Olha, essa habilidade EF69AR19 da BNCC, que fala sobre identificar e analisar estilos musicais, não é só ouvir uma música e pronto. A ideia é fazer os meninos entenderem o que tem por trás da música, tipo, de onde ela vem, que época surgiu, por que é do jeito que é. É meio como viajar no tempo e espaço sem sair da cadeira. Quando a gente fala pra eles sobre isso, é incrível ver como a galera começa a conectar as músicas que gostam com história, geografia, com coisas que aprenderam na série passada e nem tinham percebido que tinha relação.
Na prática, o aluno precisa conseguir escutar uma música e falar: "ah, isso aqui é samba! Surgiu no Brasil lá no comecinho do século XX, muito ligado às tradições africanas e tal". Ou então reconhecer que o rock que eles tanto gostam não nasceu ontem. Mostrar pra eles como a música é um reflexo da sociedade da época. E olha, eles já tinham uma introdução a isso antes, na série passada. A diferença é que agora a gente começa a aprofundar mais, entrar nos detalhes e ver cada estilo com mais calma e detalhe.
A primeira atividade que eu faço é meio que um jogo de adivinhação musical. Eu levo uma caixa de som pequena e um playlist variado no celular. Coisa simples mesmo. A turma fica em duplas e, quando toca uma música, eles têm que adivinhar o estilo e discutir com o colega de onde pode ter surgido esse som. Não precisa acertar tudo de primeira, mas essa troca entre eles já começa a abrir a percepção. Tipo assim, na última vez que fiz isso, coloquei um jazz clássico do Louis Armstrong e o Pedro cutucou o Lucas dizendo "isso aqui parece aquelas músicas antigas de filme" — o que não deixa de estar certo!
Outra atividade bacana é a pesquisa em grupos sobre um estilo musical específico. Eu divido a turma em grupos de 4 ou 5 alunos e cada grupo escolhe um estilo: samba, rock, reggae, forró... Aí eles têm uma semana pra pesquisar e depois apresentar na sala. Vale usar vídeo, trazer exemplos de músicas e tudo mais. Aí você vê coisas legais acontecendo. Teve um grupo da última turma que escolheu estudar o Hip Hop. No dia da apresentação, trouxeram até um rap autoral falando sobre a história do movimento nos Estados Unidos e como ele chegou no Brasil. A Mariana até se arriscou a fazer uns passos de break dance! A aula ficou super animada.
A terceira atividade é mais prática ainda: oficina de criação musical. A gente junta todo mundo no pátio com instrumentos simples: tambores improvisados com baldes, violões velhos da escola, flautas doces... Qualquer coisa que der pra fazer som tá valendo. A ideia é eles criarem uma música juntos mesclando estilos diferentes. Isso leva umas duas aulas seguidas porque na primeira todo mundo tá meio perdido ainda. Mas depois começam a se soltar. Na última vez rolou uma mistura louca de baião com rock que ficou incrível! E o Joãozinho foi quem puxou as palmas pro ritmo nordestino enquanto a Ana arriscava uns acordes de guitarra.
Essas atividades não são só teóricas nem só práticas; elas precisam ser as duas coisas juntas pra fazer sentido pra eles. E é nessa mistura aí que eu vejo os meninos crescendo em entender o valor da música na nossa cultura e história. Ver eles discutindo entre si sobre uma música ou ver eles criando suas próprias melodias me dá aquela sensação boa de missão cumprida.
E aí você vê como tudo se encaixa: quando eles conseguem conectar o som com algo tangível do dia-a-dia deles ou aprender uma palavra nova numa letra em inglês que não entendiam antes... É demais! E na real é isso que faz valer toda essa correria do dia-a-dia numa escola pública.
Bom, por hoje é isso pessoal! Espero ter ajudado vocês a visualizar melhor essa habilidade na prática. Se alguém tiver outras ideias ou quiser compartilhar como faz aí na sua escola também seria massa trocar umas figurinhas!
Na prática, o aluno precisa conseguir escutar uma música e sacar os estilos, os instrumentos, até o contexto histórico de onde ela saiu. E aí, como perceber que eles aprenderam isso sem uma prova formal? Bom, sabe quando você tá andando pela sala e de repente ouve o Pedro explicando pro João que aquele som de guitarra é típico do rock dos anos 60? Ou quando a Ana tá toda empolgada falando pra Bianca que aquela batida vem do samba de raiz e começa a puxar na memória as aulas de história sobre a imigração africana? É nessas horas que eu vejo que eles sacaram mesmo. É no meio da conversa deles, no jeito que conectam as informações espontaneamente.
Teve um dia que eu percebi a Beatriz comentando sobre um bolero e apontando as influências espanholas nos ritmos. A menina estava com um brilho no olhar, mostrando que entendeu direitinho de onde vem aquele som. Outra vez, vi o Lucas ajudando o Gustavo a entender como o blues influenciou o jazz, explicando tudo numa linguagem que só eles entendem, mas que eu percebo claramente que foi aprendizado na veia.
Agora, não é sempre tão redondinho assim. Os erros mais comuns são confundir estilos parecidos ou esquecer de relacionar a música com o contexto histórico. O Rafael, por exemplo, sempre misturava bossa nova com samba. Ele falava "Ah, isso é bossa" quando era um samba clássico. Esses erros acontecem porque às vezes os meninos ficam focados só no que ouvem e esquecem do entorno da coisa toda. Pra corrigir isso, eu trago exemplos práticos na hora: "Rafa, escuta aqui essa música e presta atenção como esse compasso é diferente porque ele vem de tal lugar".
Agora, falando do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, com TEA... Cada um é uma aventura à parte. Com o Matheus, por exemplo, manter a atenção dele no conteúdo é um desafio. Então faço algumas adaptações: diminuo a duração das atividades pra ele não se perder. Se a aula vai ter análise de três músicas, pra ele são só duas, mas com mais tempo pra comentar o que percebeu. Às vezes uso fones de ouvido com ele pra ele conseguir se concentrar melhor no som da música sem o barulho da sala toda. Já tentei fazer ele usar uma lista de checagem tipo "ouviu tal coisa?", mas não rolou muito bem porque ele acabava se focando mais na lista do que na música em si.
Com a Clara é diferente. Ela gosta de previsibilidade, então explico antes qual será o passo a passo da aula e deixo claro os tempos de cada atividade. Uso bastante imagens e vídeos curtos pra complementar as explicações orais porque ajuda ela a entender melhor. Teve uma vez que montamos juntas um mural com os diferentes estilos musicais usando cores e texturas relacionadas aos sons — ela amou fazer isso e deu pra ver como associou cada estilo às características visuais.
É claro que nem tudo é perfeito. Já tentei usar apps educativos pros dois acharem legal e se engajarem mais, mas não funcionou tão bem quanto eu esperava. O Matheus até se perdeu nos jogos do app e a Clara ficou frustrada com as animações rápidas demais.
Enfim, cada sala é um universo diferente e cada estudante tem seu jeito único de aprender. E é isso que eu acho mais fascinante nessa profissão: a gente tá sempre sendo desafiado a achar novas formas de ensinar e de aprender também com eles.
Bom, gente, acho que já compartilhei bastante sobre como tenho lidado com essas situações. Se alguém tiver dicas ou sugestões, tô super aberto pra ouvir! Valeu por lerem e até o próximo post!