Olha, pessoal, trabalhar a habilidade EF05LP10 da BNCC é uma aventura divertida e desafiadora, viu? Basicamente, o que a gente quer é que os alunos do 5º ano consigam ler e entender piadas, anedotas, cartuns e outros textos do dia a dia, mas não é só entender as palavras soltas não; eles têm que captar o espírito da coisa, o contexto em que o texto foi criado e qual é a intenção daquele texto. Na prática, isso significa que um aluno precisa saber, por exemplo, por que uma piada é engraçada, identificar o trocadilho ou a ironia por trás das palavras. E isso é um pulo a mais do que eles já faziam no 4º ano, onde a leitura estava mais focada na decodificação e compreensão literal. Agora, eles têm que ler nas entrelinhas, sacar as nuances.
Então, como é que eu faço isso na minha sala? Vou contar aqui três atividades que funcionam bem com a galera.
A primeira tem a ver com cartuns. Eu adoro trabalhar com cartuns porque eles são super visuais e atraem os alunos. Normalmente eu pego tirinhas de jornal ou alguns cartuns que encontro na internet. Aí imprimo um monte e levo pra aula. Distribuo pra turma em grupos de quatro ou cinco alunos e dou uns 20 minutos pra eles discutirem entre si. O legal dessa atividade é que os alunos começam a perceber que muitas vezes o desenho complementa o texto ou até inverte o significado do texto escrito. Na última vez que fiz isso, o João e a Maria começaram a rir alto de uma tirinha porque perceberam que o cachorro da história estava pensando algo totalmente diferente do que ele estava fazendo. Foi ali que eles captaram a ironia e entenderam o humor da situação.
Outra atividade que adoro fazer é um "stand-up" de piadas. Ah, é engraçado demais! Os alunos trazem piadas curtas de casa ou escolhem do meu caderno de piadas (sim, eu tenho um!). Cada aluno tem dois minutos pra contar sua piada na frente da turma. O interessante é ver como eles começam a perceber não só o timing da piada, mas também como contar faz diferença no entendimento e na graça do negócio. E aí vem a parte mais divertida: depois de todas as apresentações, a turma vota nas três melhores piadas - mas eles têm que justificar o porquê acham aquela piada engraçada. Tem hora que eu morro de rir junto com eles. Da última vez, a Ana contou uma piada do papagaio (nem vou tentar reproduzir aqui porque não vou fazer jus à interpretação dela) e até quem já conhecia a piada deu risada porque ela soube usar muito bem as pausas e as caras e bocas.
A terceira atividade envolve criar nossas próprias anedotas. Nessa atividade eu divido a turma em duplas e dou um tema geral, tipo "na escola", "na feira", ou "em casa". Eles têm uns 30 minutos pra criar uma anedota curtinha baseada naquele tema. Depois, as duplas trocam as anedotas entre si pra ler e interpretar. Na leitura das anedotas dos colegas, eles têm que apontar o que acharam engraçado ou curioso e se tiveram alguma dúvida sobre o texto. Olha, esse exercício de criação ajuda muito na compreensão da estrutura desse tipo de texto e incentiva os meninos a usarem sua própria criatividade. Na última vez que fizemos isso, o Pedro e o Lucas criaram uma anedota hilária sobre uma conversa entre um lápis e uma borracha na sala de aula. Eles conseguiram captar direitinho aquele tipo de humor mais leve e inocente.
Acho que essas atividades ajudam muito porque misturam leitura com interpretação em tempo real e ainda colocam os alunos no papel de criadores também. A galera se sente mais envolvida e menos pressionada do que numa atividade formal de leitura e interpretação. E além disso, essas atividades ajudam os meninos a se darem conta de coisas como ironia, sarcasmo e outras características do gênero sem perceberem que estão aprendendo (e é justamente aí que está a beleza da coisa). E aí, quando vejo eles captando essas sutilezas por conta própria, é nessa hora que percebo: "Poxa vida, tá valendo a pena!" Enfim, se alguém tiver outras ideias também tô aberto pra trocar figurinhas!
Bom, pessoal, falando sobre como percebo que os alunos aprenderam essa habilidade sem precisar aplicar uma prova formal, é um exercício diário de observação. Quando estou circulando pela sala, eu sempre fico de olho nas reações dos alunos enquanto eles lêem ou discutem entre si. Um exemplo concreto disso foi com a Juliana. Ela tava lendo um cartum em que o personagem fala algo literalmente absurdo, tipo "vou tomar banho de sol na chuva", e ela primeiro deu uma risadinha e depois explicou pro colega do lado que ele tava brincando com duas coisas opostas. Pronto! Naquele momento, eu soube que ela tinha entendido a ironia e a intenção humorística ali.
Outro momento revelador é quando os meninos explicam uns pros outros. Já aconteceu do Pedro virar pro André e falar "não, André, isso aqui é engraçado porque ele falou isso mas quis dizer outra coisa". É nesses momentos que eu vejo que o entendimento foi além do óbvio, sabe? Não é que eles só leram as palavras, mas sim que eles pegaram o sentido. Quando isso acontece, é um alívio e uma alegria, porque mostra que os meninos estão conectados com a proposta.
Mas claro que nem sempre são flores, né? Os erros mais comuns vêm quando os alunos não conseguem captar o duplo sentido ou a ironia. O Luiz, por exemplo, é esperto mas às vezes faz uma leitura muito literal. Teve uma vez que ele leu uma piada sobre uma zebra pintando as listras de branco e preto pra se disfarçar de zebra e falou "ué, mas zebras já são assim". Ele não percebeu o humor por trás da situação. Esses erros geralmente vêm de não estarem tão acostumados com essa linguagem figurada no dia a dia. Quando pego esses erros na hora, gosto de fazer perguntas que direcionem o aluno sem entregar tudo de bandeja. Tipo "por que você acha que alguém faria isso?" ou "o que muda na situação quando ele faz isso?".
Aí entra o desafio extra: adaptar as atividades pro Matheus, que tem TDAH, e pra Clara, que tem TEA. Com o Matheus, é fundamental dar atividades mais curtas e variadas. Muitas vezes ele perde o foco se a tarefa é longa demais. Eu procuro quebrar as atividades em partes menores e incentivar intervalos curtos pra ele dar uma volta ou beber água. Uma coisa que funciona bem são os jogos de palavras rápidos. Jogos tipo charadas curtas fazem ele se envolver sem ficar entediado.
Com a Clara, que tem TEA, preciso ser bem claro nas instruções e oferecer estrutura nas atividades. Sempre ofereço exemplos concretos antes dela começar a atividade por conta própria. Uma coisa interessante que tem ajudado é usar cartões com imagens junto dos textos pra apoiar a compreensão dela do contexto e das emoções envolvidas no texto humorístico. Outra estratégia é usar horários fixos e previsíveis pras atividades porque ela se sente mais segura com rotina.
Nem sempre acerto de primeira. Teve uma atividade em grupo que tentei fazer com os dois e percebi que não tava rolando bem porque ambos ficaram sobrecarregados com a quantidade de estímulos ao redor. Aí ajustei pra pequenas duplas e escolhi bem os parceiros pra garantir um ambiente mais tranquilo.
Bom, pessoal, essa troca de experiências ajuda demais a gente a afiar nosso jeito de ensinar e entender cada vez mais nossos alunos como indivíduos únicos. Espero que essas histórias tenham dado umas ideias legais pra vocês também! Até a próxima conversa!