Galera, vou falar um pouco sobre como trabalho a habilidade EF02CI07 da BNCC com os meninos do segundo ano. Essa habilidade é sobre descrever as posições do Sol em diferentes horários do dia e associar isso ao tamanho das sombras projetadas. Parece complicado, mas na prática é bem interessante e os meninos geralmente gostam muito porque envolve observação e até um pouco de "mágica", como eles dizem.
Primeiro, vamos lá: quando a gente fala que o aluno precisa descrever as posições do Sol, estamos dizendo que ele tem que olhar pro céu e perceber que ao longo do dia o Sol vai mudando de posição. De manhã tá de um lado, à tarde já tá mais pro outro. E aí entra a parte da sombra: conforme o Sol "caminha", a sombra muda de tamanho e direção. Se o Sol tá lá no alto, a sombra fica curtinha. Quando tá mais pra lateral, a sombra estica. Os meninos do primeiro ano já têm uma noção disso porque eles aprendem observando, mas agora a gente aprofunda e coloca nome nas coisas, entende?
Então, falando das atividades que faço pra ensinar isso, tem uma que eu gosto muito e que é bem simples: a gente faz um "painel de sombras". Pra isso, só precisamos de papel cartão grande, lápis, régua e tesoura. Divido a turma em pequenos grupos de quatro ou cinco alunos. Cada grupo vai ficar responsável por fazer um recorte de um objeto qualquer: pode ser uma casinha, uma árvore ou até uma pessoa. Aí a gente vai lá fora em três horários diferentes: de manhã cedinho (se der), perto do almoço e no finalzinho da tarde. Eles posicionam o recorte no papel cartão e desenham a sombra que o objeto faz em cada horário. Isso leva o dia todo porque tem que esperar o Sol mudar de posição. É legal porque eles ficam muito admirados com as diferenças nas sombras! Da última vez, a Luana ficou impressionada que a "casinha" dela tinha uma sombra quase invisível ao meio-dia e depois ficou enorme no final da tarde.
Outra atividade bacana é o "relógio de sol humano". Essa usa só os próprios alunos e giz colorido. A gente desenha um grande círculo no chão do pátio da escola (parece um relógio mesmo) com as horas marcadas. Um aluno por vez fica ao centro do círculo e a turma marca onde a sombra dele cai em vários momentos ao longo do dia. Por isso, essa atividade é feita ao longo de uma semana inteira pra dar tempo de todo mundo participar. No final, eles conseguem ver como o "relógio" funciona com base na posição do Sol e da sombra deles mesmos – é bem legal! Um dia desses, o João ficou todo animado dizendo que agora era "um relógio vivo"!
Pra finalizar essa sequência, gosto de fazer uma atividade de desenho livre. Dou folhas grandes e peço pra cada um desenhar uma cena com Sol e sombras em diferentes horários (pode ser algo que eles viram na semana). Isso é feito em sala, em uma aula comum de 50 minutos. Aqui não tem material específico além dos lápis de cor ou giz de cera que eles já têm. Essa atividade permite ver se eles realmente entenderam como o Sol vai mudando e o que ele faz com as sombras. É interessante porque cada um dá sua interpretação – uns fazem árvore com sombras compridas pela manhã, outros preferem representar brincadeiras no parque à tarde com sombras curtas.
Os meninos geralmente se empolgam bastante com tudo isso porque envolve movimento, observação direta da natureza e também porque dá pra brincar bastante – tudo vira uma aventura quando se está descobrindo algo novo! E no final das contas, acho que esse é o ponto principal: fazer com que esses conceitos não fiquem só no papel ou na teoria mas sim que se tornem parte do entendimento deles sobre o mundo ao redor.
Bom, é isso! Essa habilidade exige paciência porque depende do tempo e das condições atmosféricas também (às vezes bate aquela nuvem bem na hora!), mas quando tudo se encaixa direitinho é muito gratificante ver o entendimento crescendo nos olhos deles. Se alguém tiver mais ideias ou sugestões pra enriquecer ainda mais essas atividades, vou adorar saber! Abraço aí pro pessoal!
Agora, como é que eu percebo que os meninos realmente aprenderam essa habilidade sem fazer aquelas provas formais? Olha, a gente que é professor desenvolve um tipo de radar, sabe? É andando pela sala, ouvindo as conversas deles, vendo como eles interagem. Às vezes, quando estou circulando e vejo um aluno explicando pro outro, aí é que eu percebo que a coisa tá fluindo. Teve uma vez que o Joãozinho tava explicando pra Maria que o Sol tava mais pro lado direito pela manhã e depois ia pro outro lado até sumir lá atrás das árvores. Pensa! Ele usou até árvore de referência. Aí eu pensei: "Ah, esse entendeu o lance da posição do Sol direitinho".
Outra coisa que me ajuda a ver se eles aprenderam é quando faço atividades práticas. Por exemplo, quando desenhamos as sombras no chão no pátio da escola. O legal é ver eles apontando o lugar da sombra e comentando entre si: "Olha onde tá agora!", "Nossa, como mudou!". Isso mostra que eles estão entendendo a relação entre o Sol, a hora do dia e as sombras. E tem também aquelas perguntinhas que eles fazem durante a aula. Quando eles perguntam coisas tipo: "Mas por que a sombra fica maior à tarde?", eu vejo que tão começando a pensar além e querer entender mais.
Agora, sobre os erros comuns... Ah, isso acontece! Um erro bem comum é confundir a posição do Sol com a direção das sombras. Tipo, teve um dia que o Lucas tava jurando que a sombra apontava pro Sol porque achava que era como um ponteiro de relógio. Aí lá vai eu explicar de novo que a sombra sempre vai pro lado oposto do Sol. Esses errinhos acontecem porque essa noção de direção não é tão intuitiva pra eles nessa idade. Quando pego esses erros na hora, procuro usar exemplos concretos: pego um lápis e uma lanterna na hora pra mostrar como a luz faz sombra.
A gente também precisa pensar nas necessidades dos alunos com TDAH e TEA. No caso do Matheus, que tem TDAH, eu sempre tento fazer atividades mais dinâmicas pra ele se envolver mais. Quando estamos no pátio, deixo ele ser o "responsável" por desenhar as sombras de cada colega. Isso mantém ele ativo e focado na tarefa. Já tentei deixar ele só observando, mas não funcionou bem porque ele se dispersa fácil.
Com a Clara, que tem TEA, faço algumas adaptações nas instruções e uso mais materiais visuais. Por exemplo, tenho cartõezinhos com imagens do Sol em diferentes posições e uso isso pra ela relacionar com os horários do dia. Descobri que funciona melhor do que só falar ou mostrar no quadro. Ela também gosta de fazer desenhos sobre o que aprendeu na aula, então dou espaço pra ela expressar assim.
E uma dica: paciência é tudo! Cada um tem seu ritmo e suas formas de aprender melhor. Às vezes, o que não funciona pra um pode ser exatamente o que ajuda o outro.
Bom gente, acho que é isso por hoje. Vou ficando por aqui. Espero que essas histórias e dicas ajudem vocês aí na sala de aula também. Se tiverem alguma experiência parecida ou outra dica pra compartilhar, manda aí! Vamos continuar essa troca boa de ideias! Abraço!