Olha, essa habilidade EF03CI03 da BNCC, quando a gente fala de saúde auditiva e visual, é mais sobre ensinar os meninos a cuidarem dos ouvidos e dos olhos no dia a dia. Tipo assim, você não vai pegar um livro e falar "olha, tá vendo aqui? isso é saúde auditiva e visual", porque eles não vão entender nada. Então, a ideia é mostrar como pequenos hábitos podem ajudar na proteção desses sentidos. Bom, acho que é preparar eles pra perceberem como o ambiente pode afetar a audição e a visão. Isso envolve eles entenderem, por exemplo, que ficar muito tempo exposto a barulhos altos pode prejudicar os ouvidos, ou que ler em ambientes com pouca luz pode cansar os olhos.
Na prática, o aluno do 3º ano precisa conseguir identificar situações do dia a dia que podem ser ruins pros ouvidos e pros olhos e saber o que fazer pra evitar. E isso tá conectado com o que eles já viram antes no 2º ano sobre cuidados com o corpo de forma geral. Lá eles aprendem sobre higiene pessoal e alimentação, então agora no 3º ano, a gente aprofunda um pouco mais nessas questões específicas.
Uma atividade que eu faço é a "Caçada Auditiva". A ideia é usar materiais que a gente tem na escola mesmo: colheres, tampas de panelas, sinos pequenos, papel alumínio pra fazer barulho. Eu começo explicando pra turma que vamos explorar vários sons diferentes na sala. Aí divido eles em duplas porque assim um ajuda o outro a perceber as coisas. Cada dupla recebe alguns objetos e um papel pra anotar como cada som é – se é alto, baixo, agradável ou incômodo. Essa atividade leva uns 40 minutos. Olha, da última vez que fizemos isso, o Miguel e o Lucas ficaram impressionados com como uma colher batendo numa panela fazia um som tão alto, e eles até falaram que parecia o barulho de um trovão! Aí eu aproveitei pra perguntar: "Vocês acham que ouvir isso o tempo todo faz bem pros nossos ouvidos?" E eles logo responderam que não, porque incomoda.
Outra coisa legal que fizemos foi um "Desafio das Luzes". Pra essa atividade eu uso lanternas, papéis coloridos e cartolina preta. Primeiro eu organizo a sala em grupos de quatro alunos. Cada grupo recebe uma lanterna e papéis coloridos e precisa experimentar iluminar os papéis em diferentes condições: papel em cima da cartolina preta, lanternas longe ou perto. Eles têm uns 30 minutos pra brincar com isso e ver como as cores mudam dependendo da luz. Depois nos reunimos pra discutir: "Por que é mais difícil ver algumas cores na sombra?" Teve uma vez que a Júlia falou: "Parece que o azul some quando o papel tá longe da lanterna!" Isso abriu uma boa discussão sobre como a luz afeta o jeito que vemos as cores e por que é importante ter boa iluminação quando estamos lendo ou escrevendo.
A terceira atividade é mais uma conversa com experimentação chamada "Histórias de Ouvindo e Vendo". É simples: cada aluno traz uma história de casa sobre alguma vez que tiveram dificuldade pra ouvir ou ver algo e como resolveram. Pode ser sobre tentar escutar alguém num lugar barulhento ou ter dificuldade de ler na cama à noite sem luz suficiente. Normalmente eu faço isso em círculo porque fica mais acolhedor e todo mundo se sente parte da conversa. E olha, leva uns 50 minutos fácil porque eles adoram contar histórias! Uma vez o Pedro contou que tentou ouvir música alta no fone enquanto a mãe falava com ele e percebeu que não ouviu nada do que ela disse. Isso gerou uma discussão boa sobre volume no fone de ouvido – e aí eu puxei pras dicas de usar sempre num volume mais baixo.
Essas atividades ajudam os alunos a fazerem conexões entre o aprendizado teórico e suas próprias experiências de vida. E é incrível ver como eles ficam animados quando percebem que já sabem parte do conteúdo por causa das experiências do dia a dia deles! Essa habilidade da BNCC não é só conhecer fatos; é ajudar os meninos a perceberem o impacto das escolhas deles na saúde deles mesmos. Enfim, se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar experiências parecidas, tô aqui pra trocar ideia!
Bom, então, como é que eu percebo que os meninos entenderam mesmo essa habilidade, né? Olha, é tudo na observação e na conversa. Quando a gente tá rodando pela sala, dá pra ver nos olhos deles e nas atitudes se pegaram o conceito. Tipo, quando tô circulando pelas mesas e escuto eles conversando entre si, às vezes um fala pro outro sobre não ficar com fone de ouvido muito tempo ou que a luz do celular pode fazer mal pros olhos. Isso é sinal de que entenderam. Teve uma vez que o Joãozinho tava explicando pra Maria que ela devia guardar o celular mais cedo pra não ter dor de cabeça no outro dia. Rapaz, foi nesse momento que pensei: “Pronto, ele pegou a ideia!”.
Outra situação foi quando eu perguntei sobre o que podia fazer mal pros ouvidos e a Carolina de bate-pronto me disse que "lá na obra do lado de casa tem uns barulhos muitos altos e minha mãe falou que isso não é bom". Aí já deu pra ver que ela captou a mensagem sobre barulho alto. E quando vejo um aluno corrigindo o outro, tipo "Ei, não grita assim perto do ouvido dos outros!", é mais uma confirmação de que tão absorvendo o conteúdo.
Mas nem tudo são flores, né? Os erros vêm junto e são parte do aprendizado. Um dos erros mais comuns é quando a galera acha que só os barulhos muito altos machucam os ouvidos. A Júlia, por exemplo, uma vez falou: "Ah, mas só música alta machuca, né? Coisa de obra não". Foi aí que parei e expliquei que qualquer som alto pode ser prejudicial e dei exemplo daquele furadeira que a gente escuta lá longe e incomoda. O erro acontece porque eles associam barulho com coisas do dia a dia deles, tipo música, mas esquecem de outras fontes. E quando pego esse erro na hora, eu paro tudo e vamos discutir isso juntos. Sempre uso exemplos da vida real pra clarear as dúvidas.
Agora, falando do Matheus, com TDAH, e da Clara, com TEA: olha, é um desafio mas também um aprendizado enorme pra mim. Pro Matheus, eu tento deixar as atividades mais dinâmicas e curtas. Por exemplo, ao invés de uma leitura longa sobre saúde auditiva, faço cartões com dicas rápidas pra ele ler e comentar comigo ou com os coleguinhas. Já vi que ele responde bem a tarefas que têm início e fim claros e não duram muito tempo.
Já a Clara gosta de rotina, então tento manter as atividades sempre no mesmo horário e na mesma sequência pra ela se sentir mais confortável. Com ela, uso muito material visual. Por exemplo, cartazes com imagens ilustrando os cuidados com som alto ou exposição à luz. Teve uma vez que trouxe óculos escuros de brinquedo pra ela experimentar enquanto explicava sobre proteção ocular. Funcionou super bem! Ela adorou e ainda ajudou a ensinar os outros.
O que não funcionou muito foi tentar usar aqueles aplicativos coloridos pros dois ao mesmo tempo numa atividade. O Matheus ficou agitado demais com tantas opções de botões pra apertar, e a Clara se perdeu com as cores mudando rápido demais. Aprendi aí a simplificar e adaptar melhor pros dois.
Enfim, é sempre um aprendizado contínuo com esses meninos. Cada dia é uma novidade e uma chance pra aprender junto com eles o melhor jeito de ensinar. Mas sempre vale a pena ver aquele olhinho brilhando quando eles finalmente entendem algo importante pro dia-a-dia deles. E assim vamos indo! Espero ter ajudado aí com essas dicas e experiências! Abraço pra galera do fórum!