eu separo em grupos de 4 ou 5 alunos e dou uns vinte minutinhos para pesquisarem sobre academias de jiu-jitsu ou associações de capoeira na nossa cidade. Depois cada grupo compartilha o que encontrou com o restante da turma. É bacana porque eles descobrem coisas novas sobre o lugar onde vivem. Da última vez, o João ficou surpreso ao descobrir que tinha uma academia famosa de jiu-jitsu bem perto da casa dele e já queria convencer os pais a fazer uma aula experimental.
E olha, essa última atividade também ajuda na questão da pesquisa em si, capacidade que eles vão usar bastante em outras matérias também. A ideia é sempre conectar essas habilidades com outras áreas do conhecimento e com a realidade deles.
No fim das contas, trabalhar essa habilidade não é só sobre ensinar movimentos ou técnicas específicas das lutas, mas também sobre despertar nos alunos um olhar mais atento para essas práticas culturais tão ricas e únicas do nosso país. E ver os alunos se interessando por algo que faz parte da nossa história é uma sensação muito gratificante.
E aí, se alguém tiver mais ideias ou quiser compartilhar como faz aí na sua escola, tô sempre aberto pra trocar umas figurinhas! Abraço!
Então, galera, vou contar como eu percebo que os meninos realmente aprenderam sobre as lutas. Primeira coisa, eu vou muito pelo que eles conversam entre si. Adoro circular pela sala e ouvir as discussões, sabe? Uma vez, quando a gente tava falando sobre capoeira, vi a Júlia explicando pro Pedro que o berimbau é mais do que um instrumento, é quase como um “comandante” do jogo, ele dita o ritmo e tal. Na hora pensei: "Ah, a Júlia sacou bem o lance!"
Outra situação é quando eles começam a usar as palavras certas nas conversas. Tipo, o João uma vez estava me contando que conseguiu explicar pro irmãozinho a diferença entre uma roda de capoeira e um tatame de jiu-jitsu. E ele falava da importância de respeitar o adversário e os rituais iniciais, como o toque com as mãos no tatame antes de começar uma luta. Pra mim, isso mostra que ele internalizou mais do que só os movimentos, ele pegou a essência do respeito mútuo e da tradição que cada luta traz.
Agora, os erros mais comuns... A galera confunde bastante os contextos culturais das lutas. Uma vez, a Letícia falou que na capoeira eles usam quimono. Eu entendi que ela ainda tava misturando o visual do jiu-jitsu com a roda de capoeira. Esses erros acontecem porque, muitas vezes, os meninos veem as lutas só pela TV ou filmes e tudo parece meio misturado com o imaginário deles.
Outro erro comum é na hora dos golpes. Quando a gente tá praticando, tipo assim só no chão mesmo, muitos esquecem que a capoeira é mais uma dança-luta e acabam tentando aplicar golpes mais duros, como se fosse no jiu-jitsu. Já vi o Felipe girar pra dar um chute alto e quase derrubar a Maria porque ele tava com toda aquela força que é comum no jiu-jitsu, mas na roda de capoeira isso não rola.
Agora vamos falar do Matheus e da Clara. O Matheus tem TDAH e a gente sabe que manter o foco não é fácil pra ele. Com ele, precisei adaptar um pouco o ritmo das atividades. A gente usa uns cartões coloridos com imagens dos movimentos ou das peças das roupas típicas que ajudam ele a se concentrar melhor na tarefa. E aí eu também dou umas pausas mais frequentes pra ele poder se mexer um pouquinho e gastar energia.
Com a Clara, que tem TEA, bom... precisa de uma abordagem diferente. Ela gosta muito de rotinas previsíveis, então sempre aviso antes qual vai ser o próximo passo da atividade. Aí eu fiz um cronograma visual pra ela com desenhos simples do que vamos fazer em cada parte da aula. Uma coisa legal que funcionou foi usar fones de ouvido com músicas típicas dos ritmos das lutas. Isso ajuda ela a se conectar mais com o tema sem se incomodar tanto com o barulho ao redor.
Nem tudo são flores, né? Olha, já tentei usar vídeos explicativos pra ambos, mas percebi que nem sempre ajuda tanto assim. O Matheus fica disperso e começa a viajar na maionese com qualquer outra coisa na tela e a Clara às vezes acha os vídeos rápidos demais e fica perdida nos detalhes.
O segredo é ir testando e ver o que encaixa melhor pra cada um. No fim das contas, o importante é garantir que eles se sintam parte da turma e entendam os conteúdos à maneira deles.
Bom pessoal, é isso! Espero ter ajudado com essas dicas e histórias da minha sala de aula. Se alguém tiver alguma ideia nova pra compartilhar ou quiser comentar alguma experiência parecida, tô aqui pra trocar figurinhas! Um abraço e até o próximo post!