Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF69AR35 da BNCC, eu entendo que é sobre ajudar os meninos a mexer com tecnologia de um jeito que eles consigam criar e compartilhar arte, mas sem esquecer da ética e responsabilidade. É tipo pegar tudo que eles já sabem de tecnologia, que nessa idade eles já usam bastante celular, computador, essas coisas, e mostrar como isso pode se juntar com arte. Eles têm que saber acessar informações, criar suas próprias coisas e dividir isso com os outros, sempre pensando nas consequências do que estão fazendo.
Ano passado no oitavo ano, a galera já trabalhava com o básico de tecnologia pra pesquisar coisas pra escola, fazer uns trabalhos bonitos no PowerPoint, editar uns vídeos simples. Agora no nono ano, eu quero que eles tenham mais consciência de como usar essas ferramentas pra fazer arte de verdade. Tipo assim: eles já sabem usar aplicativos básicos? Então agora vamos usar isso pra criar algo artístico. Eles precisam entender que arte não é só o desenho no papel ou a música tocada ao vivo, mas que também pode ser digital e compartilhada online.
A primeira atividade que sempre faço é um projeto de vídeoclipe. Os meninos se organizam em grupos de 4 ou 5, e o material principal é o próprio celular deles e um computador com editor de vídeo bem simples, tipo o Movavi ou Shotcut. Eles têm umas três semanas pra criar um clipe de até 2 minutos pra uma música que a gente escolhe juntos na sala. Na última vez que fizemos isso, a música escolhida foi uma do Alok, porque a maioria gosta de música eletrônica. A galera adora trabalhar com vídeo porque já estão acostumados com TikTok e Reels. O João e a Bia do grupo 2 tiveram ideia de fazer uma paródia e acabaram envolvendo até os familiares nas gravações. Foi bem divertido ver todos se empenhando em criar cenas dinâmicas e depois editar tudo junto.
Outra atividade é criar uma exposição virtual de fotografia. A gente usa só o celular mesmo e um site gratuito tipo o ArtSteps pra montar uma galeria online. Primeiro, discutimos o tema da exposição e cada aluno tira umas 10 fotos em casa ou na escola sobre esse tema – geralmente escolhemos algo atual como "vida urbana" ou "natureza ao nosso redor". Eles têm duas semanas pra isso e depois mais duas aulas em sala de informática pra montar as exposições no site, onde cada um insere suas fotos numa galeria virtual. Na última vez que fizemos essa atividade, o Pedro tirou umas fotos incríveis das sombras dos prédios no final da tarde aqui em Goiânia e foi muito elogiado por toda galera.
E por fim, gosto de trabalhar com podcasts. Cada aluno tem que criar um episódio de uns 5 minutos sobre algum movimento artístico ou artista famoso. Eles usam aplicativos simples no celular como o Anchor pra gravar e editar o áudio. Se organizam em duplas ou trios e têm cerca de duas semanas pra pesquisar e gravar tudo. O legal é que além de aprenderem sobre arte, estão desenvolvendo habilidade de comunicação oral, algo super importante hoje em dia. Uma situação engraçada foi quando a Marina e a Julia estavam gravando sobre Van Gogh e começaram a rir tanto durante a gravação que resolveram incorporar isso no podcast como se estivessem conversando descontraidamente sobre ele. Ficou ótimo e muito autêntico!
Essas atividades são simples em termos de material porque a ideia é justamente usar aquilo que eles já têm à disposição, mas o impacto no aprendizado é grande porque trazem a reflexão sobre como usamos tecnologia no nosso dia a dia para além do entretenimento. Além disso, sempre reforço a importância da ética nas criações deles: nada de usar imagem ou música sem autorização, entender direitos autorais, pensar nos impactos do que compartilham publicamente.
Aí no final das contas o legal dessas atividades é ver como os alunos conseguem ver além da tela do celular ou do computador: eles percebem que são capazes de criar coisas incríveis com as ferramentas certas e um pouco de criatividade. E é claro que a gente também se diverte muito no processo! Esses momentos são valiosos na construção deles como cidadãos críticos num mundo tão digitalizado.
Bom pessoal, essas são algumas das formas que tento trabalhar essa habilidade com minha turma. Claro que nem sempre tudo sai perfeito, mas o importante é que todos se envolvem e aprendem bastante ao longo do caminho. Se alguém tiver ideias novas ou quiser compartilhar experiências similares, tô por aqui!
Então, continuando... No dia a dia da sala, quando não tô aplicando prova formal, olho mesmo é pros sinais mais sutis que mostram que os meninos tão pegando a ideia dessa habilidade. Tipo, enquanto eu circulo pela sala, tô sempre de olho nas conversas, nas interações. É engraçado ver como alguns deles se empolgam. Quando o João, por exemplo, tá explicando pro Lucas como criar uma apresentação digital e sugere usar música de fundo pra dar um clima, eu penso: "Esse aí tá entendendo a parada". Ou quando a Ana comenta que usou um aplicativo novo pra editar umas fotos pro trabalho de arte e fala das cores que escolheu porque combinam com a mensagem que ela quer passar, pra mim é outro sinal claro de que ela tá conectando os pontos.
Outro dia, a Sofia tava mostrando pro Pedro como mexer num programa de edição de vídeo. Ela tava ali, paciente, explicando passo a passo e ainda mencionou a importância de escolher imagens que não tenham direito autoral. Foi aí que eu percebi que ela não só entendeu como também tá consciente do lado ético. Essas coisas são ouro puro na prática pedagógica.
Agora, falando dos erros mais comuns, vejo muito disso rolando também. O Vitor, por exemplo, às vezes se empolga tanto em usar efeitos e transições nos vídeos que esquece da ideia principal do trabalho. Ele se perde no meio das opções e acaba deixando o conteúdo em segundo plano. Já a Marina, uma vez criou um site inteiro pro projeto dela, mas esqueceu de verificar as fontes das imagens que usou. Aí eu tive que puxar ela de lado e explicar sobre os direitos autorais. Esses erros acontecem porque eles estão num momento de descoberta e experimentação e o entusiasmo é grande.
Quando pego esses erros na hora, procuro ser direto e mostrar com exemplos práticos onde eles podem melhorar. Tipo assim: "Vitor, tenta focar primeiro na mensagem que você quer passar antes de colocar os efeitos. E Marina, lembra de olhar se as imagens têm autorização pra uso". Aí faço eles refazerem ou ajustarem o que for preciso.
Já com o Matheus que tem TDAH, precisei adaptar algumas coisas. Ele é cheio de energia e facilmente distraído, então deixo ele usar fones com música instrumental enquanto trabalha nos projetos digitais. Ajuda ele a focar mais. Também divido as atividades em partes menores pra ele não se perder no meio do caminho. E quando ele completa cada parte eu dou um feedback rápido pra manter ele motivado. Uma vez tentamos incluir ele num projeto em grupo grande, mas percebi que ele dispersava demais. Então agora faço grupos menores ou individuais quando preciso garantir que ele vai absorver melhor.
A Clara, que tem TEA, já funciona de outra forma. Ela precisa de rotinas bem claras e previsíveis. Pra ela, trago um roteiro visual das atividades do dia. Algo com desenhos e cores pra deixar mais tangível o que vamos fazer. Também dou tarefas bem específicas e sempre deixo um espaço mais tranquilo na sala onde ela pode trabalhar sem tanta movimentação ao redor. Uma coisa que não funcionou foi quando tentei fazer uma apresentação em grupo com ela participando ativamente – ela travou. Então agora sempre verifico se ela tá confortável com o que planejo antes de seguir em frente.
Bom, pessoal, acho que é isso sobre como percebo os aprendizados e lido com essas situações no dia a dia da sala de aula. A gente vai se ajustando conforme conhece melhor cada aluno e aprende com os acertos e erros da turma toda. E isso é o mais legal da docência: tá sempre em movimento! Se alguém tiver dicas ou quiser compartilhar suas experiências, tô aqui pra trocar figurinhas.
Fechamos por aqui então? Abraços!