Olha, essa tal de habilidade EF03LP18 da BNCC tem tudo a ver com ajudar os meninos a entenderem melhor como funciona essa história de cartas e notícias nos jornais e revistas. O negócio é fazer eles sacarem que essas cartas de leitor ou de reclamação têm sempre alguém querendo dizer algo para um público específico, seja lá pra elogiar, reclamar ou sugerir alguma coisa. E tem também o lance das notícias, onde a gente precisa entender o que tá acontecendo no mundo, né? Então, na prática, os alunos precisam conseguir ler essas cartas e notícias e sacar o que tá sendo dito, pra quem é e por quê tão escrevendo aquilo. E, claro, já vem de coisas que eles aprenderam antes, tipo identificar quem escreve, pra quem e o que quer dizer. No primeiro ano a gente já introduz a ideia de que os textos têm uma intenção, mas agora no terceiro ano eles já devem ler com mais autonomia e entender com mais profundidade.
Agora deixa eu contar como eu faço isso na minha sala. Primeiro, uma atividade bacana que a gente faz é trazer cartas reais de jornais locais. A gente pega aqueles cadernos de leitores dos jornais impressos que ainda circulam por aqui em Goiânia — sempre tem uma banca que guarda uns exemplares ou até online mesmo. Eu junto umas cartas e levo pra sala, aí divido a turma em pequenos grupos de três ou quatro alunos. Cada grupo recebe uma carta diferente. Peço que leiam juntos e tentem descobrir sobre o que a carta fala, quem tá escrevendo e por quê. Isso leva uns 30 minutos e é engraçado ver como reagem. O Lucas, por exemplo, sempre acha que todo mundo tá reclamando, mesmo quando é um elogio. Na última vez, ele jurou por tudo que a carta era uma bronca porque usava a palavra "infelizmente", mas era só uma reclamação sobre o trânsito.
Outra atividade legal é quando a gente cria cartas na sala. Aí eu falo pra turma imaginar que eles são moradores da cidade escrevendo para um jornal sobre algum problema do bairro deles. A gente usa papel e caneta mesmo — bem old school! Deixo eles escolherem o tema: pode ser buraco na rua, falta de parque, qualquer coisa assim. Eles escrevem sozinhos, mas aí rola aquela ajudinha minha passeando pela sala. Isso leva uma aula inteira de uns 50 minutos porque sempre tem um ou outro que demora mais para começar ou se empolga demais com o texto. E olha, gosto de ver a criatividade deles! Uma vez a Ana escreveu uma carta exigindo mais sorveterias no bairro porque "as crianças precisam se refrescar", foi uma beleza.
A última atividade é meio moderna: uso o computador da escola ou celulares (com supervisão total). A ideia é buscar na internet notícias digitais. Tipo assim, peço para encontrarem algo interessante acontecendo no Brasil ou no mundo e aí leem em duplas ou trios. Depois têm que contar pro resto da turma sobre a notícia como se fossem repórteres. Essa leva duas aulas porque na primeira eles buscam e leem as notícias e na segunda apresentam o resumo pros colegas. Desse jeito eles não só praticam a leitura como também oralidade e síntese das ideias. Na última vez rolou uma situação engraçada: o João encontrou uma notícia sobre um gato prefeito numa cidade do Alasca e ficou todo empolgado explicando como seria bom ter um gato prefeito em Goiânia pra acabar com os ratos.
E olha só que beleza: eles não só praticam leitura e entendimento como também aprendem a trabalhar em equipe, debater ideias... É um desafio porque cada criança tem seu ritmo mas é recompensador ver quando começam a perceber as entrelinhas dos textos. No começo do ano era comum ver eles perdidos sem saber como começar a entender direito as cartas ou qual era o assunto central nas notícias mas aos poucos foram pegando prática.
Enfim, é assim que tento dar conta dessa habilidade na prática com os meninos do terceiro ano. Não é fácil não — são várias personalidades diferentes numa sala só! — mas quando vejo eles se virando melhor nessas leituras fico todo bobo de orgulho. Ah! E se algum colega aí tiver outra sugestão de atividade tô aceitando dicas! Porque essa troca aqui no fórum ajuda demais a gente melhorar nosso jeito de ensinar.
Até a próxima, pessoal!
Então, gente, quando a gente pensa em como perceber que o aluno aprendeu, sem aplicar uma prova formal, a coisa é meio que ficar de olho e ouvido aberto na sala. Tipo, eu vou circulando por ali enquanto eles estão nas atividades e sempre prestando atenção nas conversas entre eles. Um jeito que eu vejo que um aluno pegou a ideia é quando ele consegue explicar pro colega alguma coisa de forma clara. Semana passada, por exemplo, teve uma situação bem bacana com a Júlia. Ela tava conversando com o Pedro sobre uma carta que eles tinham lido numa dessas revistas de circulação local. A Júlia começou a explicar pro Pedro quem achava que era o público daquela carta e qual era o objetivo do autor. Ela até usou umas palavras que a gente tinha discutido em aula, tipo "argumento" e "intenção", e aí eu pensei: "Ah, essa entendeu o recado".
Outra coisa que sempre me dá um sinal verde é quando os alunos fazem perguntas relevantes sobre o texto. Isso mostra que eles tão realmente pensando sobre o que leram. A Ana Clara outro dia levantou a mão e perguntou por que uma carta de leitor estava escrita num tom sério se era só uma reclamação sobre o horário do ônibus da cidade. Aí eu expliquei que, às vezes, pra ser levado a sério, o autor precisa usar um tom mais formal. Mas eu pensei: "Poxa, ela tá sacando bem como diferentes tons e estilos mudam a percepção da mensagem".
Agora, os erros mais comuns nesse conteúdo... Olha, tem de tudo. Um erro é não prestar atenção no destinatário da carta ou notícia. O João Vitor, um dia desses, veio com uma interpretação meio torta de uma notícia porque ele não percebeu que era voltada pra um público específico – os moradores de um bairro específico aqui da cidade. Ele achou que era algo pra cidade toda. Isso acontece muito porque os meninos estão acostumados com informações muito amplas na internet e acabam não se ligando nesses detalhes.
Outro erro frequente é na construção das próprias cartas ou resumos de notícias. A Sofia sempre começa as cartas dela sem pensar muito na introdução ou no fechamento. Eu explico pra ela que uma carta precisa de começo, meio e fim, como uma conversa, sabe? Aí eu dou umas dicas de como ela pode começar questionando ou apresentando o assunto antes de ir direto ao ponto.
Com relação aos nossos queridos Matheus e Clara… Bom, eles são um desafio e tanto, mas também trazem uma luz pra sala de aula. Com o Matheus, que tem TDAH, eu tento deixar as atividades mais dinâmicas. Então, por exemplo, em vez de só ler e escrever sobre as cartas ou notícias, eu trago jogos de palavras ou atividades de grupo onde ele pode se movimentar ou interagir mais com os colegas. Deixei ele fazer um jogo onde ele tinha que encontrar cartas escondidas na sala e identificar o destinatário certo para cada uma delas. Nossa, ele ficou super engajado! Uma coisa que não funcionou muito bem foi tentar fazê-lo copiar textos longos. Não deu certo porque ele perdia o foco rapidinho.
Já com a Clara, que tem TEA, eu preciso ser mais claro e objetivo nas instruções. Eu uso muitas imagens ou figuras pra ajudá-la a entender as ideias principais dos textos. Uma vez fizemos um mural onde ela pode colar figuras representando partes das cartas: quem escreve, para quem escreve e qual é a mensagem principal. Isso ajudou muito! O que não funcionou foi tentar forçá-la a participar de debates verbais sem preparação prévia; ela ficou desconfortável e prefiro agora preparar ela antes ou deixar ela usar bilhetes escritos.
Bom, pessoal, acho que já tagarelei bastante sobre esse assunto por hoje. Espero que essas dicas ajudem alguém aí do outro lado da tela! Qualquer coisa vamos trocando umas ideias por aqui mesmo. Até mais!