Olha, a habilidade EF35LP02 da BNCC é super importante pra gente formar leitores críticos e autônomos nas nossas salas de aula. Na prática, isso significa ajudar os meninos a escolherem livros por conta própria, lerem essas histórias e depois falarem sobre elas com os colegas. É mais do que só ler: é aprender a justificar por que escolheu aquele livro e compartilhar o que achou da leitura. No fim das contas, a gente quer que eles pensem "Por que eu escolhi esse livro? Gostei ou não gostei? Por quê?" e consigam explicar isso pros outros.
Eu comparo isso com ensinar a criança a andar de bicicleta. No começo, a gente segura o guidão, ajuda com as rodinhas, mas aos poucos vai soltando, até que eles mesmos começam a pedalar sozinhos. Aqui é parecido. No 2º ano, muitos já têm contato com livros, sabem identificar as partes básicas de uma história, mas agora no 3º ano é hora de dar mais autonomia pra eles se aventurarem sozinhos na leitura.
Uma das atividades que faço é o "Dia do Livro Livre". Uso os livros do cantinho de leitura que temos na sala. Eles são bem variados: tem desde contos infantis até livros com histórias em quadrinhos. A galera adora quando chega o dia! Organizo tudo em forma de círculos na sala e cada aluno escolhe um livro pra ler durante uns 20 minutos. Depois eles têm uns 10 minutinhos pra pensar por que escolheram aquele livro e o que mais gostaram ou não gostaram nele. Numa das vezes, a Júlia escolheu um livro sobre dinossauros porque "tinha dinossauros parecidos com o filme que ela viu no final de semana". Ela compartilhou isso empolgada com o Pedro, que ficou interessado e pediu emprestado pra ler depois.
Outra atividade interessante é o "Amigo Leitor", uma espécie de amigo secreto de livros. Pra essa atividade, usamos alguns dos livros digitais gratuitos disponíveis online. Eu ensino os meninos a acessar esses livros nos tablets da escola, já que temos poucos aparelhos disponíveis a gente faz um revezamento. Cada um lê um livro digital e depois escreve uma cartinha pro "amigo leitor" contando sobre o livro e por que ele recomendaria ou não. Num dia recente, o Lucas leu um livro sobre planetas e na cartinha dele dizia "eu recomendo pra quem gosta de espaço e estrelas, mas não tem muita aventura". A Isabela, que recebeu essa cartinha, adorou porque ela ama astronomia! Essa atividade costuma levar duas aulas: uma pra leitura e outra pros relatos e trocas das cartinhas.
A terceira atividade é uma roda de conversa chamada "Deu o que Falar". Aqui também usamos livros da biblioteca da escola. Peço pra turma escolher um livro nos dias anteriores e deixo um tempinho pras leituras em casa ou no horário livre na escola. Depois que todo mundo leu, juntamos numa roda e cada um tem chance de falar o que achou, se recomendaria ou não e por quê. O bacana é ver como eles se desenvolvem nesse diálogo! Da última vez o Miguel leu um livro sobre uma corrida de carros e disse "eu gostei porque me lembrou as corridas de kart que faço com meu pai". E aí, a Mariana comentou sobre como ela também gosta disso porque parece com as aventuras do irmão dela no videogame.
Essas atividades são simples, mas têm um impacto grande na turma. Os alunos ficam animados pra participar, começam a olhar os livros com outros olhos e desenvolvem esse senso crítico sem mesmo perceberem. A gente vê crescer neles um gosto natural pela leitura quando percebem que podem escolher algo que realmente desperta interesse.
Bom, espero ter ajudado com essas dicas! Se alguém tiver mais ideias ou quiser compartilhar como faz aí na sua escola vou adorar ouvir também! A leitura é uma jornada incrível e é muito bom saber que estamos nessa juntos. Valeu!
Continuando minha conversa com vocês sobre a habilidade EF35LP02, vou falar agora de como a gente percebe que os meninos estão aprendendo sem ter que aplicar provas formais. Olha, é no dia a dia mesmo, no olho vivo e ouvido atento. A gente vai percebendo durante as aulas, nas rodas de conversa, quando dá aquela circulada básica pela sala. Sabe quando a gente para do lado de uma mesa e fica só ouvindo? Pois é, ali você vê um mundo de coisa.
Por exemplo, tem o Joãozinho. Um dia desses, ele tava lá todo empolgado contando sobre um livro que ele leu pras amigas. Ele começou a explicar direitinho por que escolheu aquele livro: "Ah, eu peguei esse porque gosto de aventura e o personagem principal faz umas coisas muito legais". E aí quando ele começou a falar da história e a argumentar por que achava o personagem legal, eu pensei: "Esse aí entendeu do que se trata". É esse tipo de coisa que sinaliza que a habilidade tá sendo desenvolvida.
Outra situação que me ajuda a perceber o aprendizado é quando um aluno explica pro outro. Tipo assim, outro dia a Ana e o Pedro estavam discutindo sobre dois livros diferentes. A Ana tava meio perdida na história dela e o Pedro ajudou: "Olha, lembra que lá no começo fala tal coisa? Você não acha que isso faz diferença no final?". Quando um aluno consegue fazer essas conexões e ajudar o colega, é sinal de que ele tá absorvendo bem a leitura.
Mas claro, nem tudo são flores. Tem muitos erros comuns que os meninos cometem nesse conteúdo. Um dos mais frequentes é não conseguir justificar direito a escolha do livro ou o que acharam dele. Vou dar um exemplo concreto: a Luíza, uma vez, disse que gostou de um livro "porque sim". Aí eu perguntei: "Mas por quê? O que te chamou atenção?" E ela ficou meio sem resposta. Isso acontece porque ainda estão desenvolvendo essa capacidade de análise crítica. Eles leem mas nem sempre prestam atenção nos detalhes que fazem uma história ser interessante ou não.
Quando isso acontece, tento pegar o erro na hora. Faço perguntas guias pra ajudar eles a refletirem melhor sobre a leitura: "O personagem fez algo que você achou interessante?", "Teve alguma parte da história que te marcou?". Assim eles vão aprendendo a analisar mais profundamente.
Agora, falando do Matheus e da Clara, que têm TDAH e TEA respectivamente, são casos especiais na sala e requerem algumas adaptações. Com o Matheus, o desafio maior é manter o foco dele nas atividades. Eu descobri que materiais visuais ajudam muito. Então sempre que possível uso cartazes coloridos e faço anotações no quadro com cores diferentes pra chamar a atenção dele.
Outra coisa que funciona pro Matheus é dividir as atividades em etapas menores com pequenas pausas entre elas. Ele tem tempo pra respirar, se organizar mentalmente e depois voltar pro exercício com mais concentração.
Com a Clara, o desafio é mais na interação social e compreensão das nuances dos textos. Para ela, uso histórias mais visuais e com menos texto no começo pra não sobrecarregar. Algumas vezes envio materiais digitais interativos que ela pode explorar no próprio ritmo em casa.
Com ela também funcionou usar fantoches ou teatrinhos pra ajudar na compreensão dos personagens e das histórias. Ela adora participar desse tipo de atividade e isso facilita muito o aprendizado dela.
Claro, nem tudo funciona sempre. Já tentei algumas técnicas de jogos mais complexos pra envolver o Matheus e às vezes ele só fica frustrado com as regras. Ou tentei leituras em grupo com a Clara pensando que ajudaria ela a socializar e acabou deixando ela meio ansiosa com tanta gente falando ao mesmo tempo.
O importante é ir experimentando, vendo o que dá certo ou não com cada um deles e estar sempre disposto a ajustar as estratégias conforme necessário.
Bom gente, espero ter ajudado vocês com algumas ideias aqui sobre como trabalhar essa habilidade na sala de aula! Se tiverem outras dicas ou quiserem contar experiências de vocês também, tô aqui pra aprender junto! Abraços!