Então, pessoal, sobre a habilidade EF69AR03 da BNCC, eu vejo ela como uma forma de ajudar os meninos a perceberem como as diferentes linguagens artísticas se conectam e dialogam entre si. Tipo, não é só olhar um quadro e pronto, é perceber como aquele quadro pode dialogar com uma música ou um filme. É mostrar pra galera que arte não tá isolada e que cada pedaço pode contar uma parte da mesma história. Os alunos do 6º Ano já vêm com uma base do 5º Ano onde eles passam a entender as artes visuais de forma mais individual, então agora a gente amplia essa percepção pra incluir outras linguagens. Eles já têm uma noção de análise de pinturas e esculturas, mas agora a gente coloca isso num contexto maior, envolvendo cinema, música, teatro... é um desafio, mas é legal demais!
Então vou contar pra vocês três atividades que eu faço na minha sala com essa habilidade. A primeira é uma atividade que chama "Música e Imagem". Olha, é bem simples: eu levo algumas músicas instrumentais diferentes (tipo um jazz, uma música clássica e uma eletrônica) e algumas imagens impressas de obras de arte famosas. Aí eu formo grupos de quatro ou cinco alunos e dou pra cada grupo uma imagem e peço pra eles escolherem uma das músicas que eles acham que combina melhor com aquela imagem. Depois cada grupo explica a escolha deles pro resto da turma. Gente, dá umas discussões muito boas! Na última vez que fiz isso, a Maria Clara pegou uma obra do Monet e escolheu um jazz bem suave pra acompanhar. Ela disse: "Acho que essa música parece as pinceladas dele, tipo assim, meio sem pressa". Cada grupo leva uns 20 minutos pra discutir e mais uns 10 pra apresentar. No total dá uns 50 minutos e até os meninos mais tímidos acabam participando.
Outra atividade que a galera adora é o "Cinema no Papel". Essa eu uso trechos curtos de filmes conhecidos, tipo uns dois ou três minutos, sem som. Aí divido a turma em duplas e peço pra cada dupla criar mini-histórias em quadrinhos baseadas no que eles viram. Eles têm que pensar nos diálogos, nos sons que estariam ali se tivessem ouvindo as cenas. Pra isso eu dou papel A3 e canetinhas coloridas. O Lucas é mestre nisso! Uma vez ele pegou um trecho do filme “Up - Altas Aventuras” e criou um diálogo hilário entre o velho Carl e o cachorro Dug que fez todo mundo rir. Essa atividade normalmente leva duas aulas pra eles conseguirem criar tudo direitinho e depois a gente expõe os quadrinhos na sala.
A terceira atividade é mais prática ainda: chama "Teatro Visual". Eu levo algumas peças de roupa e acessórios baratos (tipo chapéus, óculos engraçados) e coloco uma música instrumental de fundo enquanto eles criam pequenas cenas teatrais baseadas numa obra de arte escolhida por eles. A turma fica em círculo assistindo enquanto um grupo se apresenta no centro. Na última vez que fizemos isso, a Júlia pegou "O Grito" do Munch e transformou numa cena super dramática com direito a gritos silenciosos acompanhados pela música clássica de suspense. É incrível ver como eles conseguem captar a emoção da obra e trazer pro corpo deles. Essa atividade leva uma aula inteira porque todo mundo quer participar.
O bacana dessas atividades é ver como elas quebram a rotina do dia-a-dia da escola e fazem os alunos pensarem fora da caixa. E olha, o mais legal mesmo é quando os próprios alunos começam a conectar os pontos sozinhos, sabe? Tipo quando o João comentou depois de uma atividade: "Professor, parece que toda arte tem um som dentro dela". Me deixa muito satisfeito ver esse insight rolando na cabeça deles.
E é isso aí, pessoal! Espero que essas ideias possam ajudar vocês aí nas suas salas também. Se tiverem outras dicas ou quiserem compartilhar como vocês trabalham essa habilidade aí me contem! Sempre bom trocar figurinha com quem tá na mesma luta né? Abraço!
E, olha, uma das formas como eu percebo que os alunos realmente estão pegando a habilidade EF69AR03 é quando eu circulo pela sala e vejo eles fazendo conexões espontâneas. Tipo, teve um dia que a Marcela tava discutindo com o Lucas sobre como uma cena de um filme que eles assistiram na aula lembrava uma peça de teatro que a gente tinha trabalhado antes. Foi ali, na conversa entre eles, que eu percebi: "Ah, eles tão entendendo o lance das linguagens se conectarem".
Outra situação foi com o Pedro. A gente tava trabalhando com música e pintura, e ele começou a explicar pro colega do lado como uma música específica evocava as cores e formas de um quadro do Van Gogh que eles tinham visto. Eu fiquei só observando de longe, mas deu pra ver no brilho dos olhos dele que ele tava captando essa relação entre som e imagem. E é nessas pequenas coisas do dia a dia que eu vou percebendo o aprendizado acontecendo.
Agora, claro, nem sempre é tudo flores. Tem uns erros bem comuns que os meninos cometem nesse conteúdo. Por exemplo, a Ana Clara, ela tem uma tendência de achar que toda arte precisa ser literal. Teve uma atividade onde pedi pra relacionar uma música instrumental com um sentimento evocado por um quadro abstrato europeu, e ela ficou presa na ideia de que precisava "ver" no quadro o que ouvia na música. Isso acontece porque muitos alunos ainda vêm com essa ideia de que arte tem que ser algo concreto e visível.
Outra situação foi com o João Vitor. Ele tava confuso entre estilos artísticos e acabava misturando as características do expressionismo com as do impressionismo na hora de fazer suas conexões. Isso é normal porque os nomes são parecidos, né? Quando pego esses erros na hora, gosto de conversar com eles individualmente ou em pequenos grupos, usando exemplos concretos pra mostrar as diferenças ou clarificar as ideias. Tipo assim, pego duas obras lado a lado e vou mostrando os detalhes pra eles verem as diferenças.
E quando a gente fala dos alunos com TDAH e TEA, como o Matheus e a Clara, aí o desafio é outro. Pro Matheus, que tem TDAH, eu noto que ele se beneficia muito quando eu dou umas pausas estratégicas nas atividades ou incluo momentos de movimento. Tipo, às vezes deixo ele andar um pouco pela sala enquanto pensa ou discute algo com um colega. Também uso fichas visuais pra ajudar ele a se organizar e saber exatamente o que precisa fazer em cada etapa da atividade.
Já com a Clara, que tem TEA, o importante é deixar tudo muito claro e estruturado. Ela responde bem a instruções visuais e roteiros passo a passo. E sempre tenho à mão materiais sensoriais diferentes — como texturas variadas — porque ela parece se conectar melhor quando tem esse tipo de estímulo. Uma vez tentamos usar só imagens digitais numa atividade e vi que não funcionou tão bem assim pra ela; aí passei a incluir materiais físicos também.
E olha, vou te dizer, cada aluno é único e demanda um olhar atento nosso. Nem tudo que funciona pra um vai funcionar pro outro, então é muita tentativa e erro até achar o que serve melhor pra cada um deles. O importante é estar sempre aberto ao feedback deles também.
Bom, galera, era isso que eu queria compartilhar hoje sobre a habilidade EF69AR03 e como percebo o aprendizado rolando na prática mesmo. Espero que essas experiências possam ajudar vocês aí nas suas aulas também. Qualquer coisa, tô por aqui pra trocar mais ideias! Abraço!