Olha, essa habilidade EF35LP15 da BNCC é aquela que a gente trabalha com os meninos pra que eles saibam dar opinião e defender ponto de vista sobre temas polêmicos que a gente vivencia na escola ou na comunidade. É tipo assim: ensinar os alunos a pensar por si mesmos e saber argumentar, mas de um jeito que faça sentido, sabe? Porque não adianta só falar o que pensa, tem que ter uma base, uma lógica, e é isso que essa habilidade quer que a gente trabalhe na sala de aula.
Pra mim, é preparar os meninos pra vida, porque olha, tanto na escola quanto lá fora, no mundo real, eles vão precisar saber expor o que pensam de maneira clara e respeitosa. E isso começa desde cedo. E também tem a ver com a escrita: eles precisam usar um registro formal, uma estrutura certinha. Claro, eles já vêm trabalhando com produção de texto desde a série anterior, mas agora o desafio é eles conseguirem fazer isso de forma mais autônoma e colaborativa. Antes eles já tinham experiências com textos opinativos mais simples, talvez só respondendo "gostei/não gostei" de uma história lida, mas agora é elevar o nível e trazer temas reais.
A primeira atividade que faço é sempre em roda de conversa. Olha, funciona assim: gosto de começar com uma notícia ou tema que tá rolando na comunidade ou na escola. Da última vez foi sobre o uso de celulares na sala de aula. Eu levo um jornalzinho local ou até mesmo imprimo alguma reportagem curtinha da internet. A turma se junta em roda no chão – sim, no chão mesmo – porque acho que aproxima mais e tira aquele clima de "sala de aula tradicional". Aí eu coloco o tema na roda, leio a notícia e peço pra eles começarem a falar o que acham. O tempo? Depende muito do envolvimento deles, mas costumo deixar uns 30 minutos pra conversa fluir bem.
E olha só, da última vez foi hilário e produtivo. A Ana Clara levantou a mão e disse que celular deveria ser liberado porque ajuda nas pesquisas. Já o Pedro Henrique contrapôs dizendo que tem gente que não sabe usar e fica só nos joguinhos. Rolou uma discussão saudável ali, um contradizendo o outro com exemplos do dia a dia. O mais engraçado foi quando a Júlia comentou que os pais dela deixam ela usar celular só depois da lição de casa como um argumento pra defender a opinião dela. A reação dos alunos é sempre muito boa; eles gostam de ver que as opiniões deles são levadas a sério.
A segunda atividade é individual: cada aluno tem que escrever um pequeno texto opinativo sobre o tema discutido na roda de conversa. Pra isso, uso folhas pautadas simples. Peço pra eles pensarem numa introdução pro texto – tipo apresentando o tema – depois eles escrevem os argumentos deles e finalizam com uma conclusão. Dou uns 40 minutos pra isso, porque aí dá tempo deles pensarem bem no que vão escrever e revisarem antes de entregar.
Teve um caso curioso do Lucas: ele escreveu sobre como os celulares deveriam ser limitados aos intervalos e na hora de entregar o texto, ele me disse: "Professor, fiquei pensando como eu ia me sentir se proibissem tudo." Ele acabou incluindo isso no texto dele! Achei genial porque mostra como ele refletiu além do que discutimos em grupo.
A terceira parte é a escrita colaborativa. Divido eles em grupos pequenos – uns quatro ou cinco alunos – e dou a tarefa de juntar as ideias dos textos individuais num texto único do grupo. Eles têm uns 20 minutos pra discutir e mais 20 pra escrever juntos. Esse momento é bem interessante porque eles têm que negociar as melhores partes de cada texto pra montar um só.
Na última vez que fiz essa atividade, o grupo da Maria Eduarda ficou em dúvida sobre qual conclusão usar. Teve até uma votação entre as frases finais deles! No fim, acabaram juntando duas ideias diferentes numa só conclusão criativa. Eles se divertem muito nessa parte porque quebra um pouco do individualismo e estreita laços entre eles.
O bacana dessas atividades é ver como eles crescem em poucos momentos juntos, tanto nas habilidades argumentativas quanto na cooperação entre eles. E olha que mesmo turma do 3º ano dá show quando você aposta e acredita no potencial deles! É sempre um aprendizado bom ver como cada aluno contribui com suas perspectivas únicas e vai construindo essa habilidade importantíssima para a vida toda.
Bom, acho que é isso aí! Espero ter dado uma ideia clara de como eu coloco essa habilidade em prática. Se alguém tiver outras ideias ou quiser compartilhar como trabalha essa habilidade também, bora trocar umas figurinhas!
Então, continuando aqui sobre como eu percebo que os meninos pegaram mesmo a habilidade EF35LP15, é no dia a dia, sabe? Eu não preciso aplicar uma prova formal pra sacar isso. Às vezes, só de circular pela sala, a gente já percebe quem tá desenrolando bem com o conteúdo. Tipo, quando você vê a galera discutindo entre eles algum tema que você propôs, é ali que dá pra ver quem entendeu. Teve uma vez que o Gustavo tava explicando pro João sobre a importância de ouvir o outro lado da história antes de formar uma opinião. Ele disse algo do tipo: "Cara, mas se a gente não ouvir o outro, como é que vai saber se tá certo ou não?" Aí eu pensei: "Beleza, esse moleque tá pegando a ideia."
Outra coisa é quando eles começam a usar exemplos concretos nas discussões. Ah, e quando um aluno começa a argumentar contra o outro e o faz de forma respeitosa e embasada? Aí é show de bola. Tipo quando a Julia tava argumentando com a Mariana sobre o uso de celulares na sala de aula. A Julia dizia que distrai, mas a Mariana retrucou dizendo que pode ser uma ferramenta educativa se usado direito. Aí eu fiquei só ouvindo e pensei: "Tá aí, tão sabendo."
Agora os erros… Menino, como tem! Os mais comuns são a falta de embasamento nos argumentos e generalizações apressadas. A Lúcia, por exemplo, sempre que ia defender uma ideia começava com "todo mundo acha isso". Aí eu tinha que puxar ela num canto e falar: "Lúcia, quem é todo mundo? Vamos pensar em exemplos reais que você pode usar." É um processo, mas aí quando eles começam a perceber isso sozinhos é gratificante demais.
Outro erro comum é usar um argumento só porque parece bonito. Tipo quando o Pedro defendia algo só porque viu num vídeo famoso. E falava com uma convicção! Mas aí eu perguntava: "Pedro, você realmente acredita nisso ou só tá repetindo o que ouviu?" Ele ficava pensativo e muitas vezes não sabia responder de primeira.
E tem o Matheus e a Clara, que me fazem pensar fora da caixa um pouco mais. O Matheus tem TDAH e precisa de um ambiente onde ele possa se concentrar sem muitas distrações. Então, eu tento fazer atividades em grupos menores pra ele conseguir focar melhor. Uso algumas fichas coloridas pra quebrar o tema complexo em partes menores pra ele. Ajuda muito ele ver as coisas bem divididinhas.
Com a Clara, que tem TEA, o desafio é diferente. Ela precisa de uma rotina bem clara e previsível pra se sentir segura. Antes de começar qualquer atividade nova, dou um tempo explicando o passo a passo pra ela. Outra coisa que ajuda são os materiais visuais — tipo desenhos ou gráficos — porque ela responde bem a esse tipo de apoio visual.
Mas nem tudo sai como planejado! Teve uma vez que tentei usar música durante uma atividade pensando que ia ajudar na concentração do Matheus e na descontração da Clara. Foi uma bagunça! O Matheus ficou inquieto demais e a Clara se perdeu completamente na atividade. Aprendi rápido que música não funciona pra eles.
Bom pessoal, acho que já falei bastante por hoje sobre essa habilidade EF35LP15 e como vejo os meninos lidando no dia a dia com isso. É um trabalho contínuo e cada turma é única com seus desafios e vitórias. Se alguém tiver dicas ou quiser compartilhar experiências parecidas, tô aqui pra trocar ideia! Valeu pela atenção!