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EF35LP23Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Iniciais

Apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, aliterações e diferentes modos de divisão dos versos, estrofes e refrões e seu efeito de sentido.

OralidadeApreciação estética/Estilo
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, trabalhar a habilidade EF35LP23 é um daqueles momentos na sala que eu vejo os alunos realmente se soltando e se divertindo com a língua portuguesa. Na prática, o que essa habilidade da BNCC quer é que as crianças comecem a perceber os sons e as estruturas dos poemas, entendam rimas, reparem nas aliterações e vejam como os versos e as estrofes formam uma música própria dentro do texto. Não é só ler o poema, mas sentir ele também, sabe? É como se eles tivessem que conseguir ouvir a música das palavras, perceber como uma rima aqui ou uma repetição ali dá uma sensação diferente pro poema. E aí, claro, isso se conecta com o que eles já aprenderam nas séries anteriores sobre ritmo e sonoridade nas cantigas e parlendas, por exemplo.

A primeira atividade que faço começa com a leitura de um poema bem curtinho. Geralmente, escolho um poema do Vinicius de Moraes ou da Cecília Meireles, algo mais simples mas cheio de musicalidade. Aí, leio em voz alta pra eles e peço que fiquem atentos às palavras que rimam. Divido a turma em pequenos grupos e cada um tem a missão de encontrar essas rimas e dizer o que sentiram ao ouvir. Essa atividade não leva muito tempo, uns 20 minutos no máximo. Os meninos adoram quando leio animado, enfatizando as rimas; já vi a Maria Clara e o Pedro Henrique tentando imitar meu jeito de ler depois. Da última vez, o João Vitor até levantou a mão pra perguntar por que algumas palavras rimavam mesmo sem serem iguais. Achei ótimo isso porque mostra que eles estão começando a entender as nuances.

Outra atividade bacana é criar um mural de rimas na sala. Aqui, peço que cada aluno traga uma palavra de casa — pode ser qualquer coisa, desde que tenha como rimar com algo — e aí vamos colando num mural todo colorido. A prática é fazer um grande jogo de encontrar pares de rimas usando as palavras deles mesmos. Demora um pouco mais, tipo uns 40 minutos pra tudo ficar pronto, mas é bem divertido. Quando fizemos isso pela última vez, a Larissa trouxe a palavra "sorriso" e o Lucas achou "juízo" pra combinar. Eles foram criando os pares e depois até tentaram fazer mini-poemas com base nisso. A bagunça foi boa demais!

A terceira atividade é mais desafiadora: peço que eles escrevam um pequeno poema em duplas ou trios. Dou liberdade total para o tema, mas eles precisam encontrar pelo menos duas palavras que rimem em cada estrofe. Uso folhas coloridas pra dar um toque especial aos poemas depois. Essa atividade leva mais tempo — geralmente uma aula inteira de 50 minutos — porque além de escreverem, eles ainda leem os poemas pros colegas no final. Uma vez, o Gabriel e a Júlia escreveram sobre um dia na praia e usaram rimas bem criativas com "areia" e "ideia". O legal é que mesmo quem tem dificuldade acaba participando porque ao final sempre rola aquela apresentação descompromissada onde todo mundo bate palma pros colegas.

A galera reage super bem a essas atividades porque elas não têm aquele formato tradicional de aula; são momentos de explorar a criatividade e até de trabalhar em equipe sem pressão de nota ou coisa assim. E olha, quando fiz pela última vez essa atividade dos poemas em duplas, aconteceu algo engraçado: a Isabela tava morrendo de vergonha de ler o poema dela pro pessoal porque dizia que tinha ficado bobo demais. Mas aí os amigos começaram a incentivá-la (confesso que dei uma forcinha também), ela leu e foi super aplaudida no final! Foi bom porque ela saiu do casulo e percebeu o quanto tinha feito um trabalho bacana.

Enfim, trabalhar essa habilidade EF35LP23 me dá muita satisfação porque vejo os alunos descobrindo uma nova relação com as palavras. Não é só sobre entender rimas e aliterações em termos teóricos; é sentir isso na prática mesmo, perceber como essas ferramentas podem transformar a escrita em algo quase musical. E quando percebo que eles estão pegando o gosto pela coisa toda, aí sim sinto que estou cumprindo meu papel por aqui. É isso galera! Até a próxima conversa!

E olha, perceber quando os alunos estão pegando essa habilidade aí é uma coisa que vem mais da observação mesmo. Eu gosto muito de circular pela sala enquanto eles estão trabalhando, seja individualmente ou em grupo, porque é nessa hora que as coisas mais interessantes acontecem. Uma vez, por exemplo, eu tava andando entre as mesas e ouvi o João comentando com a Mariana sobre como a palavra "coração" rimava bonitinho com "balão" e "canção". E aquilo bateu em mim: "Ah, esse tá entendendo como a rima funciona!" Não foi só pela escolha das palavras, mas pelo jeito que ele estava empolgado em mostrar a descoberta pra colega. Quando você vê que eles começam a brincar com as palavras entre si, isso é um sinal claro que algo tá clicando na cabeça deles.

Aí tem também aquelas conversas que eu pego de canto de ouvido, tipo quando a Sofia tava mostrando pra Ana que "olha só, se a gente troca essa palavrinha aqui a rima continua, mas o sentido muda", e as duas caem na risada. Isso já me mostra que elas estão começando a entender não só a estrutura, mas o significado também. E quando um aluno consegue explicar pra outro o porquê daquela escolha de palavra num poema ou porquê aquela repetição torna o texto mais interessante, aí é certeza de aprendizado acontecendo.

Agora, bora falar dos erros mais comuns que aparecem nesse conteúdo. O Pedro às vezes se enrola todo com o conceito de estrofes. Ele começou um poema colocando tudo num bloco só, sem separar nada. Eu vi ele meio perdido e aí tive que chegar junto e explicar novamente como as estrofes funcionam como parágrafos na prosa. A questão do erro é que muitos alunos ainda não têm essa noção de estrutura organizada para poemas, e é normal porque a gente tá acostumado a ensinar tudo bem separadinho em prosa. Quando pego esse tipo de erro na hora, eu sento com eles, mostro na prática como um poema fica mais "respirável" quando tem divisões e, às vezes, até recito em voz alta pra eles sentirem essa pausa natural.

Outra coisa que acontece bastante é confundir aliteração com rima. Tipo o Luiz uma vez veio e me disse que "casa" e "cachorro" rimavam porque começavam com "ca". Aí tive que explicar que rima vem lá do final da palavra e aliteração é essa repetição do som no início ou no meio das palavras. Esse erro aparece porque os dois conceitos envolvem sons parecidos, mas em posições diferentes das palavras. A prática aqui é fazer ele ouvir mais exemplos, até ele conseguir perceber sozinho.

Sobre o Matheus que tem TDAH, aí eu preciso ajustar algumas coisas mesmo. Ele tem uma energia incrível e uma imaginação fora do comum, mas se perde fácil nas atividades tradicionais. Então o que funciona bem é usar atividades mais dinâmicas e interativas. Por exemplo, já fizemos um jogo onde cada aluno tinha que criar um verso rimado durante uma brincadeira de perguntas e respostas. Com ele, uso bastante cartões coloridos onde ele mesmo pode organizar seus versos e estrofes como se fossem peças de um quebra-cabeça. Isso ajuda ele a visualizar melhor a estrutura sem se perder. O tempo dele também precisa ser administrado: não adianta forçar ele a ficar quieto por 30 minutos seguidos. A gente faz pausas curtas e volta pro foco.

Já com a Clara que tem TEA, o desafio é outro. Ela precisa de previsibilidade e clareza nas atividades. Costumo dar pra ela roteiros visuais do que estamos fazendo no dia: começo com desenhos simples dos passos da atividade antes de partir pro papel escrito. E evito mudar as atividades de última hora porque ela precisa dessa segurança de saber o que vai acontecer. Uma coisa legal foi quando fizemos um mural coletivo de poemas na sala: dei pra Clara um espaço específico pra ela organizar suas ideias e ela adorou colocar os versos dela ali misturados com figurinhas que ajudavam ela a associar os sentimentos aos versos.

Enfim, cada aluno tem seu tempo e jeito de aprender essas coisas todas da língua portuguesa. Um professor precisa estar atento não só no conteúdo em si, mas em como cada criança interage com esse conteúdo e uns com os outros. Às vezes o aprendizado não tá só no papel ou na prova final; tá ali na conversa entre eles, na troca de olhares quando alguém faz uma descoberta nova ou numa risada compartilhada porque alguém conseguiu fazer uma rima engraçada. É isso que faz tudo valer a pena! Valeu pela conversa, pessoal! Até a próxima!

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