Olha, essa habilidade EF35LP22 é muito sobre fazer os meninos perceberem que os personagens de um texto não só falam, mas que eles falam de jeitos diferentes, dependendo de quem eles são ou do que tá acontecendo. Tipo, é como se a gente tivesse num teatro e cada personagem tem uma voz própria. Os verbos de enunciação são aquelas palavrinhas que a gente usa pra saber como alguém disse alguma coisa: falou, gritou, sussurrou, perguntou... E essas palavras ajudam a gente a entender o que tá rolando na história. E as variedades linguísticas vêm pra mostrar que as pessoas falam de jeitos diferentes dependendo de onde vêm ou em que situação estão.
Quando a gente fala disso com o terceiro ano, é quase como pegar uma coisa que eles já fazem meio sem perceber e ajudar eles a ver isso mais claramente. A turma já tá acostumada com histórias, então já sabem que personagens falam entre si. A diferença agora é focar em como esses personagens falam e o que isso significa. É tipo dizer pra eles: "Tá vendo como o Joãozinho fala diferente do rei?" Isso enriquece muito a leitura porque eles começam a entender as nuances do texto, e não só a linha geral da história.
Bom, vou contar pra vocês três atividades que eu faço na sala pra trabalhar essa habilidade. A primeira é bem simples e funciona legal. A gente lê juntos um trecho de um livro que tenha bastante diálogo. Pode ser algo como "O Menino Maluquinho" do Ziraldo ou até um conto clássico dos Irmãos Grimm. Eu leio em voz alta e peço pra eles ficarem atentos nos verbos de enunciação. Depois da leitura, rola uma conversa. Pergunto "Que verbos vocês ouviram? Como o personagem estava se sentindo quando falou isso?" Normalmente, nesse ponto, aparecem umas mãozinhas levantadas rapidinho. Na última vez, o Pedrinho falou "Ele 'gritou' porque tava bravo, né?" e a Ana completou "E falou 'sussurrou' porque tava contando um segredo". Isso dá uns 30 minutos no total, incluindo a leitura e a conversa.
Outra atividade é a dramatização. Divido a turma em pequenos grupos e dou pra cada grupo um script curtinho baseado num trecho de história com bastante diálogo. Eles vão ensaiar e depois apresentar pros colegas. O legal é que cada grupo pode interpretar os verbos de enunciação do jeito deles, então mesmo que dois grupos tenham o mesmo script, as apresentações nunca são iguais. A última vez foi hilária porque o Lucas resolveu dar uma exagerada no "tremeu de medo" e todo mundo caiu na risada quando ele começou a falar gaguejando. Essa atividade leva mais tempo, de 45 minutos a uma hora, mas vale muito a pena porque eles se divertem e aprendem na prática.
A terceira atividade envolve um pouco mais de escrita. Peço pra eles escreverem um diálogo entre dois personagens inventados por eles mesmos. Só que tem um detalhe: cada personagem tem que ter uma maneira específica de falar que precisa ser evidente através dos verbos de enunciação e das expressões usadas. E aí eu dou exemplos tipo: "O sapo pode 'coaxar' enquanto fala" ou "A bruxa pode 'rosnar'". Depois de escreverem, eles leem pros colegas ou trocam as histórias entre si pra ler em duplas. Essa parte das leituras acontece em uns 20 minutos depois dos 30 minutos de escrita.
Da última vez que fizemos isso, a Sofia escreveu um diálogo hilário entre um pirata e uma princesa onde o pirata sempre 'rugindo' e princesa 'cantarolando'. Foi muito bacana ver como eles conseguem pegar essa ideia e transformar em algo tão criativo.
Então, assim vão indo as atividades. Claro que sempre surgem desafios, tipo aluno mais tímido no teatro ou quem fica preso na escrita, mas aí entra aquele nosso jeitinho de professor mesmo: incentivando aqui, ajudando ali... No fim das contas, o importante é eles perceberem essa camada extra dos textos narrativos, essa coisa dos diálogos carregarem tanto significado além das palavras ditas. E aos poucos, vão pegando o jeito e se interessando cada vez mais por leitura e por criar suas próprias histórias.
É isso aí! Se alguém tiver outras ideias ou quiser trocar figurinha sobre isso, tô por aqui!
Agora, continuando o papo sobre como a gente percebe quando os alunos realmente entenderam a habilidade EF35LP22 sem aquela coisa de prova formal... Bom, pra mim, a resposta tá em observar o dia a dia mesmo. Sempre que eu tô circulando pela sala, dá pra sacar quem pegou a ideia ou não. Tipo, aqueles momentos em que os meninos estão fazendo leitura em dupla ou quando estão conversando sobre o texto. Eu adoro quando escuto eles discutindo com aquele entusiasmo, sabe? Outro dia eu vi a Ana explicando pro João que "quando o personagem tá nervoso, não fala do mesmo jeito que quando tá calmo". Aí eu pensei: "Ah, essa entendeu!"
E é engraçado como essas percepções aparecem nos momentos mais inesperados. Teve uma vez que a Mariana tava lendo uma história em quadrinhos e, do nada, ela virou pro amigo e disse: "Olha aqui, ele tá gritando! Dá pra ver só pela palavra!" E o colega dela respondeu: "É mesmo! E olha essa parte aqui, ele só cochichou." Nessas horas, eu sei que eles estão captando a mensagem por trás das palavras. São esses momentos de eureca que mostram que eles não tão só lendo, mas sim interpretando e se conectando com o texto.
Mas claro, os erros fazem parte do processo e são super comuns. Um erro frequente é os alunos confundirem verbos de enunciação com verbos de ação. O Lucas uma vez escreveu numa atividade: "O personagem correu de medo", achando que estava indicando como ele disse algo. Então tive que corrigir na hora, explicando que correr não era um verbo de enunciação, mas sim uma ação. Outra coisa comum é eles generalizarem os verbos de enunciação. Tipo assim, a Luísa sempre usa "falou" pra tudo e eu tenho que lembrar ela de variar mais, mostrar como o personagem tava se sentindo através dos verbos.
E aí vem o desafio de lidar com a diversidade na turma. O Matheus tem TDAH e a Clara tem TEA, então adaptar as atividades pra eles é essencial. Pro Matheus, funciona muito bem dividir as tarefas em partes menores e dar pausas frequentes. Às vezes uso cronômetros ou aquele esquema de sinal visual pra ajudar ele a manter o foco. Também procuro usar materiais visuais e jogos interativos porque prendem bastante a atenção dele. Já fizemos um jogo de memória com cartões de verbos de enunciação que foi um sucesso.
Com a Clara, preciso ser um pouco mais direto e claro nas instruções porque ela tem TEA. Eu sempre uso scripts visuais ou quadrinhos pra explicar as atividades, já que ela responde bem ao visual. Também ajusto o ambiente pra não ter muitos estímulos ao mesmo tempo. Uma vez tentei usar fantoches numa atividade e foi um desastre porque tinha muito estímulo sensorial acontecendo ao mesmo tempo. Depois disso, mantive as alterações visuais mais simples.
Pra ambos, tento garantir que sempre há uma rotina clara, porque isso dá segurança tanto pro Matheus quanto pra Clara. E é importante também dar um espaço onde eles possam se expressar do jeito deles sem pressão.
Enfim, cada aluno tem seu ritmo e seu jeito de aprender. O principal é estar atento e aberto a ajustar o que for preciso pra ajudar cada um a entender e apreciar as nuances do texto. É isso que torna nosso trabalho tão rico e recompensador.
Bom, pessoal, acho que por hoje é isso aí! Espero ter contribuído um pouco com as experiências aí na sala de aula de vocês também. Vamos seguindo juntos nessa jornada de ensinar e aprender com a garotada! Qualquer coisa, tô por aqui! Um abração!