Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF06CO05 da BNCC, eu penso muito na ideia de ajudar os alunos a entenderem que qualquer problema pode ser desmembrado em pequenas partes, e que, pra chegar numa solução, a gente precisa saber direitinho o que entra e o que sai. Tipo assim, é como fazer uma receita de bolo: você precisa dos ingredientes certos (as entradas), seguir um passo a passo e, no final, ter o bolo pronto (a saída). Os meninos do sexto ano já vêm com alguma noção de resolução de problemas, lá do quinto ano, quando começam a aprender a dividir problemas maiores em problemas menores, mas aqui a gente aprofunda mais. Eles precisam começar a pensar de forma mais sistemática e entender que dá pra usar essa lógica em várias situações, não só nas aulas de computação.
Bom, uma das atividades que faço é bem simples e eles adoram! A gente usa papel e caneta mesmo. Divido a turma em pequenos grupos, geralmente de quatro ou cinco alunos. Cada grupo tem que escolher um problema do dia-a-dia pra resolver. Pode ser algo como "Como organizar uma festa de aniversário" ou "Como montar um sanduíche". Aí eles têm que listar todos os recursos que precisam (as entradas) e o que querem alcançar (as saídas). Essa atividade costuma levar umas duas aulas de 50 minutos. E olha, é interessante ver como eles se empolgam! Na última vez que fizemos essa atividade, a Maria e o João ficaram discutindo sobre como definir melhor o problema da festa: enquanto ela achava que tinha que começar pela lista de convidados, ele queria primeiro escolher o tema. No final das contas, eles entenderam que tinha espaço pra ambos os pontos de vista na resolução do problema.
Outra atividade que faço bastante é uma introdução ao pensamento computacional com um joguinho de blocos. Uso aqueles bloquinhos de montar tipo Lego. Cada aluno tem um pequeno kit com algumas peças. O desafio é construir uma ponte com um certo tamanho e capacidade de suportar "tráfego" (aqui usamos bolinhas de gude pra simular isso). Primeiro, eles precisam planejar: quantas peças vão usar e como vão usá-las; isso é o momento das entradas. Depois, eles constroem e testam (é a saída). Normalmente dá pra fazer isso em uma aula só se for bem direto. Mas sabe como é? Sempre tem umas duplas que pedem mais tempo pra deixar tudo perfeito! O Lucas é um desses... na última vez ele insistiu em testar várias hipóteses até descobrir que podia usar menos peças com uma estrutura diferente. A galera ficou impressionada!
Por fim, gosto muito de trabalhar com pequenas programações no Scratch. É uma ferramenta incrível pra essa faixa etária! Como muitos já conhecem o básico da ferramenta do quinto ano, a gente consegue avançar mais rápido. Divido a turma em duplas e dou um desafio: criar um jogo simples em que um personagem precisa atravessar uma floresta cheia de obstáculos. Eles têm que pensar nos comandos (entradas) e no objetivo final (saída). Essa atividade leva umas três aulas completas porque envolve bastante tentativa e erro.
Nessa atividade teve uma situação engraçada com o Pedro e a Ana: eles acabaram criando um monstro do lago no meio da floresta sem querer e todo mundo quis saber como fizeram isso! Eles tinham se enrolado nas condições dos blocos de programação e criaram sem querer um loop infinito. Ao invés de ficar frustrados, eles acharam graça e usaram isso como parte do jogo deles – foi genial! O mais bacana é que essas situações são ótimas oportunidades pra gente falar sobre reutilização e generalização dos conceitos aprendidos.
Essas atividades são legais porque mostram pras crianças que resolver problemas pode ser algo divertido e desafiador ao mesmo tempo. E mais do que isso, elas aprendem que errar faz parte do processo – é errando que se aprende a ajustar as entradas pra conseguir as saídas desejadas. E eu vejo como esse tipo de abordagem deixa os meninos mais seguros na hora de encarar problemas maiores. Eles percebem que têm ferramentas pra lidar com eles.
Bom, é isso aí pessoal! Espero ter ajudado vocês a entenderem melhor como trabalho essa habilidade na prática. Se tiverem outras ideias ou quiserem compartilhar suas experiências também, tô por aqui! Abraço!
Olha, perceber que os meninos aprenderam mesmo sem prova formal é uma arte que a gente vai desenvolvendo. Você vê nos olhos deles, sabe? Quando eu circulo pela sala, fico atento às conversas que eles têm entre si. É bem comum eu me aproximar e ouvir o João explicando pro Pedro algo que a gente trabalhou na aula passada. Tipo, outro dia, estávamos falando de algoritmos e como eles estão em tudo que a gente faz. O Pedro tava meio aéreo, mas o João começou a explicar pra ele que é como montar um lego: primeiro você separa as peças, depois vai montando conforme o manual até chegar no castelo. Foi aí que eu pensei "ah, esse entendeu". Quando eles conseguem traduzir o conceito pra algo do dia a dia e ainda ajudar um colega, é um ótimo sinal.
E tem mais. Na hora das atividades práticas, tipo quando eles precisam criar uma sequência de comandos num jogo ou numa simulação, dá pra ver quem tá pegando a ideia e quem ainda tá patinando. A Mariana, por exemplo, tava lá mexendo num programa que a gente usa pra ensinar lógica de programação e, sem ninguém precisar falar nada, ela resolveu um bug sozinha porque lembrou de uma dica que eu tinha dado sobre revisar o passo a passo. Foi ali que eu saquei: essa tá entendendo a parada.
Agora, claro que acontecem muitos erros também. Eu vejo os meninos esbarrando nos mesmos tropeços várias vezes. O Lucas, por exemplo, é campeão em pular etapas. Ele quer tanto ver o resultado final que esquece de olhar com calma pro que tá no meio do caminho. Tipo naquela vez que ele tentou programar uma história interativa e as personagens simplesmente desapareciam no meio do enredo porque ele não tinha definido direito em qual parte deveriam aparecer e desaparecer.
A Ana Clara é outra história engraçada. Ela é super detalhista mas às vezes fica tão presa nos detalhes que esquece do todo. Uma vez tava fazendo um exercício de lógica e passou metade do tempo ajustando as cores das caixas de texto em vez de se concentrar em como elas se conectavam umas com as outras! Esses erros acontecem porque às vezes eles se empolgam demais ou se perdem no foco. Quando pego erro assim na hora, chego perto e faço umas perguntas provocativas: "Será que isso tá certo mesmo?" ou "Você tentou olhar por esse ângulo?". Funciona melhor do que só apontar o erro direto.
Agora, com o Matheus que tem TDAH e a Clara com TEA, eu tento ajustar algumas coisinhas nas atividades pra dar conta de todo mundo. Pro Matheus, é sempre importante tentar manter as instruções simples e diretas. Ele se distrai fácil se a explicação for longa demais. Então, tento cortar atividades em pedaços menores e dou intervalos mais frequentes pra ele se mexer um pouco antes de voltar ao foco.
Já a Clara, às vezes precisa de um ambiente mais calmo e previsível. Eu descobri que ela trabalha melhor com listas visuais do que precisa fazer e com horários bem definidos. Então, uso cartões visuais com ela pra mostrar cada etapa da atividade. Isso parece ajudar bastante.
Olha, nem sempre dá certo de primeira com nenhum dos dois. Teve uma vez que tentei usar música pra ver se acalmava a turma toda e ajudava o Matheus a focar, mas foi um fiasco! Ele ficou mais agitado ainda com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
No fim das contas, acho que cada aluno é único e precisa de sua própria estratégia de aprendizado. É um desafio enorme mas quando vejo os meninos crescendo e entendendo cada vez mais sobre resolver problemas complexos, vale a pena todo esforço.
Bom, é isso aí por hoje! Espero ter ajudado alguém com essas reflexões e experiências. A gente se fala na próxima!