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EF35LP31Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Iniciais

Identificar, em textos versificados, efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos rítmicos e sonoros e de metáforas.

Análise linguística/semiótica (Ortografização)Forma de composição de textos poéticos
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, essa habilidade EF35LP31 da BNCC, em termos simples, é sobre ensinar os meninos a perceberem como a música das palavras e as figuras de linguagem, tipo metáforas, ajudam a dar vida e sentido a um texto poético. Imagina assim: quando você lê uma poesia, não é só o que as palavras dizem, mas também como elas soam e o que elas fazem você imaginar. Os alunos precisam chegar num ponto em que eles conseguem identificar esses elementos. Se eles leem um poema e percebem que a repetição de sons ou uma comparação inusitada com um oceano trazem um significado extra, então eles estão entendendo o recado.

No segundo ano, a galera já entrou em contato com rimas e as ideias básicas de som. Agora no terceiro ano, o desafio é aprofundar isso. Eles já sabem o que é rima, sabem que as palavras têm sons que combinam, mas agora a gente quer que eles percebam por que o autor escolheu usar esses sons e essas figuras de linguagem. É como se antes eles vissem o quadro e agora tivessem que entender o porquê das cores.

A primeira atividade que eu faço é chamada de "Caça às Rimas". Eu levo pro pessoal vários poemas curtos impressos, coisa simples mesmo, geralmente de autores brasileiros pra criar aquela identificação. Divido a turma em duplas pra eles trocarem ideias entre si. A atividade leva uns 30 minutos. Eles têm que ler o poema e circular todas as palavras que rimam. A primeira vez que fiz isso com a turma desse ano, o João e o Lucas começaram a discutir se "casa" e "asa" rimavam mesmo ou só pareciam. Foi ótimo porque abriu espaço pra uma conversa sobre os sons das letras e como algumas vezes a grafia pode enganar um pouco. Eles ficam sempre animados quando encontram rimas inesperadas.

A segunda atividade é mais prática, chamada "Poema Sonoro". A ideia é os alunos criarem um pequeno poema em grupo, usando instrumentos de percussão simples — tipo pandeiro, chocalho — pra acompanhar a leitura. Eu trago esses instrumentos (a escola tem alguns básicos). Essa leva uns 45 minutos porque envolve tempo de criação e apresentação. Divido eles em grupos de quatro ou cinco. Na última vez que fizemos isso, a Ana Clara trouxe um chocalho feito de latinha e feijão de casa, o que deixou ela super animada pra contribuir no som do grupo dela. Aí eles criam um poema curto pensando nos sons dos instrumentos como parte do efeito total. Isso ajuda muito eles a perceberem o ritmo do poema ligado aos sons.

Por último, tem uma atividade chamada "Metáfora na Vida Real". Nessa, eu trago imagens da internet projetadas no quadro — tipo um oceano agitado, uma cidade à noite cheia de luzes — e peço pra galera criar metáforas baseadas nas imagens. Dura uns 30 minutos. Dessa vez a turma fica no individual primeiro pra pensar e depois compartilham com a classe. Quando fiz isso semana passada, o Miguel veio com uma metáfora bem criativa dizendo que as "ondas eram dedos gigantes tentando alcançar o céu". Foi legal ver como ele usou essa figura pra dar vida à imagem.

Os alunos reagem bem a essas atividades porque são todas práticas e permitem bastante interação entre eles. Claro que nem sempre sai tudo perfeito; tem aqueles mais tímidos ou os que acabam distraídos fácil demais. Mas no geral dá pra sentir que eles gostam dessa forma de aprender poesia longe do tradicional só papel e caneta. A gente tenta transformar isso numa experiência real, onde as palavras são mais do que apenas coisas escritas numa página.

E é assim que eu vou tentando levar essa habilidade da BNCC pra sala de aula. Pro pessoal perceber como poema é muito mais do que só ler palavras; é sentir sons, ver imagens na cabeça e entender qual sentimento ou ideia tá por trás das escolhas do autor. É um processo construído tijolinho por tijolinho pra fazer sentido pro mundo deles hoje.

No fim das contas, acho que esses momentos acabam sendo mais do que só aprendizado técnico, viram experiências legais onde eles podem se expressar de verdade e aprender juntos. E isso é sempre bom ver!

Então, gente, como eu percebo que os meninos entenderam de verdade essa habilidade? Bom, no dia a dia, quando tô circulando pela sala enquanto eles estão em atividade, é aí que a mágica acontece. Eu sempre digo que o melhor termômetro é observar e ouvir. E olha, não é só durante as atividades formais não. Muitas vezes, quando eles estão em grupinhos discutindo ou até brincando de ler poesia um pro outro, você pega aquele momento “ahá”. Tipo, outro dia eu passei perto do grupo da Ana e do João. Eles estavam falando sobre uma poesia do Vinicius de Moraes. A Ana virou pro João e falou: “Olha só esse verso, João, ele tá comparando o amor com um passarinho preso. Não é só porque o passarinho quer voar livre, mas porque ele tá meio triste, sei lá.” Cara, na hora eu pensei: “Essa entendeu!”. Ela não só identificou a metáfora, mas captou o sentimento por trás dela.

Outro exemplo foi o Pedro. Ele é mais quieto, mas super observador. Um dia, ele tava explicando pro colega como a repetição de uma palavra no poema que a gente tava lendo não era à toa. “Tá vendo? Quando ele fala ‘mar’, ‘mar’, ‘mar’, parece que a gente tá ouvindo as ondas mesmo.” É exatamente isso que a habilidade quer que eles enxerguem: o valor do som! E esse tipo de entendimento você percebe nas conversas entre eles ou numa leitura em voz alta.

Agora, sobre os erros mais comuns... A galera às vezes se perde nas comparações. A Júlia, por exemplo: ela leu um poema que comparava a lua com um queijo e ficou achando que o autor tava só falando da cor branca. Então eu precisei puxar ela pro lado e conversar: "Júlia, e se for também sobre ser algo meio inacessível? A lua tá lá no alto como um queijo num prato caro?" Os meninos também adoram enfeitar demais as coisas quando começam a pegar o jeito das metáforas e acabam deixando umas comparações sem sentido. O amigo deles escreve "minha tristeza é como um dinossauro azul". Aí eu pergunto: "Mas por quê azul? E por quê dinossauro?" Eles param pra pensar e às vezes percebem que só jogaram palavras bonitas juntas.

E aí vem o Matheus e a Clara. O Matheus tem TDAH e demanda uma atenção diferente. Ele precisa de estímulos variados pra manter o foco. Então eu tento usar muita coisa visual com ele — imagens que representam as metáforas ou até vídeos curtos de declamação de poemas. Uma coisa que tem ajudado é dar tarefas mais curtas e bem diretas pra ele, tipo "encontre uma metáfora que tenha a ver com algo rápido". Isso tem funcionado porque prende a atenção dele sem deixar a mente viajar demais.

Já com a Clara, que tem TEA, o trabalho é outro. Ela gosta de rotinas bem definidas, então sempre aviso antes quando vamos fazer alguma atividade diferente. E pra ela, a linguagem literal às vezes faz mais sentido do que a figurada. Em vez de forçar ela a descobrir sozinha uma metáfora complicada, eu digo algo como: "Clara, pensa nesse verso como uma comparação entre isso e aquilo". E assim vou ajudando ela a entender sem se frustrar.

Foi um caminho meio tortuoso até achar o que funciona melhor. Teve vez que tentei fazer uma dinâmica em dupla com eles e foi um desastre total porque o Matheus dispersou e a Clara ficou incomodada com as interrupções dele. Agora eu sei que atividades individuais ou em grupos pequenos são melhores pros dois.

Então é isso aí, pessoal! Espero que essas histórias ajudem vocês de alguma forma na sala de aula. É incrível ver quando os alunos finalmente captam algo tão abstrato quanto figura de linguagem num poema e conseguem até explicar pros amigos. E aí eu sei que tô no caminho certo. Vamos trocando ideia por aqui! Abração!

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