Olha, gente, essa habilidade EF69AR09 da BNCC é basicamente sobre fazer os meninos entenderem e apreciarem a dança em suas várias formas. Não é só ver dançarinos famosos na TV ou no YouTube, mas é também reconhecer como a dança faz parte da nossa cultura e de outras culturas, através do tempo. Na prática, o aluno precisa ser capaz de identificar diferentes estilos de dança, falar sobre eles, saber de onde vêm e o que significam. Tipo, se você mostrar uma dança indígena brasileira ou uma dança de rua americana, o aluno deve conseguir perceber as diferenças e semelhanças e valorizar o que cada uma traz de especial.
Quando eles chegam no 7º ano, a galera já tem uma noção básica de o que é dança, talvez conheçam algumas danças tradicionais, ou danças que aparecem em festas e eventos. Mas agora a ideia é aprofundar isso. Queremos que eles pesquisem além do que já sabem, que sejam curiosos sobre como as pessoas dançavam no passado e como fazem isso hoje em diferentes partes do mundo.
Bom, vamos então pras atividades que eu faço com meus alunos. A primeira é um "trabalho de campo virtual". Como assim? A gente não pode levar todo mundo pra ver uma apresentação de dança ao vivo o tempo todo, mas a internet tá aí pra isso. Eu faço assim: dou uma lista com links de vídeos de apresentações de dança de diferentes estilos e épocas – tem desde balé clássico até hip hop, passando por samba de roda e danças africanas. A galera assiste em casa ou na escola mesmo, dependendo da possibilidade. Depois cada aluno escolhe um vídeo que mais gostou para apresentar para os colegas. Dura uma aula inteira e eles adoram essa parte de escolher. Teve uma vez que a Maria Clara escolheu um vídeo de capoeira que deixou todo mundo empolgado. O João ficou tão impressionado que quis aprender alguns movimentos.
Aí tem outra atividade que faço: "dança em grupo". Divido a turma em grupos pequenos e cada um precisa criar uma coreografia baseada em um estilo de dança que pesquisaram. Não precisa ser perfeito como profissionais fazem, é mais pra entender o ritmo e os movimentos básicos. Pra isso não precisa de muita coisa, só uns lenços ou acessórios simples que podem ser feitos em casa mesmo, tipo chapéus ou colares. Eles ensaiam por uns 30 minutos e depois apresentam para a turma. Na última vez que fizemos isso teve um grupo que misturou forró com hip hop, ficou bem divertido! O Pedro até acabou caindo durante a apresentação porque estava tentando fazer um passo meio complicado demais pro espaço pequeno da sala, mas levou na esportiva e todo mundo deu risada.
A terceira atividade é "pesquisa cultural". Cada aluno escolhe um país ou região do Brasil e pesquisa sobre uma dança típica desse lugar. Aí precisam descobrir a história dessa dança, quando ela começou, pra quê ela serve (se era ritualística, se é pra festas...), quem normalmente participa... Essas coisas. Depois eles fazem um pequeno mural na sala com imagens impressas ou desenhos feitos à mão mesmo (não precisa ser artista!) e escrevem um resumão do que aprenderam. Esse mural fica exposto por umas duas semanas pra todo mundo poder ver e aprender mais sobre as danças dos outros grupos. Na última vez a Ana Paula trouxe uma história incrível sobre uma dança do sul da Índia chamada Bharatanatyam, ninguém conhecia direito e foi ótimo ver todo mundo interessado.
O lado bom dessas atividades é que elas mexem com o interesse dos alunos de formas diferentes: alguns adoram pesquisar vídeos e saber mais sobre diferentes culturas, outros amam dançar e mostrar suas criações, enquanto outros preferem o lado mais investigativo das pesquisas culturais. E aí todo mundo acaba aprendendo junto!
E é isso aí, pessoal! Ensino arte não é só saber desenhar ou pintar; a dança também faz parte dessa bagagem cultural rica que levamos pra vida inteira. Ver os meninos se interessando por algo além do cotidiano deles me deixa muito satisfeito. No fim das contas, eles acabam apreciando formas de expressão artística de maneira mais completa e globalizada.
Espero ter dado boas ideias pra vocês! Abraço!
E aí, pessoal, então, como que eu percebo que os alunos realmente assimilaram essa habilidade sem precisar fazer aquela prova formal? Na verdade, é mais no dia a dia mesmo, na convivência com eles na sala de aula. Quando eu tô andando entre as fileiras, ouvindo a conversa da galera, já dá pra sacar quem tá por dentro do assunto. Tipo assim, teve uma vez que eu ouvi a Júlia e o Pedro conversando sobre um vídeo de dança africana que passamos na aula anterior. Eles estavam comparando com uma dança local aqui do Brasil e comentando sobre o ritmo, as vestimentas, o que tava passando na dança. Aí eu pensei, "ah, esses aí pegaram a ideia".
Outra coisa que sempre observo é quando eles se ajudam. O João tava com dificuldade pra entender a diferença entre o ballet clássico e a dança contemporânea. Aí vi a Luana explicando pra ele que no ballet clássico tem toda uma técnica rígida, enquanto na dança contemporânea eles têm mais liberdade de movimento e expressão. Foi ali que percebi que tanto a Luana tinha entendido direitinho quanto o João tava começando a pegar a ideia também.
Agora, falando dos erros mais comuns que a galera comete nesse conteúdo... Olha, dá pra contar várias histórias! Um erro bastante comum é confundir origem das danças. A Ana, por exemplo, tava certa vez falando sobre uma coreografia hip hop e disse que era uma dança indígena. Olha, até entendo, porque às vezes parece tudo misturado quando se é novo nisso. Muita gente acha que tudo que vem dos Estados Unidos é uma coisa só, mas não é bem assim. Então eu costumo, quando pego esse tipo de erro na hora, dar um toque: "Ei, Ana, vamos ver aqui de novo de onde cada dança vem e o que ela representa". Assim ela já corrige ali mesmo e entende melhor.
Teve outra vez também com o Lucas. Ele confundiu dança de rua com danças folclóricas brasileiras. Ele achava que o frevo era tipo break dance só por ser animado e ter movimentos rápidos. Aí eu aproveitei pra mostrar vídeos e imagens de ambas as danças e fazer ele perceber as diferenças nos passos, nos trajes e nas músicas. E claro, sempre procuro ser paciente e usar essas correções como chances de aprendizado.
Agora sobre o Matheus e a Clara... Bom, cada um tem suas necessidades e eu vou adaptando as atividades pra eles se sentirem incluídos. O Matheus tem TDAH e precisa de um pouco mais de movimento e pausas durante as atividades. Então o que funciona bem pra ele são exercícios em formatos de jogos ou atividades mais curtas intercaladas com momentos onde ele possa se movimentar pela sala. Teve uma vez que usamos cartões com diferentes estilos de dança e as crianças tinham que associar os estilos aos passos certos. Pro Matheus foi ótimo porque ele podia levantar pra pegar os cartões e isso dava pra ver que ele se envolvia bastante.
Já com a Clara, que tem TEA, o negócio é mais organizar direitinho e explicar antes exatamente como será a atividade do dia. Ajuda muito se eu passo primeiro só pra ela um resumo do que vamos fazer ou uso imagens grandes no quadro pra ela visualizar melhor o que tem que ser feito. Algo que não funcionou foi quando tentei usar muita música ao mesmo tempo em sala; percebi que ela ficava visivelmente desconfortável. Então comecei a introduzir sons mais baixos ou fones individualizados quando possível.
Bom, gente, acho que deu pra compartilhar um pouco das minhas experiências aqui com vocês nesse tópico da EF69AR09. Espero que tenha ajudado quem tá nessa mesma caminhada aí com os alunos. Se alguém tiver outras dicas ou quiser saber mais sobre alguma situação específica aí nas aulas de arte/dança, tô por aqui! Abraço!